sábado, 6 de outubro de 2018

EIS COMO VOTAREI EM 7 DE OUTUBRO DE 2018


* Honório de Medeiros


Presidente – João Amoedo (30) 

Governador – Carlos Eduardo (12) 

Senador – Magnólia (777) 

Deputado Federal – Alayde Passaia (333) 

Deputado Estadual – Nina Souza (12123) 

* Faz parte de um compromisso comigo mesmo sempre declinar meu voto antes das eleições.

Arte: Francisco Gomes da Silva

domingo, 30 de setembro de 2018

CHEGA DE SAUDADE


* Florentino Vereda

De passagem pelo Rio, resolvi assistir, mesmo de longe, a uma dessas manifestações que estão mudando a cara do País. Entre tantas placas de “”FORA...”, “BASTA...”, “QUEREMOS...”, uma me chamou a atenção : “CHEGA DE SAUDADE”. Tentei me aproximar da pessoa que a conduzia, mas a multidão me arrastou para outro lado. Só deu pra ver, pelos cabelos grisalhos, que era algum idoso.
Mais tarde, num desses bares de esquina de Copacabana, dei de cara com o tal manifestante, tomando um chope antes de voltar pra casa. Aproximei-me dele e comentei:

- Curiosa sua placa. Saudades de que?

- Senta, cara. Garçom, mais um chope. Olhou em direção do mar e acrescentou:
- Saudades do que poderia ter sido e não foi. Também fui jovem, protestei contra tudo que lá estava, também sonhei com um futuro. Cantava “”Apesar de você”” e acreditava que amanhã seria outro dia. A democracia era, para mim, a mulher com quem todos os homens sonhavam e com quem queriam viver o resto de suas vidas. Hoje a democracia com a qual vivemos é uma balzaquiana de 30 anos, sambada, rodada e prostituída, deformada por cirurgias plásticas intermináveis às quais chamam de emendas constitucionais, medidas provisórias e outros nomes bonitos que disfarçam a feiura de seus propósitos. Já se deitou com centenas de políticos, lambuzando-se nos leitos imundos do poder.

- Posso pedir outro chope?; perguntei.

- Claro. Ainda não acabaram com o papo de bar. Mas já não é a mesma coisa. De futebol, os grandes lances não são as “folhas-secas” de Didi, os dribles geniais de Garrincha e a elegância de Djalma Santos. Os craques de hoje são os cartolas, jogando nos carpetes dos gabinetes, tocando a bola e embolsando uma grana preta. Grana também é o que não falta para os jogadores que somam aos salários astronômicos as vultosas verbas de publicidade, de produtos que sequer usam na vida real. Em campo a vergonha campeia. Veja o Santos do Rei Pelé levar de oito dos deuses do Barça. E a Alemanha meter sete na caçapa da CBF. Saudades do tempo das “”casas simples com cadeiras nas calçadas”” onde vizinhos conversavam depois da janta, até o sono chegar. Hoje está todo mundo trancado em casa, diante da TV, vendo novelas com personagens ridículos, perversos e traiçoeiros tramando golpes e safadezas, coisas que serão imitadas posteriormente na vida real enquanto os anunciantes empurram produtos supérfluos e desnecessários a otários desprevenidos.

Chama o garçom, pede mais dois chopes e continua:

- Por isto, amigo, que ainda saio de casa e me junto à turba ignara, talvez com saudades da minha época de estudante. Vivemos hoje uma agoracracia. O povo está nas ruas forçando o Legislativo a legislar e o Executivo a executar. Não sei se vai dar certo. Sempre há os espertos. Vândalos e saqueadores misturam-se com sindicalistas, todos tentando arrancar algo do navio que está afundando. Políticos adotam como suas as ideias que jaziam adormecidas em berço esplêndido. Mas é melhor do que não fazer nada. Quem sabe, alguma coisa muda? A esperança verde é a última que morre amarela.

Arrisco uma pergunta, olhando nos seus olhos, se essas saudades são também de alguma mulher; algum amor da juventude, cuja chama ainda arde no peito, cuja lembrança ainda não se despregou da memória.

- Nada disso, amigo. Neste quesito dei sorte. Naqueles tempos conheci uma colega de universidade, lá no Calabouço, ali onde mataram Edson Luís. Juntos corremos da Policia. Juntos gritamos palavras de ordem. Juntos cantamos “”pra não dizer que não falei de flores.” Namoramos, juntamos nossas escovas e, desde aquela época continuamos juntos, dois companheiros e dois amantes. Pena que ela não queira mais sair comigo à noite. Anda com medo dos arrastões em bares e restaurantes. Fazer o que? Aliás, se o amigo me permite, vou embora. Ela está me esperando com açúcar, com afeto.

Levantou-se, pediu a conta, pagou as duas rodadas de chope (não admitiu a minha intervenção) e se despediu com um forte aperto de mão, dizendo:

- Boa sorte pra você, que mal vê a luz que mal se acende.

E sumiu no meio da multidão.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

NO TEMPO DOS CANGACEIROS E DOS CORONÉIS

NO TEMPO DOS CANGACEIROS E DOS CORONÉIS: CANGACEIRO MOITA BRAVA DELATA O ENVOLVIMENTO DE IMPORTANTES CORONÉIS PARAIBANOS EM ASSALTOS NA REGIÃO DE POMBAL


* José Tavares de Araújo Neto

O Dr. José Ferreira de Queiroga, deputado estadual, chefe político que comandava Pombal desde 1915, mantinha estreitas ligações com o coronel José Pereira, líder da cidade de Princesa, também com assento na Assembleia Legislativa da Paraíba. José Pereira e José Queiroga integravam, na condição de primeiro e segundo vice-presidentes, a “Chapa dos Três Jotas”, encabeçada por Júlio Lyra, e que apresentada em 1928 pelo Presidente do Estado Joao Suassuna para sua sucessão, mas que foi vetada pelo todo poderoso ex-presidente da República Epitácio Pessoa.

