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segunda-feira, 11 de maio de 2026

PADRE HUBERTO BRUENING

 

Pe. Huberto Bruening



* Honório de Medeiros
* honoriodemedeiros@gmail.com
* @honoriodemedeiros


Final da década de sessenta. 

Pelas ruas mal iluminadas de Mossoró um homem muito alto, magro, de aparência ascética, portando uma sotaina cinza clara, candeeiro a gaz na cabeça, puxava, sotaque forte, estranho, ante meus olhos infantis, a procissão em louvor a Santa Luzia.

As formas tinham contornos imprecisos, gerados pela luz parca, e o hino, cantado em ritmo monocórdico, entremeado de aves-marias e pai-nossos, costurava, em minha imaginação, uma auréola de mistério em torno do sacerdote já famoso por sua austeridade.

A imagem que minha memória havia guardado foi a que primeiro me veio aos olhos da mente quando meu pai me dissera, tempos atrás, em tom de pesar, pelo telefone, que Pe. Huberto "descansara".

Até então éramos, mesmos os mais ausentes dos mossoroenses, cúmplices em uma mesma liturgia: sabermos notícias da sua saúde. 

Agora, ao nos encontrarmos, trocávamos impressões, lembrávamos fatos...

Porque, no final das contas, todos os de nossa geração, além dos muitos que nos antecederam, de uma forma ou de outra, em algum momento, estiveram sob o alcance daquele olhar claro, firme, pouco complacente.

Talvez ninguém venha expressar, como Emery Costa o fez, o sentimento de Mossoró por Pe. Huberto.

Em uma sua coluna diária, nos contou como o mossoroense reagiu à sua morte. E observou, no final, emocionado com a demonstração de afeto que ele recebera quando do velório e do sepultamento: "ainda vale a pena ser bom".

É verdade. Eu apenas diria que mais que bom, Pe. Huberto foi virtuoso. 

Claro, todos nós sabemos que a bondade é uma virtude. Entretanto, ele foi mais que bom, porque viveu aquilo no qual acreditava, e sua vida foi um exemplo de coerência entre discurso e prática.

Assim, não sucumbia a qualquer tentativa de ser portador de uma "bondade" tipicamente nordestina, ou mesmo brasileira, relaxada, condescendente, aquela mesma que é uma fuga aos compromissos com a verdade que liberta, fiel aos princípios morais.

Não que deixasse, ao molde de Spinoza, de compreender, para não rir nem chorar, e tal compreensão fosse integrada pela bondade, como objetivo evangélico para melhor servir aos desígnios da Igreja.

Entretanto, em sua alma cartesiana, estudiosa, culta, de formação quase jesuítica, o rebanho de Deus também precisava de disciplina para escapar às tentações do mal e, em assim sendo, a bondade não é apenas o afago do perdão, mas, também, o látego da advertência.

Mossoró se despediu de Pe. Huberto tendo entendido, dentro de si, aceito e respaldado, esse "ser" virtuoso que o caracterizava tão bem.

A cidade acompanhou seu caixão como se além da saudade, fosse conviver com a ausência de uma referência.

Assim se estabelecia, como que fazendo um contraponto, a diferença entre o singelo, o humilde, o honrado que se ia, e a escória que fica.

E o sepultou nos fazendo crer que há alguma esperança na espécie humana. quando distingue tão claramente quais dos seus devem ser homenageados na hora da despedida final.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

CORTEZ PEREIRA

Cortez Pereira

 

* Honório de Medeiros

* honoriodemedeiros@gmail.com

* @honoriodemedeiros


Conheci Cortez Pereira pessoalmente quando, Presidente do Centro Acadêmico do curso de Direito, convidei-o para proferir palestra acerca das relações entre marxismo e Filosofia do Direito, em um dos seminários que nós regularmente promovíamos.

De pronto, aceitou.

Na ocasião, dentre as críticas ao marxismo por ele esgrimidas, estava a do descompasso entre as previsões de Karl Marx quanto ao surgimento da revolução socialista na Inglaterra – único país, naquela época, que cumpria a necessária etapa do aprofundamento das contradições da classe burguesa através da revolução industrial -, e o fato de o processo revolucionário ter acontecido na Rússia feudal.

Perguntei-lhe se a teoria de Lênin acerca da tensão revolucionária queimar a etapa da ascensão da burguesia não seria correta, ao que ele me redargüiu que a tese carecia de comprovação histórica. Perfeito.

É difícil explicar nosso fascínio juvenil por Cortez Pereira naquela época, pois ele era um liberal e havia sido Governador através do Movimento de 64, enquanto nós, no verdor de nossa carreira intelectual, ávidos para salvarmos o Brasil e o mundo, pertencíamos a algum dos matizes  esmaecidos da esquerda tupiniquim.

