Final da década de sessenta.
"Sapere Aude"
Final da década de sessenta.
* Honório de Medeiros
* honoriodemedeiros@gmail.com
* @honoriodemedeiros
Rafael Negreiros ao lado de Ivonete de Paula em evento na Associação Cultural e Desportiva Potiguar (ACDP), em Mossoró, RN.
* Honório de Medeiros
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Alguns anos atrás, final dos anos oitenta, eu e Franklin Jorge resolvemos lançar um jornal em Pau dos Ferros que cobrisse, para o Estado, todo o Alto Oeste. Seria um semanário e iria para as bancas aos sábados.
Da esquerda para a direita de quem olha: Fred, Paulo Maia,
Hélton, eu, Fernando Negreiros, Segundo Paula, Lenilson, Anchieta, Delevan,
Jânio Rêgo. Turma da Quarta Série Ginasial, 1972, Colégio Diocesano Santa Luzia,
reunidos em 2011, Mossoró.
* Honório de Medeiros
Paulo Maia dizia que era baixinho por minha culpa: eu tinha
roubado o leite dele, quando recém-nascido.
Tudo porque eu nasci três dias depois do 23 de abril de 1958,
no qual ele veio ao mundo, ambos na Maternidade Almeida Castro, em Mossoró.
Como mamãe não conseguia matar minha fome com seu pouco
leite, valeu-se da generosidade da mãe dele, Manolita Pereira, que nos
alimentou.
Manolita dizia que é minha mãe de leite. Eu respondo, sempre
respondi, que eu e Paulo tínhamos que ser irmãos, estava escrito no livro da
vida, e beijo a mão dela, reverente.
Entre idas e vindas, altos e baixos, seguimos próximos vida afora, sempre muito próximos.
Amigos desde a maternidade.
Um dia, eu lá pelas bandas de São João do Sabugi, no Seridó, em busca das misteriosas raízes genealógicas do meu avô paterno, acordei cedo, abri o celular, e li a devastadora notícia de sua morte.
Um baque.
Botei o carro na estrada e fui calado de lá até Mossoró, rasgando o centro do Estado, percorrendo um mundão de terra em um tempo que sequer vi passar.
Michaela respeitou meu silêncio.
Uma espécie de solidão amarga, ensimesmada, uma onda de tristeza que teimava em vir, tomou conta da gente.
Sensação de impotência. Solidão, tristeza e impotência.
Falam que há conforto na partida de alguém que lutou
bravamente por dois anos contra essa maldita doença cujo nome amedronta tanto,
que o abreviaram.
Pode ser. Sei que lutou ele, a esposa, filhos, a família toda, os amigos, os amigos dos amigos. Rezamos muito.
Luta vã.
Que seja feita a
vontade de Deus.
Descansou, então, e por fim.
E a saudade?
Paulo, você se lembra daquele dia em Tibau no qual Antônio de Bé nos
levou em sua jangada, começo da madrugada, para além da última visão de terra, como
companheiros de pescaria?
Lembra das tardes de cerveja e Belchior, lá no Asfarn, em
Natal?
Lembra dos veraneios em Tibau? Do jipe, das meninas, dos
amigos comuns, das pescarias no Arrombado?
Do Diocesano e da turma da quarta série ginasial de 1972?
Lembra como decidimos, junto com Delevam, quem seria o
padrinho de Paulinha?
Lembra daquele dia no qual fomos barrados na ACDP?
Lembra daquele dia... não, não, melhor não contar, não é?
Ê, Paulo, são tantas e tantas memórias.
Um dia eu conto para meus sobrinhos! As que eu puder, claro.
Paulo, aguarde aí. Um dia, chego.
Descanse em paz, meu irmão.
Estamos juntos!
Vou juntar as imagens desse tempo que passou tão rápido...
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* Honorio de Medeiros
* Honório de Medeiros
I MATHIAS FERNANDES
RIBEIRO, A RAIZ.
É certo que Mathias Fernandes Ribeiro, nascido
pela década de 50 do século XVIII, era filho de um casal pernambucano de
Goiana, Pernambuco, Francisco da Costa Passos e Violante Martins de Lacerda.
Podemos
ler, em Memorial de Família, o seguinte:
Quem
consultar o Livro de Registro de Batizados da Paróquia de Missão Velha,
Estado do Ceará, que abrange o período de 1748-1764 encontrará, nas folhas 3v. a
referência seguinte: "Francisco da Costa Passos, de Goiana, marido de Violante
Martins, de idêntica procedência".[1]
Depois residentes na antiga freguesia de São
João Batista da Vila de Princesa, hoje cidade de Açu-RN, Francisco da Costa
Passos e Violante Martins de Lacerda deixaram ali numerosa descendência. A sua
importância, para este artigo, advém do fato de terem sido os pais de Anna
Martins de Lacerda e Mathias Fernandes Ribeiro, cernes da árvore genealógica
aqui exposta.[2]
Anna
Martins de Lacerda casou-se com o "marinheiro" (nome que, à época, se
atribuía aos portugueses) José Pinto de Queiróz, da Serrinha, localizada nas
cercanias de Martins-RN, hoje município de Serrinha dos Pintos.