Inimigo declarado do coronel José Pereira, o Presidente João Pessoa se incomodava com essa relação de compadrio entre os dois coronéis, não dispensando o menor sentimento de confiança ao pombalense. Em 1929, na tentativa de indicar o prefeito de Pombal, Dr. José Queiroga teve três nomes rejeitados pelo Presidente João Pessoa, que nomeou para o cargo Elias Camilo de Sousa, sugerido por seu cunhado, o Procurador Geral do Estado Dr. Mauricio de Medeiros Furtado, pai do economista Celso Furtado.

Em 1930, a Paraíba se encontrava no estágio máximo de sua efervescência política. Sob o pretexto de manter a ordem e garantir lisura na eleição presidencial, marcada para dia 1º de março, o Presidente do Estado João Pessoa, candidato a vice-presidente da República na chapa encabeçada por Getúlio Vargas, enviou à cidade de Teixeira um forte efetivo da polícia militar, comandado pelo tenente Ascendino Feitosa, que determinou a prisão de importantes figuras da oligarquia Dantas, aliada do Coronel José Pereira Lima, e este, por sua vez, em face dos acontecimentos, tinha se feito inimigo político e pessoal do Presidente do Estado.

Sabedor da prisão dos seus correligionários, o coronel José Pereira mandou um recado para o tenente Ascendino Feitosa: Se não soltasse os presos, ele mesmo iria libertá-los e não sobraria um só soldado para contar a história. A princípio o tenente resistiu, porém cedeu quando soube que as tropas do coronel, em grande quantidade e bem municiada já se dirigia a Teixeira. Percebendo a grande desvantagem numérica, o tenente não viu outra saída a não ser ordenar aos seus comandados a imediata retirada. Este evento marcou o início do sangrento conflito que ficou conhecido como “A Guerra de Princesa”.

Para enfrentar os sediciosos de Princesa, o Presidente João Pessoa havia disposto o efetivo policial da Paraíba sob três comandos: um com o Coronel Comandante da Polícia Militar da Paraíba, Elísio Sobreira; outro com o Delegado Geral do Estado, Severino Procópio; e, o terceiro, com o Secretário de Interior e Justiça, José Américo de Almeida. Enquanto os combates com as forças paraibanas centralizavam-se na região de polarizada por Princesa, o coronel José Pereira formou grupos armados destinados a buscar meios para financiar a guerra nas regiões de Coremas, Malta, Pombal, Catolé do Rocha, Brejo do Cruz e São Bento. Os locais de apoio se concentravam no município de Pombal, nas Fazendas Oriente e Olhos D’água, propriedades dos irmãos Dr. José Queiroga e Coronel Manuel Queiroga, ambos filho do Coronel Benedito Queiroga, conhecido coiteiro do cangaceiro Antonio Silvino, falecido em 1921. Os jagunços do coronel José Pereira haviam recebido ordem expressa para atacarem a fazenda Conceição, do Coronel José Avelino de Queiroga, abastado fazendeiro, principal adversário político de Dr. José Queiroga. A rota de fuga seria na direção de cidade de Serra Negra, no vizinho Estado do Rio Grande Norte.

O Grupo, comandado pelo ex-cabo João Paulino, desertor da Polícia Militar do Estado da Paraíba que se aliou ao Coronel José Pereira, tinha como pontos de apoio as Fazendas Oriente e Olhos D’água, propriedades dos irmãos Dr. José Queiroga e Coronel Manuel Queiroga, ambos filho do Coronel Benedito Queiroga, conhecido coiteiro do cangaceiro Antonio Silvino; falecido em 1921. O grupo havia recebido ordem expressa para atacar a fazenda Conceição, do Coronel José Avelino de Queiroga, que apesar de primo, era o principal adversário político de Dr. José Queiroga. Avisado que a força volante se dirigia a Fazenda Aliança, onde o bando se encontrava acoitado, João Paulino juntou seus homens, montaram em seus cavalos e partiram em desenfreada disparada na direção fa Fazenda Olho D’água. Ele, como uma pessoa bastante experiente, sabia que era preciso esquivar-se de embates com a polícia a fim de evitar perdas desnecessárias de homens e, principalmente, economizar munição. Além desses motivos, havia a recomendação de fazer o máximo possível para não comprometer a respeitável figura do deputado Dr. José Queiroga. Na pressa, o cangaceiro Moita Brava sofre uma queda do cavalo, não suportando as dores, sendo deixado aos cuidados de um sertanejo amigo de Dr. Queiroga, enquanto o bando se divide em três subgrupos, que tomam diferentes direções.

Sob a coordenação do Secretário José Américo, a tropa governista impõe uma intensa perseguição. Em 08 de julho, localiza e prende Moita Brava. No dia 10, cerca e mata Candido Honorato, no sitio Pau Ferrado. No dia seguinte, a volante comandada pelo tenente José Guedes ataca o grupo no Sitio Almas, matando uma pessoa, e fazendo apreensão de dois fuzis e recuperação de vários objetos roubados. No dia seguinte, o bando com invade a fazenda Ipueiras, de propriedade de Pedro Marques de Medeiros, roubando dinheiro, objeto e incendeia a fazenda, logo após fugindo na direção vizinha cidade de Serra Negra, no Rio Grande do Norte.

Preso, o cangaceiro Moita Brava é levado para à cadeia da cidade de Brejo do Cruz, onde no dia 10 de julho presta um bombástico depoimento (v. anexo), no qual delata o envolvimento do coronel José Pereira e do Dr. José Queiroga nos fatos acontecidos em Pombal. Quatro dias depois, ou seja, no dia 14 de julho, Moita Brava falece na prisão, acometido por uma pneumonia dupla, cujo diagnostico foi assinado pelo médico Dr. Américo Maia, primo e cunhado dos futuros governadores João Agripino (PB) e Tarcísio Maia (RN).