Talvez a presença de sua retórica envolvente, misto de conhecimento técnico e arroubo poético; o eco de sua difícil e romanesca vitória no concurso para professor de Introdução ao Estudo do Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte; suas memoráveis defesas de projetos e programas de Governo e, principalmente, sua imolação no altar da ditadura, através de uma cassação hipócrita, fruto de politicalha, tivesse construído essa aura de respeito que lhe tributávamos.

Pouco depois, ainda no tempo em que todos os cursos da Universidade Federal colavam grau juntas e o orados das turmas concluintes era escolhido por concurso, nós o tivemos como paraninfo – salvo engano a primeira homenagem pública pós-cassação.

Quando terminou de nos falar pediu ao cerimonial que me trouxesse a sua presença para confirmar se eu, “de fato, pelo que pude perceber do seu discurso, não era mais marxista”.

Disse-lhe que estava em fase de transição, ele me abraçou dizendo baixinho: “também eu sonhei seus sonhos”.

Entretanto, o mais emocionante dos momentos que vivi através de Cortez Pereira ocorreu quando assisti seu depoimento em “Memória Viva”.

Várias vezes meus olhos se encheram de lágrima – uma delas mais intensamente: ele nos contava, aos seus interlocutores e espectadores, qual o instante mais intenso que vivera no seu Governo, e não hesitara em dizer que fora aquele no qual, no final de uma tarde, pleno pôr-do-sol, arriou a Bandeira do Brasil do seu mastro, saudado por quase uma centena de cantadores de viola que tinham vindo até o Palácio Potengi prestar-lhe uma homenagem.

Agora, na maturidade, ainda permaneço fascinado pela concepção estratégica de seu plano de governo e sua capacidade de agregar valores humanos no seu entorno.

Tão importante é sua contribuição, nesse aspecto, que ela permanece como referência aos políticos e administradores públicos.

Honro sua memória com essas lembranças quase esmaecidas e o respeito que alguém intelectualmente superior sempre nos suscita, quaisquer que tenham sido seus erros, se os houve.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

JALES COSTA

 

Jales Costa


* Honório de Medeiros
* honoriodemedeiros@gmail.com
* @honoriodemedeiros



Em 1982 a eleição para o Governo do Estado do Rio Grande do Norte assumiu, como em todo o País, as proporções de um plebiscito: de um lado, a Democracia; do outro, a ditadura, que aos poucos se desmanchava.

Eu, João Hélder Dantas Cavalcanti, Evandro Borges, Rossana Sudário e outros colegas, tínhamos refundado o Centro Acadêmico do Curso de Direito em uma Assembleia Geral Extraordinária histórica, com a participação maciça dos estudantes que combatiam o bom combate nas esquinas do Campus Universitário.

Resolvemos, na época, levar à frente um projeto ousado: promover um debate entre os candidatos ao Governo do Estado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Conseguimos o apoio do então Reitor Diógenes da Cunha Lima para a realização no auditório central da UFRN.

Junto com João Hélder fomos convidar Aluísio Alves e o então jovem Prefeito de Natal, José Agripino, que contrariando os conselhos dos seus principais assessores para não enfrentar uma plateia hostil e uma velha raposa com fama de grande debatedor, não hesitou: “vou ao debate!”

Tínhamos, por fim, que escolher alguém para moderar o evento: um professor respeitado pela Academia, pelos alunos, um símbolo do Brasil pelo qual lutávamos nos corredores da Faculdade.

Não houve dúvidas. A decisão foi unânime e pacífica. Teria que ser Jales Costa.

Já naquela época Jales Costa era uma lenda entre os alunos do Curso de Direito, pelo seu passado de perseguido político e pós-graduado na Europa – algo ainda bastante incomum – bem como pelo incômodo que causava por suas posições politicamente avançadas, entre seus colegas reacionários ou conservadores. 

Culto, inteligente, extremamente acessível, raciocínio rápido e logicamente irreprochável – sempre a desnudar e levar ao ridículo as obviedades do senso comum -, irônico e bem humorado, professor de Introdução ao Estudo do Direito, profundo conhecedor do pensamento de Hans Kelsen e de História, era muito respeitado entre os alunos do Curso.

Nunca nos deixava na mão. Contávamos sempre com ele para os seminários, debates e painéis que promovíamos.

Dono de um estilo peculiar ao escrever, sintetizava, em seus textos, o lado noturno da poesia e o lado diurno da ciência acerca dos quais nos deu conhecimento Gaston Bachelard.

Uma petição sua era uma aula de raciocino lógico e sintético que aprisionava o leitor e o encaminhava para seu destino final, a conclusão, por uma linha reta, jamais obstaculizada via adjetivos desnecessários e figuras supérfluas de estilo.

Uma Aula da Saudade, como a que ministrou para a minha turma concluinte, foi a oportunidade de magnetizar seus ouvintes por intermédio de uma peça literária cujo conteúdo, todo expresso via trechos escolhidos a dedo da poesia canônica, era foi uma oportunidade de expressar seu perfeito domínio da forma que escolhera.