No
Cartório do Registro Civil de Portalegre-RN, encontra-se o inventário, datado
de 1781, assinado pela viúva do patriarca da Serrinha, falecido em 25 de
novembro de 1780, bem como o de Anna Martins de Lacerda, cujo óbito ocorreu
1805.
Também é certo que Mathias Fernandes Ribeiro foi casado
com Maria Gomes de Oliveira, de quem ficou viúvo com onze (11) filhos: 1. João
Silvestre de Oliveira; 2. Antônio Fernandes Ribeiro (casado com uma filha de
Domingos Jorge de Queiróz e Sá); 3. José Martins de Oliveira; 4. Francisco
Xavier da Silveira; 5. Mathias Gomes Brasil; 6. Cypriano Gomes da Silveira; 7. Maria
José do Sacramento (casada com o Coronel Agostinho Pinto de Queiróz); 8. Catharina
Gomes (casada com Bento José de Bessa); 9. Ana Martins de Lacerda (casada com o
Capitão Mor Alexandre Moreira Pinto); 10. Clara Gomes da Silveira (casada com o
Tenente José Lopes de Queiróz), todos legítimos, além de 11. Joana Gomes da
Silveira (casada com João Francisco Sampaio), filha natural com Maria da
Conceição.[4]
Maria
Gomes de Oliveira Martins casou-se com Mathias Fernandes Ribeiro
O casamento originou os Fernandes de Queiróz;
Fernandes de Oliveira; Fernandes Ribeiro; Fernandes Moreira; Fernandes Bessa;
Fernandes Lopes; radicados em Pau dos Ferros; Martins; Mossoró; Natal; Ceará;
Paraíba e alguns estados do Sul.
Entrelaçaram-se
com os Moreira Pinto; Moreira da Silveira e Gomes da Silveira, radicados em
Tenente Ananias, Sousa, Cajazeiras, Uiraúna, São João do Rio do Peixe e Ceará;
os Claudino Fernandes e Correia de Queiroga, radicados em Luiz Gomes, Tenente
Ananias, Cajazeiras, João Pessoa (Paraíba) e Terezina (Piauí); os Vieira da
Silva, Vieira Coelho e Fernandes Vieira, radicados em Tenente Ananias, Uiraúna
e Sousa (ambas na Paraíba); os Fernandes Maia, Fernandes Rosado Maia, e assim
por diante.[6]
Mathias Fernandes Ribeiro foi um dos homens mais
ricos do seu tempo. Seu inventário foi concluído em 1830, ano do seu
falecimento, e relacionou como sendo de sua propriedade, além de escravos,
ouro, gado e prataria, as propriedades “Cruz D’Alma”, “Curral Velho”, “Saco”,
“Santiago”, “Saco Grande”, “Passarinho”, “Passagem de Onça”, “Gurjão”,
“Arapuá”, “Coito” e “Estrela”, dentre outras.
Elencou setenta e dois devedores, que lhe deviam
um total de quase R$ 27.000.000,00 (vinte e sete milhões de reais) todos relacionados
em seu inventário, registrando um total de sessenta e um conto de réis como
monte-mor, ou seja, aproximadamente R$ 61.000.000,00 (sessenta e um milhões de
reais) em valores de hoje.
Uma
fortuna imensa, mesmo para os padrões atuais.[7]
Registre-se
que o inventário esteve desaparecido misteriosamente.
Calazans
Fernandes comentou que a última vez em que foi visto, estava nas mãos do Major
Antônio Fernandes da Silveira Queiróz, o “Major do Exu”, um dos senhores da
Serrinha dos Pintos, no ano de sua morte, em 1865.[8] O “Major” era filho de
Domingos Jorge de Queiróz e Sá e neto de José Pinto de Queiróz e Anna Martins
de Lacerda.
Em Genealogia e Fatos do Sertão do Norte de
Baixo, Luiz Fernando Pereira de Melo nos dá conta da descoberta do
inventário há tanto tempo desaparecido:
(...) realizei nova busca
na Cidade de Martins, e fui aquinhoado com a descoberta do inventário que se
supunha desaparecido, encontrando em seus autos, elucidando todas as
controvérsias, um testamento ditado pelo próprio Mathias...[9]
Em
nota ao texto, Melo acrescenta que teve acesso ao inventário de Mathias
Fernandes Ribeiro “com a ajuda valiosa do pesquisador martinense Júnior
Marcelino”.
[1] FERNANDES, João
Bosco. Memorial de Família. Terezina: HALLEY/AS-Gráfica e Editora. 1994.
MACEDO, Joaryvar. Povoamento e Povoadores do Cariri Cearense. Fortaleza:
Secretaria de Cultura e Desporto. 1985. MELO, Luiz Fernando Pereira de. Barra
Bonita: Ler e Saber Gráfica e Editora. 2021.
[2] FERNANDES, João
Bosco. O.a.c.
[3] Idem.
[4] MELO, Luiz
Fernando Pereira de. O.a.c.
[5] FERNANDES,
Calazans. O Guerreiro do Yaco. Natal: Fundação José Augusto. 2002.
[6] FERNANDES, João
Bosco. O.a.c.
[7] MELO, Luiz Fernando Pereira de. O.a.c.
[8] Morte do “Major
do Exu”. FERNANDES, Calazans. O.a.c.
[9] MELO, Luiz
Fernando Pereira de.
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