(*) TERMOS DO DEPOIMENTO DO CANGACEIRO MOITA BRAVA PRESTADO AO SUBDELEGADO DE BREJO DO CRUZ

Aos dez dias do mez de julho do anno de mil novecentos e trinta, nesta Villa de Brejo do Cruz, na cadeia pública, presente o subdelegado de polícia, sargento Delmiro Pereira da Silva, foi ouvido Euclydes Bezerra, que respondeu as perguntas que foram feitas pela dita autoridade, pelo modo seguinte: Perguntado qual o seu nome, filiação, idade, profissão, estado, nacionalidade, residência e se sabia ler e escrever, respondeu chamar-se Euclydes Bezerra, vulgo “Moita Brava”, filho de José Bezerra, com vinte e cinco annos de idade, solteiro, Josécultor, brasileiro, no Espírito Santo, Estado de Pernambuco, não sabe ler nem escrever. Perguntado mais como se passado o facto de ter elle sido preso, respondeu que foi preso pelo dr. secretário de segurança, no logar cujo nome elle ignora, sabendo, entretanto, ter sido o município de Pombal, devido fazer parte do grupo que vinha de Princeza, chefiado por João Paulino, Abilio e Rogério de tal; que ficou em sua casa doente, por não poder seguir com seus companheiros; que faz uns dezoito ou vinte dias que fazia parte do grupo, tendo entrado no grupo no logar Barra, do município de Princeza; que de Barra seguiu para Olho d’Água, dahi dirigiram-se para a fazenda do coronel João Alves, onde houve um tiroteio de dez minutos mais ou menos, tendo o grupo roubado, incendiado e feito outras depredações; dahi da propriedade de João Alves foram para a propriedade do subdelegado de Malta, que reside no município de Piancó, de nome Tota Assis, onde o prenderam e o conduziram, fazendo ali pequeno roubo; que dahi seguiram para o “Oriente” do dr. José Queiroga, onde passaram três dias, onde não fizeram nenhuma depredação, por terem ordem do coronel José Pereira para ali não tocarem em nada; que sahiram do oriente, porque foi um portador de Pombal avisar que ia uma força em perseguição e levava um dinheiro que foi entregue a João Paulino, cuja quantia elle ignora; que lá no “Oriente” receberam quatro animaes de presente, mandados por um senhor por nome de Cabeçudo e mais um rapaz para fazer parte do grupo, de nome José, que foi appellidado pelo grupo pelo nome de “Norato”, cujos signaes característicos são os seguintes: alto, alvarento, secco do corpo, cabello vermelho, faltando um dedo mínimo na mão esquerda; que logo depois da chegada do aviso de Pombal com algumas horas o grupo foi atacado, pela força, havendo um pequeno tiroteio, que dahi eles correram em direcção da rodagem de Malta a Pombal, onde fizeram alguns roubos e depredações; que o grupo era composto de quarenta e seis homens chefiadas por João Paulino, Rogério e Abilio, tendo outro grupo chefiado por José Joca, com perto de trinta e cinco homens, que se separou do grupo de João Paulino no logar Olho d’Água; que o grupo trazia ordem do coronel José Pereira de só passarem três semanas, voltando novamente para Princeza, mas o chefe do grupo disse que passava até três mezes se pudesse; que o grupo tinha ordem do coronel José Pereira de saquear e fazer depredações e não atirarem para não estragar a munição, que o grupo falava em atacar Pombal, Brejo do Cruz, Curema, Catolé, Conceição do Coronel José Avelino, Catingueira, e Serra Negra, não sabendo se nesta era para atacar ou descansar; que o producto do roubo os cabras entregaram ao chefe do grupo; que elle interrogado fez parte do grupo por ter se desgostado com a família; que os nomes do pessoal do grupo e seus apellidos de guerra eram os seguintes: João Paulino, Rogério, Abillo, Adaucto, José Joca, que ficou em Olho d’Água; Adalberto, Sebastião Engraxate, Arthur, cícero Fernandes, Briba, nome de guerra que ignora o nome; Garrincha, Euclydes de Goes, Lino, Norato, José Caetano, Manoel Rocha, Felix Raymundo, Leopoldo e outros que não sabe do nome nem do apellido. E como nada mais foi perguntado, deu a autoridade o auto por findo, mandando lavrar o presente auto, que depois de lido e achado conforme, assigna com Ildefonso Chaves e Octávio Olympio Maia, por não saber o interrogado escrever, commigo Urbano Maia, escrivão que o escrevi, Delmiro Pereira da Silva, Ildefonso Chaves e Octávio Olympio Maia.


(*) Depoimento Transcrito do Diário de Pernambuco, edição de quinta-feira, 24 de julho de 1930, página 3. (edição 00168).

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

MAS, NUM POSTE, VOTO NÃO! (POETA RAMIM ALEIJADO, SANTA CRUZ-RN

E SE TODAS AS CAMPANHAS POLÍTICAS NO BRASIL FOSSEM DISPUTADAS NA VIOLA E NO VERSO?

Autor: poeta Ramim Alejado /Sta Cruz-RN


Eu voto numa gazela

Num pedaço de imbira
Numa espinha de traíra
Na tampa de uma panela
Eu voto numa suvela
Num pedaço de carvão
Voto num pano de chão
Numa cadela com xanha
Voto na mãe de pantanha
Mas num poste, voto não!

Voto num galo goguento
Apoio até João badalo
Voto na tampa de um ralo
Num cachorro bem sarnento
Voto em qualquer lazarento
Na zuada de um trovão
Eu voto num gavião
Mas não voto num fantoche
Dou meu voto ate num broche
Mas num poste, voto não!

Eu voto num carroceiro
Numa velha maltrapilha
Mas não elejo quadrilha
Pra roubar nosso dinheiro
Não dou voto a cachaceiro
Que vive numa prisão
Eu voto até num furão
Voto num arroto xôco
Voto na bucha de um côco
Mas num poste, voto não!