Anos depois de ter sido seu aluno tive o privilégio de ser seu colega de escritório. Não tenho como expressar a alegria dessa convivência. Em sua sala, às vezes se tornava difícil deixar de lado a conversa envolvente que o caracterizava, para cuidarmos do ramerrão do dia-a-dia.

Eu, especialmente, aproveitava para agregar conhecimento nas infindáveis discussões filosóficas que se prolongavam até a hora de irmos ao Café São Luís, na Princesa Isabel, centro de Natal, um dos seus hábitos diários.

Mestre e Doutor em Direito pela Sorbonne, jamais surpreendi Jales Costa em um gesto menor no que diz respeito aos títulos que possuía ou aos muitos e especiais amigos que granjeara mundo afora.

Lembro-me que, em uma ocasião, Encontro Nacional de Faculdades de Direito realizado em Natal, cuja maior estrela seria Luiz Alberto Warat, o professor argentino da pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina famoso em todo Brasil, este, ao chegar, nos apresentou uma única exigência: queria ver Jales Costa que, na ocasião, convalescia de uma cirurgia.

Havia sido Secretário de Educação do primeiro governo Sarney que, naquela época, ainda infundia respeito por ter sido da “banda de música” da UDN, mas nunca falava à respeito.

Simples e reservado quanto a sua vida pessoal, nos cativava pela modéstia e altivez nas atitudes. 

Faz parte do folclore ao seu respeito, entre nós, que privamos de sua amizade, o apoio incondicional, na época da Ditadura, a uma greve dos professores da Universidade visando melhores salários para os docentes e para a qual seus colegas reacionários ou conservadores torciam o nariz: em reunião na Coordenação do Curso propôs, aos que boicotavam o movimento, a renúncia, por coerência moral, ao aumento salarial ao qual fariam jus caso o aumento fosse obtido no final da luta.

Impressiono-me, ainda hoje, com a presença de Jales Costa na nossa memória. Sempre estamos recordando alguma história sua.

Foi-se muito cedo e nos deixou a impressão que sua vida transcorreu como um esquete teatral intenso, marcante, irônico e cheio de humor, tais quais as suas tiradas: certa vez, chegando ao escritório, ao lhe perguntar de onde vinha, me disse que fora cortar o cabelo com “Bigode”, famoso cabeleireiro da Natal daquela época.

Perguntei-lhe como fora a conversa, me lembrando da loquacidade marcante de “Bigode”. “Ele me perguntou como eu queria o cabelo. Em silêncio, eu lhe disse. E assim foi”.

Não à toa, às vezes me quedo perguntando a mim mesmo, testemunha da época e deste Brasil, o que nos diria Jales Costa de tudo isso que nos avassala e nos deixa perplexos.

Algo inteligente, claro; iluminador, penso; mordaz, com toda certeza.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

RAFAEL NEGREIROS, O INDOMÁVEL


Rafael Negreiros ao lado de Ivonete de Paula em evento na Associação Cultural e Desportiva Potiguar (ACDP), em Mossoró, RN.


* Honório de Medeiros

* honoriodemedeiros@gmail.com

* @honoriodemedeiros


 Alguns anos atrás, final dos anos oitenta, eu e Franklin Jorge resolvemos lançar um jornal em Pau dos Ferros que cobrisse, para o Estado, todo o Alto Oeste. Seria um semanário e iria para as bancas aos sábados.

Foi algo insano, mas naquela época não tínhamos noção acerca da aventura na qual nos meteríamos, e a história da Folha do Alto Oeste um dia será contada, através de "crônicas, "artigos", “perfis”, “sueltos” e “bicos-de-pena”.

O que importa, entretanto, é registrar que Rafael Negreiros foi nosso primeiro e mais importante colaborador e, já no terceiro ou quarto número criou, com a iconoclastia que o caracterizava, a figura do “ombudsman” jornalístico – que a Folha de São Paulo copiaria algum tempo depois, se arrogando pioneira, sem saber que no Sertão do Rio Grande do Norte essa experiência já existira. 

Naquele artigo Rafael Negreiros desancou o jornal com tiradas tipicamente suas: ironias cortantes, entremeadas por observações pertinentes e oportunas acerca do exercício do jornalismo, em um artigo que ele enviou para publicação, divertindo-se com nosso possível constrangimento.

Publicamos, claro, e graças a ele fizemos história. 

Talvez tenha sido essa a única vez que mantive um contato mais estreito com ele, apesar de conhecê-lo desde menino.

O final da minha infância e início da adolescência – os últimos anos nos quais morei em Mossoró – foi cheio do que chamávamos de “as histórias de Rafael”, casos que eram contados nas esquinas da província e nos deliciavam pelo espírito de rebeldia, sem que disso tivéssemos noção.

Víamos Rafael – pelo menos eu via – como alguém que tinha coragem de tomar posições. Para mim não importava que posições fossem, mas, sim, seu destemor com as quais as assumia e defendia, além do torrencial volume de erudição que envolvia cada escrito. 

