Visitei Antônio Gomes na Serra das Almas.
Ficamos de conversa vai, conversa vem, temperada com café e nacos de rapadura enquanto D. Ciça preparava a galinha com fava verde e Raimundo colhia umas cajaranas para o suco.
“Tá escrevendo alguma coisa”, perguntou ele.
“Não, ninguém mais se interessa por leitura”.
“Eu acho que você está enganado”.
“Como assim?”, perguntei.
“Antes de responder, vamos ampliar o sentido de Ler para o de Conhecer. Talvez seja verdade que não se leia hoje como se lia antigamente, não se sabe ao certo porque envolve estatísticas improváveis". "Entretanto, nunca se conheceu tanto quanto se conhece hoje em dia”. Há o conhecimento que cresce horizontalmente, e aquele que cresce verticalmente”; um é raso, o outro, profundo”.
Acrescentou: “hoje em dia, qualquer matuto de pé de serra sabe muito mais acerca das coisas que seus antepassados do século passado, mesmo que seu conhecimento seja horizontalizado”.
Ele fez uma pausa, olhou para o imenso céu azul, quase despido de nuvens à sua frente, e rematou: “ainda por cima, à força de ouvir rádio, ver televisão, e ter sua atenção abduzida pelo celular, sua capacidade de raciocínio, quer queira, quer não, está sendo provocada, instigada, acelerada, e seu conhecimento está crescendo exponencialmente”.
É assim que acontece quando vou lá. Ele provoca e, depois, sigo estrada afora, convicto que meu conhecimento cresceu, não sei se horizontal ou verticalmente...
Quinta da Aroeira, 2 de julho de 2026.
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