Por ser um bom eleitor
Voto numa muriçoca
Voto numa franga choca
Na carroça de um trator
Num avião sem motor
Numa casca de limão
Voto na irmã do cão
Numa quenga depravada
Voto num cabo de enxada
Mas num poste, voto não!

Pra mudar este pais
Eu voto até numa muda
Não voto em cobra barbuda
Que tem nome de Luiz
Voto numa meretriz
Dou meu voto a safadão
Mas gigolô de ladrão
Nessa terra eu não aceito
Dou meu voto num confeito
Mas num (POSTE) voto não!

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

MADURO SE BANQUETEIA ENQUANTO VENEZUELANOS PASSAM FOME

* Honório de Medeiros

Seja de direita ou esquerda, os tiranos são todos iguais.

Nada mais repugnante, ultimamente, que o banquete de Maduro, o ditador venezuelano, com direito a charutos individualizados enviados direto de Cuba e bebidas finas, na Turquia, enquanto seu povo, literalmente, passa muita fome.

Leia matéria e julgue você mesmo, em "El Pais": 
(https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/18/internacional/1537231749_772809.html)

Ou leia transcrição abaixo:

"Voltando de uma viagem à China e à Rússia, onde pediu um empréstimo para reativar a deprimida estatal petroleira PDVSA em meio à pior crise econômica já vivida na Venezuela, Nicolás Maduro fez uma parada em Istambul. O líder chavista visitou o restaurante do famoso chef turco Nusret Gökçe, conhecido como Salt Bae, que viralizou nas redes sociais por sua teatral maneira de cortar e depois salgar as carnes, como se estivesse jogando um feitiço na comida.

Os vídeos publicados nas contas do Instagram e Twitter dessa celebridade da Internet (@nusr_ett) mostram o mandatário e sua esposa, Cilia Flores, desfrutando de um corte de carne servido pelo próprio cozinheiro, e logo depois de charutos levados num umidificador personalizado com seu nome. O famoso chef também lhes entregou camisetas promocionais e, numa das gravações, Maduro faz um convite para que ele vá a Caracas.

“Queria agradecer o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por sua visita”, escreveu o chef, que em sua rede internacional de restaurantes já recebeu celebridades como os jogadores David Beckham, Cristiano Ronaldo e Diego Armando Maradona, e também o cantor de reguetón J Balvin. Este último, aliás, insultou Maduro nos comentários da publicação, que foi apagada da conta do chef no Instagram. O vídeo se tornou trending topicmundial e gerou grande indignação nas redes sociais na Venezuela. A crise socioeconômica e a escassez fizeram os indicadores da fome se multiplicarem, segundo o último relatório da FAO (agência da ONU para a alimentação): entre 2015 e 2017, 3,7 milhões de venezuelanos sofreram de subnutrição, quatro vezes mais que no triênio de 2010-2012.

O próprio Maduro se referiu na noite de segunda-feira ao jantar em Istambul, no seu primeiro pronunciamento após pousar em Caracas. “Envio daqui uma saudação ao Nusret. Ele nos atendeu pessoalmente, ficamos conversando, nos divertindo com ele. Um homem muito simpático, ama a Venezuela", disse. O país sofre uma crônica escassez de alimentos, e especialmente de carne, que desapareceu dos estabelecimentos depois de uma nova tentativa governamental de impor controles aos preços como parte do pacote de medidas econômicas para resgatar a economia venezuelana."

domingo, 16 de setembro de 2018

TRISTE BRASIL

* Honório de Medeiros

Bem dizia Oswaldo Aranha em 1933: "O Brasil é um deserto de homens e ideias". 

Mais de homens que de ideias, acrescento eu.

Que tempos, estes!

Qual futuro pode ter um país cujo STF é presidido por um Toffoli, o Senado por um Eunício Oliveira, a Câmara por um Rodrigo Maia, e a Presidência por um Michel Temer?

Como um professo de Direito pode estimular seus melhores alunos a estudar quando um nulo, sem qualquer mérito, como Toffoli, chega à Presidência do STF?

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

CONVITE DE UM PAI ORGULHOSO

A imagem pode conter: texto

Local, dia e hora: Temis Clube Balcão Bar, Avenida Rodrigues Alves, 950 - Tirol, Sede do América Futebol Clube, 20 de setembro do corrente, a partir das 18 horas.

E o convite de Bárbara de Medeiros:

"LANÇAMENTO DO MEU TERCEIRO LIVRO

Gente, veio mais rápido do que a gente pensava, mas talvez não da forma que vocês esperavam, hahaha.

É com muito orgulho (e algumas lágrimas de incredulidade) que convido vocês ao lançamento do meu primeiro livro em colaboração - um livro de Direito, fruto de árduo trabalho com meus colegas do Núcleo de Pesquisas em Direito Internacional (NUPEDI).

Mesmo se você não é da área de Direito, esse livro pode ser importante pra você, por dois motivos:

1. Trata de temáticas atuais que permeiam o nosso dia-a-dia, se você está atualizado com as notícias do jornal. O meu artigo no livro, por exemplo, trata de refugiados e apátridas.

2. Você vai estar ajudando a desenvolver a pesquisa universitária no Brasil, que urgentemente precisa de patrocínio.

Espero vocês lá pra lhes dar um abração!"

terça-feira, 11 de setembro de 2018

PLATÃO E SUA ONIPRESENÇA


Honório de Medeiros

* Emails para honoriodemedeiros@gmail.com
* Respeitemos o direito autoral. Em conformidade com o artigo 22 dLEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências, pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou.


Platão põe na boca de Codro, no Banquete: "Supondo acaso que Alcestes... ou Aquiles... ou o próprio Codro teriam buscado a morte - afim de salvar o reino para seus filhos - se não tivessem esperado conquistar a memória imortal de sua virtude, pelo qual, em verdade os recordamos?"