Anos depois acompanhei, por intermédio de Fernando Negreiros, filho caçula e amigo meu de infância, seu distanciamento da turbulência que o caracterizava. O tempo, domador de homens, cumprira seu papel como sempre deslealmente, porque escolhera para cúmplice anões morais com os quais Rafael Negreiros se recusava a compartilhar a experiência de sorver a vida daquela forma tão sua e tão peculiar.

Era o fim de uma era de titãs em Mossoró. Homens símbolos. Os contemporâneos dos seus últimos dias – imberbes arrogantes e pragmáticos, desletrados e vazios – sequer sabiam, quando o conheciam, ou dele ouviam falar, com que graça esdrúxula, humor derruidor, inteligência aguda, Rafael desmontava as armadilhas da mediocridade cotidiana. 

E hoje, com raras e honrosas exceções, lembram-no por seu talento menor – o humor, a excentricidade – desconhecendo, lamentavelmente, que se a coragem de firmar opinião usando como veículo a iconoclastia tivesse nome no Rio Grande do Norte, seria, com certeza, Rafael Negreiros.

Existe ainda uma outra faceta de Rafael que eu considero ímpar. Lembra um poema atribuído a Jorge Luís Borges, que depois soube-se não ser de sua autoria. 

No poema, em tom confessional, o autor ou a autora lamentava-se, olhando para o próprio passado e adivinhando a velhice que chegava a passos largos, por não ter aproveitado um pouco mais da vida com coisas pueris. 

Aparentemente pueris, digo eu, como um banho de chuva, mar, quem sabe de rio ou açude, o cavaqueado com os amigos do peito, a piada pronta, o espírito zombeteiro, discussões literárias, gargalhadas... 

Não importa caro autor ou autora, Rafael Negreiros fez isso por você. 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

PAULO MAIA


Da esquerda para a direita de quem olha: Fred, Paulo Maia, Hélton, eu, Fernando Negreiros, Segundo Paula, Lenilson, Anchieta, Delevan, Jânio Rêgo. Turma da Quarta Série Ginasial, 1972, Colégio Diocesano Santa Luzia, reunidos em 2011, Mossoró.

  

* Honório de Medeiros


Paulo Maia dizia que era baixinho por minha culpa: eu tinha roubado o leite dele, quando recém-nascido.

Tudo porque eu nasci três dias depois do 23 de abril de 1958, no qual ele veio ao mundo, ambos na Maternidade Almeida Castro, em Mossoró.

Como mamãe não conseguia matar minha fome com seu pouco leite, valeu-se da generosidade da mãe dele, Manolita Pereira, que nos alimentou.

Manolita dizia que é minha mãe de leite. Eu respondo, sempre respondi, que eu e Paulo tínhamos que ser irmãos, estava escrito no livro da vida, e beijo a mão dela, reverente.

Entre idas e vindas, altos e baixos, seguimos próximos vida afora, sempre muito próximos.

Amigos desde a maternidade.

Um dia, eu lá pelas bandas de São João do Sabugi, no Seridó, em busca das misteriosas raízes genealógicas do meu avô paterno, acordei cedo, abri o celular, e li a devastadora notícia de sua morte.

Um baque. 

Botei o carro na estrada e fui calado de lá até Mossoró, rasgando o centro do Estado, percorrendo um mundão de terra em um tempo que sequer vi passar.

Michaela respeitou meu silêncio. 

Uma espécie de solidão amarga, ensimesmada, uma onda de tristeza que teimava em vir, tomou conta da gente.

Sensação de impotência. Solidão, tristeza e impotência.

Falam que há conforto na partida de alguém que lutou bravamente por dois anos contra essa maldita doença cujo nome amedronta tanto, que o abreviaram.

Pode ser. Sei que lutou ele, a esposa, filhos, a família toda, os amigos, os amigos dos amigos. Rezamos muito.

Luta vã.

Que seja feita a vontade de Deus.

Descansou, então, e por fim.

E a saudade?

Paulo, você se lembra daquele dia em Tibau no qual Antônio de Bé nos levou em sua jangada, começo da madrugada, para além da última visão de terra, como companheiros de pescaria?

Lembra das tardes de cerveja e Belchior, lá no Asfarn, em Natal?

Lembra dos veraneios em Tibau? Do jipe, das meninas, dos amigos comuns, das pescarias no Arrombado?

Do Diocesano e da turma da quarta série ginasial de 1972?

Lembra como decidimos, junto com Delevam, quem seria o padrinho de Paulinha?

Lembra daquele dia no qual fomos barrados na ACDP?

Lembra daquele dia... não, não, melhor não contar, não é?

Ê, Paulo, são tantas e tantas memórias.

Um dia eu conto para meus sobrinhos! As que eu puder, claro.

Paulo, aguarde aí. Um dia, chego.

Descanse em paz, meu irmão. 

Estamos juntos!

Vou juntar as imagens desse tempo que passou tão rápido...