Recordo, então, de Ernst Becker, e seu A Negação da Morte.

Para Becker  o que há de fundamental no ser humano é o medo da morte.

Esse medo, que está em cada um de nós desde que construímos nossas primeiras noções acerca de nós mesmos e do que nos cerca, é o motor que nos impulsiona e a fonte de nossa permanente angústia.

Agimos, em consequência, para reprimi-lo, construindo "mentiras vitais" que nos permitam a ilusão de permanência histórica e explicam, assim, a conduta do homem.

Delas a mais importante é a ânsia por heroísmo, que em acontecendo, nos permitiria sobreviver na memória dos outros.

Creio, mas posso estar enganado, que Becker bebeu na fonte instigante que mina de Power: A New Social Analysis, de Sir Bertrand Russel, onde ele expõe a teoria de que os acontecimentos sociais somente são plenamente explicáveis a partir da ideia de Poder.

Não algum Poder específico, como o Econômico, ou o Militar, ou mesmo o Político, mas o Poder com “P” maiúsculo, do qual todas os tipos são decorrentes, irredutíveis entre si, mas de igual importância para compreender a Sociedade.

A causa da existência do Poder, para Russel, seria a ânsia infinita de glória, inerente a todos os seres humanos.

Se o homem não ansiasse por glória, não buscaria o Poder. Infinita posto que o desejo humano não conhece limites. Essa ânsia de glória dificulta a cooperação social, já que cada um de nós anseia por impor, aos outros, como ela deveria ocorrer e nos torna relutantes em admitir limitações ao nosso poder individual.

Como isso não é possível, surgem a instabilidade e a violência.

Mas não somente.

No Estadista Platão alude, em tradução direta do grego arcaico por Sir Karl Popper para A Sociedade Aberta e Seus Inimigos a uma "Idade de Ouro, a era de Cronos, uma era em que o próprio Cronos rege o mundo e em que os homens nascem da terra, (...) seguida pela nossa própria era, a de Zeus, um período em que o mundo é abandonado pelos deuses e só conta com seus próprios recursos, sendo, consequentemente, um tempo de acrescida corrupção."

É de se recordar toda a obra de Talkien, principalmente o Silmallirion e sua cronologia do surgimento das raças que povoaram a Terra Média até que os homens a assumissem em definitivo, na Quarta Era.

Teria a leitura de Platão influenciado a obra do erudito autor de O Senhor dos Anéis?

 Arte: filosofia.com.br

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

CARIRI CANGAÇO EM SÃO JOSÉ DE BELMONTE - PROGRAMAÇÃO

IMPERDÍVEL! Em um lugar mágico, no qual a literatura, o misticismo, o cangaço e o coronelismo marcaram encontro por intermédio dos seus estudiosos, o Cariri Cangaço, mais uma vez, expõe a alma sertaneja nordestina brasileira para seus admiradores pelo Brasil e o mundo, sob a batuta de seu Curador Manoel Severo Barbosa.


PROGRAMAÇÃO CARIRI CANGAÇO
SÃO JOSÉ DE BELMONTE 2018


QUINTA-FEIRA, 11 de Outubro de 2018

19h – Noite Solene de Abertura 
Castelo Armorial
São José de Belmonte

19h10min - Apresentação do Grupo de Bacamarteiros
Associação dos Bacamarteiros de São José de Belmonte

19h20min – Formação da Mesa de Autoridades
19h30min – Hino Nacional


19h30min – Apresentação do Cariri Cangaço
Por Conselheiro
HONÓRIO DE MEDEIROS 
Natal-RN

19h45min - Fala das Autoridades

20h20min - Entrega de Diplomas a homenageados
ROMONILSON MARIANO 
KAYSON DE OLIVEIRA PIRES 
ROBÉRIO CARVALHO BEZERRA
JACKSON CARVALHO 
VALDIR JOSÉ NOGUEIRA MOURA
Por Conselheiros e Pesquisadores 
JOÃO DE SOUSA LIMA
ELANE MARQUES
RODRIGO HONORATO
WILTON SILVA

20h40min - Comenda ao Mestre Ariano Suassuna
"Personalidade Eterna do Sertão"
MANUEL DANTAS SUASSUNA
Por Conselheiros
IVANILDO SILVEIRA 
JULIANA PEREIRA

20h45min - Comenda ao Castelo Armorial
"Equipamento Imprescindível à Memória e Cultura do Sertão" 
CLÉCIO NOVAES
Por Conselheiros
WESCLEY RODRIGUES
CRISTINA COUTO

20h50min - A Força e a Tradição de São José de Belmonte
VALDIR JOSÉ NOGUEIRA MOURA

21h20min - O Legado do Cariri Cangaço
MANOEL SEVERO BARBOSA

21h45min - Coquetel de Encerramento
Castelo Armorial

SEXTA-FEIRA
Dia 12 de Outubro de 2018

8h30min - Saída para Visita Técnica

9h - Fazenda Cristóvão de Ioiô Maroto
São José de Belmonte

9h30min - Descerramento da Placa Comemorativa do
Marco da Fazenda Cristóvão

10h – Conferência: “A Trama da Invasão de Belmonte e a 
Morte de Gonzaga em outubro de 1922"
VALDIR JOSÉ NOGUEIRA MOURA

12h - Almoço 

14h - Visita Guiada e Comentada:
Centro Histórico de Belmonte
Rua Cel. Luiz Gonzaga Gomes Ferraz
Rua Soldado Heleno
Antiga Casa do Coronel Gonzaga Ferraz
COMISSÃO ORGANIZADORA LOCAL

15h30min - Adro da Matriz de São José
CORTEJO DA CAVALHADA DE ZECA MIRON

16h20min -Estádio Carvalhão
Apresentação da Cavalhada de Zeca Miron 

NOITE

19h45min - Castelo Armorial
São José de Belmonte

Mestre de Cerimônia 
ROSSI MAGNE

20h - Comenda à Cavalhada Zeca Miron
MESTRE RÉGIS 
Por Conselheiro e Pesquisador:
KYDELMIR DANTAS
ROBÉRIO SANTOS