* honoriodemedeiros@gmail.com

* @honoriodemedeiros

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O CÔNEGO BERNARDINO JOSÉ DE QUEIRÓS E SÁ E A CASA GRANDE DA FAZENDA JOÃO GOMES NO ALTO OESTE POTIGUAR

Cônego Bernardino José de Queirós e Sá (1820-1884)



Un petit hommage à la dame Lúcia Rocha
* Honório de Medeiros

Muitos anos depois, ao recordar, com a leitura de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, o relato do desaparecimento lento e inexorável da cultura celta na Bretanha do ciclo Arturiano, substituída pela opressiva aliança entre o cristianismo, tal qual o entendia a Igreja Católica de então, e o poderio do Estado romano, associei o sentimento quanto a essa perda à minha própria amargura com a extinção, também impossível de ser detida, da antiga tradição cultural sertaneja nordestina, iniciada no ciclo do gado, nos idos do século XVI.

Rcordei, então, enquanto caminhava, garoto, pelas ruas da minha infância, tangido suavemente por meu pai, a cumprimentar, tímido, os vizinhos, dentre eles seu colega de trabalho, Francisco Alves Cabral (Seu Chico Cabral), a quem eu conectava imediatamente, por ser filho de Pedro Alves Cabral, com a Casa Grande da Fazenda São João, uma das três ou quatro construídas no “início das eras” naquela Região, o Alto Oeste Potiguar, de onde os Fernandes, todos descendentes de Mathias Fernandes Ribeiro, filho de portugueses, se espalharam pelo Brasil.

Pedro Alves Cabral nasceu lá, na lendária Casa Grande que Lampião recusou atacar, por artes de Massilon, quando invadiu o Rio Grande do Norte dirigindo-se a Mossoró, e ouvira suas histórias e estórias nos serões familiares, testemunhou algumas e foi, ele mesmo, o epicentro de um evento contado aos sussurros entre os adultos Fernandes, mas escutados por meninos de ouvidos ávidos, que atribuía seu nascimento em 1879, no dia de São Pedro, às infidelidades do Capitão Childerico José Fernandes de Queirós e Sá, então proprietário do solar senhorial, por casamento com Maria Amélia Fernandes, a Dona Marica do João Gomes, única herdeira de todo o patrimônio do Tenente Coronel Epiphanio José Fernandes de Queirós, conhecido como Major Epiphanio, falecido em 1884, e seu construtor.

Childerico I se casou duas vezes. A primeira com Guilhermina Fernandes Maia, filha do primeiro casamento de Diogo Alves Fernandes Maia com Maria Fernandes Maia. Desse casamento nasceram:

1. Adolpho José Fernandes, conhecido por Sinhô, casado com Primitiva Fernandes;

2. Marcionila Fernandes;

3. Childerico José Fernandes Filho;

4. Maria Fernandes Ferreira;

5. Joana Fernandes Ribeiro;

6. Levina Fernandes;

7. Guilhermina Fernandes de Queiróz;

8. Honorina Fernandes;

9. Francisca Fernandes de Souza.

Do seu segundo casamento, com Maria Amélia Fernandes (Dona Marica do João Gomes), teve os seguintes filhos:

1. João Câncio Fernandes;

2. Ernesto Fernandes de Queiróz;

3. Umbelina Fernandes da Silveira;

4. Francisca Fernandes Távora.

A história de Dona Marica é, por si mesma, uma lenda na família Fernandes.

Consta que Antônio Fernandes da Silveira Queirós (o Major do Exu) teve vários filhos, dentre eles o Major Epiphanio e o Cônego Bernardino José de Queirós e Sá, que foi vigário de Pau dos Ferros de 1849 a 1884.

O Major Epiphanio não teve filhos; o Padre, dez a doze, segundo alguns, dezesseis, dizem outros, de várias mulheres, dentre eles Dona Marica, a primogênita, adotada por seu irmão e dele futura e única herdeira.

Ao assumir a fazenda João Gomes, o Capitão Childerico, ao que consta, segundo as lendas, manteve a tradição inaugurada pelo Cônego Bernardino de povoar os oitões, sótãos e porões da Casa Grande, e dele nasceu Pedro Alves Cabral, pai de Seu Chico Cabral, a quem eu sempre associei ao lendário Solar da família e a proteção que recebeu, ao longo da vida, dos Fernandes descendentes do seu avô.

Bem como lembro, imediatamente, de outras tantas e preciosas histórias e estórias que o pó do tempo insiste em sepultar, lentamente encaminhando toda uma cultura da qual, hoje, quase não há mais testemunhas vivas, para o desaparecimento.


* honoriodemedeiros@gmail.com
* @honoriodemedeiros

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

COMADRE


* Honorio de Medeiros


O que mais me impressionava em Comadre, como todos nós a chamávamos, no aspecto físico, era seu rosto. 