20h10min - Comenda à Associação de Bacamarteiros
ERNESTO SÁVIO CARVALHO
Por Conselheiro e Pesquisador:
EDVALDO FEITOSA
DANIEL WALKER

20h15min - Comenda ao IHGP-Instituto Histórico e Geográfico do Pajeú

AUGUSTO MARTINS
Por Conselheiro e Pesquisador:
GERALDO FERRAZ
HEITOR FEITOSA MACEDO

Noite de Conferências

20h30min -A Saga Carvalho e Pereira
HELVÉCIO NEVES FEITOSA 
DÊNIS CARVALHO
LUIZ FERRAZ FILHO

21h30min -Sinhô Pereira e Luis Padre
SOUSA NETO
JORGE REMÍGIO

Mesa:
MANOEL SEVERO
VALDIR JOSÉ NOGUEIRA

SÁBADO
Dia 13 de Outubro de 2018

8h30min - Saída para Visita Técnica

9h30min - "Casa de Pedra" - Serra do Catolé
São José de Belmonte

10h30min - Conferência:“O Fogo de 1924 e Ferimento no Pé de Lampião pela Volante de Teophanes Ferraz"
CLÊNIO NOVAES

11h - Visita ao Sítio Histórico da "Pedra do Reino"
Entrada do Rei e da Rainha da Cavalgada 2018, 
sob salva de tiros dos Bacamarteiros e Cruzamento de Lanças.

11h20min - Conferência: "A Espetacular Ilumiara Pedra do Reino"
MANUEL DANTAS SUASSUNA

12h - Conferência: “No Reino Encantado da Pedra do Reino"
ERNANDO ALVES DE CARVALHO

13h - Almoço

13h30min - Homenagem e Diploma ao "Tempero do Reino"
Por Conselheira e Pesquisadora:
LILI CONCEIÇÃO
RÚBIA LÓSSIO

NOITE

19h45min - Castelo Armorial
São José de Belmonte 

19h30min - Apresentação
RITA PINHEIRO
A Garimpeira da Cultura

20h15min – Entrega de Diplomas a Homenageados
CARLOS SANTOS 
ELIANE GIOLO 
JORGE FIGUEIREDO
CÍCERO AGUIAR
LUCIANO COSTA
Por Conselheiros e Pesquisadores:
MANOEL SERAFIM
PROFESSOR PEREIRA
LUIZ RUBEN BONFIM
CARLOS ALBERTO SILVA

Noite de Conferências

20h30min -A Pedra do Reino na Literatura Nacional e Internacional
DÉBORA CAVALCANTES DE MOURA

21h10min -Vídeo e Debate
"Mentiras e Mistérios de Angico"
ADERBAL NOGUEIRA
Laser Vídeo
Mesa:
JOÃO DE SOUSA LIMA
JULIANA PEREIRA
NARCISO DIAS

DOMINGO

Dia 14 de Outubro de 2018

9h - Visita Guiada ao Castelo Armorial

10h - Confraternização de Encerramento
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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

CANGAÇO , CORONELISMO E FANATISMO SÃO MANIFESTAÇÕES DO PODER

Massilon: ele estava no ataque a Apodi e Mossoró em 1927

Honório de Medeiros
* Emails para honoriodemedeiros@gmail.com
* Respeitemos o direito autoral. Em conformidade com o artigo 22 dLEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências, pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou.

O coronelismo e o cangaço, assim como o fanatismo (misticismo) tão característicos de certo período histórico do Sertão nordestino brasileiro, são manifestações do fenômeno do Poder, de como ele é obtido, se instaura  e é mantido em qualquer circunstância.

A forma como o Poder se instaura diz respeito a fatores circunstanciais, mas o conteúdo permanece o mesmo desde que o Homem surgiu na face da terra.

Exemplos que comprovam essa afirmação são quaisquer processos políticos que aconteceram ao longo da história, tais quais os descritos em farta literatura acerca de Atenas, Roma, a Inglaterra vitoriana, ou qualquer outro que seja.

A forma se modifica ao longo do tempo em decorrência do avanço tecnológico, por exemplo. Se antes o Homem combatia com arcos e flechas, hoje usa mísseis teleguiados.

Assim, o coronelismo, o cangaço e o fanatismo são "cases" do fenômeno do Poder próprios de uma determinada circunstância histórica. São semelhantes, em sua estrutura, ao feudalismo europeu e japonês.

As narrativas acerca do coronelismo, cangaço, e fanatismo devem ser estudadas levando-se em consideração o fator de "ocultamento" que é próprio da lógica de atuação dos que detêm o Poder.

Nesse sentido, escrever, omitir, manipular, direcionar os textos, tudo isso e mais, cumprem o papel de impor a lógica dos que podem impor sua percepção das coisas e dos fenômenos.

No Rio Grande do Norte, por exemplo, é difusa, porém persistente, a concepção de que os coronéis da política eram homens afastados da lide com o cangaço, bem como é persistente a concepção de que o cangaço, excetuando a invasão de Mossoró por Lampião, pouca relevância teve no Rio Grande do Norte.

São "esquecidos" José Brilhante, o Cabé; Jesuíno Brilhante; a invasão de Apodi por Massilon; a invasão de Mossoró por Lampião e Massilon; e a morte de Chico Pereira.

Não se estuda, como deveria ser estudado, a invasão de Apodi por Massilon e sua relação com a invasão de Mossoró por Lampião pouco mais de um mês depois. Bem como não se estuda a participação do coronelato da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte no evento.