Nele, o sol e o suor escavaram miríades de rugas finas a recortar sua pele morena, gretada, compondo uma teia que aprisionava nosso olhar imediatamente.

Depois, as mãos. Mãos como garras. Fortes. Calosas. Descoradas por anos a fio de sabão e água. 

Por fim sua vestimenta: sempre um vestido de cor clara, chita humilde, o mesmo modelo, de mangas compridas – que ela, por razões óbvias, usava arregaçadas – que ia até o tornozelo, tudo encimado por uma espécie de coroa de pano branco de margens largas, propositadamente feitas para receber e acomodar o saco de roupas a serem lavadas.

Pois Comadre, como se pode perceber do texto, era a lavadeira não somente lá de casa, mas de praticamente toda a família.

Estava sempre feliz. Na minha meninice de bicho arredio, dado aos livros e devaneios, alternados por impulsos nervosos de convivência alegre, sua gargalhada compunha o sábado, assim como o carneiro guisado e o cuscuz molhado na graxa, na hora do almoço.

Lá em casa, mais aos sábados do em qualquer outro dia por conta da feira, até o meio da tarde o vai-e-vem e converseiro era permanente. 

Entrava-se e saiam. Saiam e entravam.

Todos confluíam para a área-de-serviço, contígua à cozinha: O leiteiro, a lavadeira, o pessoal que vinha com a feira semanal, parentes de outras cidades, aderentes, contraparentes, amigos, amigos dos amigos. 

Todos embalados por uma xícara de café e pão com manteiga.

Conversava-se, cantava-se, declamava-se, discutia-se, fofocava-se, trocavam-se receitas de bolos e de remédios. 

Naquele local, sem que me desse conta naquela época, a solidariedade fincava raízes e se propagava: todos se uniam para se amparar mutuamente. 

Escutavam-se mágoas, partilhavam-se alegrias, construía-se teimosamente a delicada trama de uma vida ancestral, fadada a desaparecer, na qual todos formavam a unidade, e a unidade era a sobrevivência.

Comadre, então, como eu diria muito tempo depois, quando o passado passou a interromper cada vez mais meu presente, era um modelo de sobrevivência. 

Paupérrima, viúva ainda jovem, criou sua dezena de filhos lavando roupa e sempre com aquela alegria de viver que me deixa, ainda hoje, perplexo e angustiado. 

Poderia ter sido um personagem de um Tolstoi tardio, quando o cristianismo primitivo passou a ser sua segunda natureza.

Vezes sem conta, quando próximo de sua tão sonhada aposentadoria, eu lhe perguntei: “Comadre, por que a senhora é tão feliz?” 

“Meu filho”, respondia-me com aquele seu sorriso luminoso estampado na face engelhada, “Deus não nos quer tristes.” 

“Mas Comadre”, retorquia eu, “e o sofrimento que nós vemos no mundo?” “E a violência, a fome, as doenças...?” 

“Olhe, meu filho, como posso duvidar de Deus? Ou acredito ou não acredito.” 

E seguia lépida e fagueira, a chistar, trouxa na cabeça, alegre, feliz, sem sequer desconfiar que sua lógica simples dera um nó em toda a minha metafísica.

honoriodemedeiros@gmail.com
@honoriodemedeiros

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

I. F. STONE, UM D. QUIXOTE QUE DEU CERTO

I.F.Stone


 * Honório de Medeiros


I. F. Stone, “Izzy”, tinha 45 anos quando deu o passo mais arriscado de sua vida, contou-nos Sérgio Augusto em Uma Pedra no Caminhos dos Poderosos, apresentação da obra O Julgamento de Sócrates.

Escrita aos 77 anos pelo ícone do jornalismo depois de aposentado e após uma jornada intelectual que o levou, na investigação acerca da liberdade de pensamento, a pesquisar as duas grandes revoluções inglesas do século XVII, a Reforma Protestante, os pensadores ousados da Idade Média, a redescoberta de Aristóteles, a Atenas da Antiguidade, e aprender o Grego Antigo.

Em 1952, Stone viu-se desempregado após trabalhar em vários jornais do eixo Nova Jersey – Filadélfia – Nova York, inclusive o Daily Compass e o New York Post, depois de ter granjeado fama nos Estados Unidos e Europa de "mucraking", jornalista especializado em revolver casos de corrupção e abuso de autoridade, trabalhando às margens das redações e desconfiando que qualquer governo tudo faz para esconder verdades incômodas.

Com a indenização do Daily Compass criou uma newsletter sem nada semelhante na imprensa do mundo.

Conta-nos Sérgio Augusto:

Dispondo da lista de assinantes de três publicações para as quais havia trabalhado, assegurou de saída 5.300 leitores. O primeiro número do I. F. Stone’s Weekly chegou aos seus assinantes no dia 17 de janeiro de 1953. Pouco antes de virar quinzenal, em 1968, o alternativo mais bem informado do planeta ultrapassou a barreira dos 40 mil leitores.

Qual não teria sido a influência de Izzy hoje, em tempos de aldeia global!