E perdemos todos pois, na verdade, em essência, o que se deve estudar quando analisamos fatos históricos como esses, é o fenômeno do Poder, tão onipresente quanto a existência do Homem na face da terra.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

MARXISMO E DARWINISMO



* Honório de Medeiros

O marxismo pretende explicar quase tudo e explica quase nada; o darwinismo pretende explicar quase nada e explica quase tudo.

Arte em cincocentros.com

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

FILOSOFIA



* Honório de Medeiros

Quando leio alguns argumentos esgrimidos por certos pensadores que pontificam em nossa imensa aldeia global, me lembro de Camus em "O Homem Revoltado": "A filosofia pode servir para tudo, até mesmo para transformar assassinos em juízes".

Arte: filosofia.com.br

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

A CRÍTICA É O PRESSUPOSTO DO CONHECIMENTO



* Honório de Medeiros

Um dos maiores, senão o maior, mal do qual padece a Educação, é a crença – o termo correto é esse – no aprendizado por informação.

Por essa crença nosso cérebro seria como um recipiente vazio que deve ser preenchido com informações que nos forem fornecidas.

Popper denominou essa crença de “Teoria do Balde Vazio”, e ela depende, fundamentalmente, da suposição de que conhecemos por que observamos, o que nos conduz a um empirismo ingênuo, no qual a observação do que somos e do que nos cerca é possível graças ao raciocínio indutivo.

Este não é o espaço apropriado para analises acerca dessas teorias. Convém lembrar, de forma parafraseada, entretanto, um “blague” que Popper, em tom irônico, apresentou em uma de suas obras dedicadas à Teoria do Conhecimento: se solicitarmos a algumas pessoas que durante certo tempo cronometrado apenas observem, e, em seguida, nos digam o que aprenderam com essa observação, provavelmente todas elas indagarão: “em relação ao quê?”

Pois parece óbvio que somente é possível o conhecimento de algo a partir de um conhecimento pré-existente, o que situa a observação no seu devido lugar, qual seja o de comprovar, ou negar, nossas hipóteses teóricas.

Não por outra razão a informação (conhecimento) que não é precedida de um conhecimento criticado, que nos permita compreender aquilo acerca do qual que se está sendo informado, resulta em nada.

E, também, não por outra razão, lê-se sem que se compreenda, participa-se dos fatos enquanto manipulados, fala-se e escreve-se o que não tem sentido, concretizando a imagem fiel da alienação intelectual que descreve tão bem o mundo em que vivemos.

Para que se estabeleça o processo de aquisição do conhecimento é preciso que algo deflagre, em nós, a angústia criativa de sobreviver a uma realidade que não mais é apreendida como o era até então. Ocorre em situações críticas, deliberadamente, como ocorre independentes de nossa vontade. O senso comum diz isso de forma brilhante: “a necessidade é a mãe da invenção”.

Podemos, claro, gerar esse processo de conhecimento. Se formos estimulados a criticar (no sentido de buscar falhas, contradições, desarmonias) na informação que nos é fornecida, com certeza avançaremos. A crítica, portanto, é o pressuposto do conhecimento consciente. Não por outra razão Bachelard, o poeta/filósofo, afirmou: “O conhecimento é sempre a reforma de uma ilusão”.

E não por outra razão o pensador dinamarquês Soren Kiekergaard nos impelia a “duvidar de tudo”.

Muito mais recentemente Karl Popper propôs que o conhecimento novo – não apenas a filosofia – começasse sempre por problemas. Esses problemas surgiriam do contraste entre o conhecimento antigo, a expectativa de que regularidades, padrões, se mantivessem, inclusive em relação a nós mesmos, e a fragmentação dessas expectativas.

Ao nos depararmos com algo que esse conhecimento antigo não explicasse, haveria uma fragmentação nas nossas expectativas e surgiria, então, o problema a ser solucionado.

Observe-se que tal teoria pressupõe a existência do conhecimento inato adquirido geneticamente, no que é referendada pela teoria da seleção natural de Darwin.

A técnica mais banal para o exercício da crítica é o uso do contra-argumento (contraexemplo). Uma vez tendo recebido alguma informação, submetamo-la à crítica argumentando contra, na medida de nossas possibilidades. Ou seja, "dialetizemos" (no sentido de Bachelard e sua "Filosofia do Não") a informação.

Se a informação sobreviver à crítica, teremos avançado.

Nada teremos a perder, muito teremos a ganhar em utilizando tal técnica. Outra técnica simples é indagar, dialogar com a informação. Para tanto cabe usar o que nos ensina a técnica jornalística, indagando a nós mesmos e também respondendo: Quem? Quando? Como? Onde? O quê? Por quê?

Uma vez que o espírito da crítica pedagógica, a vigilância epistemológica que pode conduzir à ruptura epistemológica, à “reforma das ilusões”, se estabeleça como “Paidéia”, padrão cultural, ideal civilizatório, o avanço será inexorável.

Para que se tenha ideia de como não evoluímos ao longo desses anos, em discurso na solenidade de formatura de todas as turmas concluintes do ano de 1982, representando os alunos, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tive a oportunidade de dizer:

“Como entender, por exemplo, que no âmbito da Universidade, onde o sonho e a crítica deveriam caminhar de mãos dadas, permeando a efígie do futuro de esperança e conhecimento, nada mais se encontre do que o imediatismo, o pragmatismo solerte e a mera repetição anacrônica de informações? Como aceitar a inacreditável relação professor-aluno, completamente abstraída da consciência do saber, que conjuntamente com a preocupação de suscitar dialéticas, referendar críticas e debates livres, numa ontologia da ideia ensinada e na aplicação do racionalismo docente, constitui a preocupação básica de Gaston Bachelard, exposta em sua obra “Racionalismo Aplicado”, onde nos lembra: “De fato, numa educação de racionalismo aplicado, de racionalismo em ação de cultura, o mestre apresenta-se como negador de aparências, como freio a convicções rápidas. Ele deve tornar mediato o que a percepção proporciona imediatamente. De modo geral, ele deve entrosar o aluno na luta das ideias e dos fatos, fazendo-o observar bem a inadequação primitiva de ideia com o fato”.