“Os primeiros anos foram solitários”, Stone recordaria na última edição do jornal, em dezembro de 1971. “Meus leitores me sustentaram” – dentre eles Bertrand Russel, Albert Einstein e Eleanor Roosevelt.

O I. F. Stone’s Weekly fechou porque Izzy não tinha mais forças, vitimado por uma angina de peito.

Seu artigo de despedida foi comovente:

Tenho podido viver de acordo com minhas convicções. Politicamente, acredito que não pode existir uma sociedade decente sem liberdade de crítica: a grande tarefa do nosso tempo é uma síntese de socialismo e liberdade. Filosoficamente, creio que a vida do homem se reduz, em última análise, a uma fé – cujos fundamentos estão além de qualquer prova – e que esta fé é uma questão estética, um sentimento de harmonia e beleza. Acho que todo homem é o verdadeiro Pigmalião de si próprio. E em recriando a si próprio, bem ou mal ele recria a raça humana e o futuro.

O Julgamento de Sócrates tornou-se uma obra de referência, apesar do nariz torcido de alguns membros da comunidade acadêmica.

Stone fez com Sócrates o que Karl Raymund Popper fez com Platão em A Sociedade Aberta e seus Inimigos: demoliu sua imagem oficial. 

Ao longo das páginas do seu ensaio esmaece o Sócrates “santificado” por Platão e Xenofonte a partir de um julgamento que o condenou à morte, e daquelas pinturas literárias ocultas pela poeira do tempo, surge, aos poucos, pelas suas mãos, um legado: eles tratavam a democracia com condescendência ou desprezo.

Como disse o próprio Stone:

Nas Memoráveis, Sócrates afirma que seu princípio básico de governo é que cabe ao governante dar ordens e cabe aos governados obedecer. O que exigia não era o consentimento dos governados, mas sua submissão. Trata-se, certamente, de um princípio autoritário, rejeitado pela maioria dos gregos, e em particular pelos atenienses.

Em um governo assim, não há espaço para a liberdade de expressão. Esta questão é o fio condutor da obra: Sócrates não quis calcar sua defesa no conceito de liberdade de expressão, tão caro aos gregos do seu tempo – está em Ésquilo, Sófocles, e, principalmente em Eurípedes, para não comprometer seu visceral e antigo desdém com a democracia, escolhendo conscientemente a imortalidade que seu martírio iria originar.

Stone: “Xenofonte afirma que Sócrates queria ser condenado, e fez o que pode no sentido de hostilizar o júri”.

Quando faleceu, em junho de 1989, I. F. Stone, “Izzy”, era uma lenda viva. Mesmo assim continuava sarcástico: “Não consigo me acostumar com o lado dos vencedores”.

Seu radicalismo, seu espírito "outsider" ainda inspiram muitos. Sua postura firme contra a intolerância o torna um ícone para os libertários de todos os credos. E sua história de vida o credencia a tornar-se um exemplo a ser usado pelos que ainda acreditam na espécie humana.


honoriodemedeiros@gmail.com
@honoriodemedeiros

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

MATIAS FERNANDES RIBEIRO E OS FERNANDES DE QUEIRÓZ DO OESTE E ALTO OESTE DO RIO GRANDE DO NORTE

 


Maria Gomes, esposa de Matias Fernandes Ribeiro


* Honório de Medeiros


I MATHIAS FERNANDES RIBEIRO, A RAIZ.

 

                   É certo que Mathias Fernandes Ribeiro, nascido pela década de 50 do século XVIII, era filho de um casal pernambucano de Goiana, Pernambuco, Francisco da Costa Passos e Violante Martins de Lacerda.

Podemos ler, em Memorial de Família, o seguinte:

Quem consultar o Livro de Registro de Batizados da Paróquia de Missão Velha, Estado do Ceará, que abrange o período de 1748-1764 encontrará, nas folhas 3v. a referência seguinte: "Francisco da Costa Passos, de Goiana, marido de Violante Martins, de idêntica procedência".[1]

 Depois residentes na antiga freguesia de São João Batista da Vila de Princesa, hoje cidade de Açu-RN, Francisco da Costa Passos e Violante Martins de Lacerda deixaram ali numerosa descendência. A sua importância, para este artigo, advém do fato de terem sido os pais de Anna Martins de Lacerda e Mathias Fernandes Ribeiro, cernes da árvore genealógica aqui exposta.[2]

Anna Martins de Lacerda casou-se com o "marinheiro" (nome que, à época, se atribuía aos portugueses) José Pinto de Queiróz, da Serrinha, localizada nas cercanias de Martins-RN, hoje município de Serrinha dos Pintos.

No Cartório do Registro Civil de Portalegre-RN, encontra-se o inventário, datado de 1781, assinado pela viúva do patriarca da Serrinha, falecido em 25 de novembro de 1780, bem como o de Anna Martins de Lacerda, cujo óbito ocorreu 1805.