Se na observação do problema limitamo-nos ao componente psicológico da relação professor-aluno, necessário se faz observar os próprios problemas estruturais em torno dos quais gravitam os específicos. Precisamos ir ao encontro do espírito mais geral que preside os fatos e as idéias no âmbito da Universidade. Fundamental é retornar à consciência crítica e política no sentido socrático-aristotélico, que é seu pressuposto maior. Fundamental é acreditar que quimera e contestação, a discussão, a livre manifestação de idéias - alicerce do conhecimento - caminham ou caminharão nos corredores da Universidade.”

Portanto precisamos ensinar a criticar, para que seja possível conhecer, afastando, de vez, essa perspectiva ideologicamente equivocada e intelectualmente ultrapassada de informar para formar.

* Arte em blog.ori.net.com

sábado, 18 de agosto de 2018

A ÁRVORE DO CONHECIMENTO



* Honório de Medeiros

O conhecimento pode ser imaginado como uma árvore cujo tronco repouse no chão ancestral onde o homem pré-histórico caçava, coletava e, graças à primitiva linguagem, bem como à incipiente capacidade cooperativa, se tornou uma espécie apta a sobreviver. Não é uma imagem precisa, tampouco absolutamente correta, mas cumpre seu propósito de ser assimilada.

Os problemas com os quais aqueles nossos antepassados se depararam e as soluções engendradas para ultrapassá-los formaram galhos, ramos, folhas, em ritmo cada vez maior e mais denso, em uma escala inimaginável. Cada folha, como se há de perceber, avança rumo ao infinito desconhecido por um rumo que sugere uma proporcionalidade inversa: quanto mais específico o conhecimento por ela simbolizada, mais ampla e profunda a vastidão a lhe servir de contraponto.

Se focarmos essa imagem em busca de nitidez podemos acompanhar, como parâmetro, o desenvolvimento da Matemática, desde os primitivos números naturais até o cálculo, hoje, de tensores hiperespaciais, essas projeções hipotético/geométricas interdimensionais. Podemos acompanhar, também, a evolução da linguagem como lembrada acima até a Babel dos tempos modernos, constituída de signos bem diferenciados – desde os sinais utilizados pelos surdos-mudos, passando pelo informatiquês e o idioma dos guetos, presídios, e subúrbios, até a lógica apofântica do sub-universo computacional.

Aliás, o mundo da informática é muito exemplificativo dessa teoria da árvore do conhecimento. No início, meados do século XX, um computador ocupava salas; hoje, os “chips” guardam quantidades colossais de informações. Que revolução não há de ser o surgimento do “chip” quântico!

A imagem da árvore do conhecimento é possível graças à Teoria da Evolução de Darwin. É, digamos, um corolário. Podemos perceber que o Conhecimento diferencia-se e se especializa na medida em que avança. Sabemos, hoje, quase tudo acerca de quase nada em cada “nicho” do conhecimento, embora tudo quanto descartado por não ter sobrevivido ao choque entre ideias forme uma contrapartida em negativo da realidade. Contrapartida que agrega: aquilo que descartamos não precisa ser outra vez cogitado.

Essa árvore é finita e limitada (conceitos distintos) no espaço e tempo conhecidos, mas infinita e ilimitada quanto as suas possibilidades de crescimento. O futuro, para onde ela avança, é construção do passado, e como cada estrada amplia a quantidade de lugares onde se há de chegar, cada problema resolvido no processo de aquisição do conhecimento implica na ampliação de universos de saber.

Ou seja, o tempo, cada vez mais, dá razão a Darwin. E não há limite para o Conhecimento.

Funciona dessa forma em termos macros, mas também funciona dessa forma em termos pessoais. Cada avanço nosso implica em ampliar o universo daquilo que não conhecemos. É um paradoxo: quanto mais sabemos, mais há a saber.

É, por fim, o voo do solitário para o infinito: “É como se cada um de nós, estando dentro de um ambiente fechado, uma clausura, criasse uma saída e a utilizasse. Lá, do outro lado da saída, lhe espera um outro ambiente, também fechado, só que maior, bem maior. Sua tarefa, assim, é sempre criar outra saída, sair, entrar em outro ambiente ainda maior, criar outra saída, sempre, em uma escala exponencial...”

Em termos pedagógicos, diria Bachelard: "todo conhecimento é sempre a reforma de uma ilusão."

terça-feira, 14 de agosto de 2018

DE SER OU NÃO SER ALIENADO

* Honório de Medeiros


"A verdade é filha da discussão, e não da simpatia" (Gaston Bachelard, "A Filosofia do Não").


Ausentar-se de si mesmo e viver a realidade do(s) outro(s), não a realidade das coisas ou dos fatos, posto que as coisas e os fatos são extensões nossas ou dos outros, são projeções de como os percebemos, na justa medida em que no limite último de cada coisa ou fato observado está uma ideia ordenadora, organizadora da realidade, e as ideias governam toda a realidade.

"No princípio era o Verbo" (João, 1). Tal ausência de si denominamos alienação.

Se de mim me ausento não percebo o Outro, apenas nossas sombras a se moverem na parede de uma caverna onde estamos prisioneiros, como na célebre alegoria de Platão em "A República".

Tudo, então, é aparência.

Não por outra razão o "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates. E conhecermo-nos a nós mesmo implica em dizer não à aparência, a duvidar daquela nossa sombra na caverna. Somente somos livres quando ousamos dizer não ao que nos aprisiona, nos acorrenta, nos impede de perceber a realidade como de fato ela é.

Ser ou não ser alienado, na verdade, é Conhecer ou não Conhecer, eis a questão, eis o caminho.

Tal qual nos acicata Bachelard: "o conhecimento é sempre a reforma de uma ilusão".