                   Também é certo que Mathias Fernandes Ribeiro foi casado com Maria Gomes de Oliveira, de quem ficou viúvo com onze (11) filhos: 1. João Silvestre de Oliveira; 2. Antônio Fernandes Ribeiro (casado com uma filha de Domingos Jorge de Queiróz e Sá); 3. José Martins de Oliveira; 4. Francisco Xavier da Silveira; 5. Mathias Gomes Brasil; 6. Cypriano Gomes da Silveira; 7. Maria José do Sacramento (casada com o Coronel Agostinho Pinto de Queiróz); 8. Catharina Gomes (casada com Bento José de Bessa); 9. Ana Martins de Lacerda (casada com o Capitão Mor Alexandre Moreira Pinto); 10. Clara Gomes da Silveira (casada com o Tenente José Lopes de Queiróz), todos legítimos, além de 11. Joana Gomes da Silveira (casada com João Francisco Sampaio), filha natural com Maria da Conceição.[4]

 


Maria Gomes de Oliveira Martins casou-se com Mathias Fernandes Ribeiro

                   O casamento originou os Fernandes de Queiróz; Fernandes de Oliveira; Fernandes Ribeiro; Fernandes Moreira; Fernandes Bessa; Fernandes Lopes; radicados em Pau dos Ferros; Martins; Mossoró; Natal; Ceará; Paraíba e alguns estados do Sul.

Entrelaçaram-se com os Moreira Pinto; Moreira da Silveira e Gomes da Silveira, radicados em Tenente Ananias, Sousa, Cajazeiras, Uiraúna, São João do Rio do Peixe e Ceará; os Claudino Fernandes e Correia de Queiroga, radicados em Luiz Gomes, Tenente Ananias, Cajazeiras, João Pessoa (Paraíba) e Terezina (Piauí); os Vieira da Silva, Vieira Coelho e Fernandes Vieira, radicados em Tenente Ananias, Uiraúna e Sousa (ambas na Paraíba); os Fernandes Maia, Fernandes Rosado Maia, e assim por diante.[6]

                   Mathias Fernandes Ribeiro foi um dos homens mais ricos do seu tempo. Seu inventário foi concluído em 1830, ano do seu falecimento, e relacionou como sendo de sua propriedade, além de escravos, ouro, gado e prataria, as propriedades “Cruz D’Alma”, “Curral Velho”, “Saco”, “Santiago”, “Saco Grande”, “Passarinho”, “Passagem de Onça”, “Gurjão”, “Arapuá”, “Coito” e “Estrela”, dentre outras.

                   Elencou setenta e dois devedores, que lhe deviam um total de quase R$ 27.000.000,00 (vinte e sete milhões de reais) todos relacionados em seu inventário, registrando um total de sessenta e um conto de réis como monte-mor, ou seja, aproximadamente R$ 61.000.000,00 (sessenta e um milhões de reais) em valores de hoje.

Uma fortuna imensa, mesmo para os padrões atuais.[7]

Registre-se que o inventário esteve desaparecido misteriosamente.

Calazans Fernandes comentou que a última vez em que foi visto, estava nas mãos do Major Antônio Fernandes da Silveira Queiróz, o “Major do Exu”, um dos senhores da Serrinha dos Pintos, no ano de sua morte, em 1865.[8] O “Major” era filho de Domingos Jorge de Queiróz e Sá e neto de José Pinto de Queiróz e Anna Martins de Lacerda.

                   Em Genealogia e Fatos do Sertão do Norte de Baixo, Luiz Fernando Pereira de Melo nos dá conta da descoberta do inventário há tanto tempo desaparecido:

                   (...) realizei nova busca na Cidade de Martins, e fui aquinhoado com a descoberta do inventário que se supunha desaparecido, encontrando em seus autos, elucidando todas as controvérsias, um testamento ditado pelo próprio Mathias...[9]

Em nota ao texto, Melo acrescenta que teve acesso ao inventário de Mathias Fernandes Ribeiro “com a ajuda valiosa do pesquisador martinense Júnior Marcelino”.



[1] FERNANDES, João Bosco. Memorial de Família. Terezina: HALLEY/AS-Gráfica e Editora. 1994. MACEDO, Joaryvar. Povoamento e Povoadores do Cariri Cearense. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto. 1985. MELO, Luiz Fernando Pereira de. Barra Bonita: Ler e Saber Gráfica e Editora. 2021.

[2] FERNANDES, João Bosco. O.a.c.

[3] Idem.

[4] MELO, Luiz Fernando Pereira de. O.a.c.

[5] FERNANDES, Calazans. O Guerreiro do Yaco. Natal: Fundação José Augusto. 2002.

[6] FERNANDES, João Bosco. O.a.c.

[7] MELO, Luiz Fernando Pereira de. O.a.c. 

[8] Morte do “Major do Exu”. FERNANDES, Calazans. O.a.c.

[9] MELO, Luiz Fernando Pereira de.


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