sábado, 27 de outubro de 2012

GOSTO MUITO DO FACEBOOK

radamesm.wordpress.com



 
Honório de Medeiros
 
                   Gosto muito do facebook. E do Google também. Aliás, pelo Google tenho certa reverência. Penso no Google como a biblioteca de Babel, descrita em um conto de Jorge Luis Borges no livro Ficções, de 1944. O conto, metafísico, diz-nos acerca de uma realidade constituida por uma biblioteca que abriga uma quantidade infinita de livros que são, cada um deles, uma possibilidade alternativa da existência.

                   Como não reverenciar um ambiente virtual que lhe apresenta, quando consultado, em tempo real, um erudito artigo acerca do “Código de Leicester”, um manuscrito de 36 páginas escrito por Leonardo da Vinci e comprado por Bil Gates por U$ 30,8 milhões?  

                   Entretanto não é acerca do Google que quero escrever. É acerca do “face” como nós o denominamos.

                   O “face” é uma imensa praça virtual. Não sei se fui a primeira pessoa a utilizar essa metáfora, mas é assim que a “batizei” desde o início. Uma praça como o Hyde Park em Londres, só que em ambiente virtual. Aliás, uma praça como qualquer outra deste mundo de meu Deus.

                   Nela é possível encontrar de tudo. E, usando novamente essa expressão virótica, em “tempo real”. Muita fofoca, muita coisa ruim, mas também, em contraposição, informações atualizadas, considerações críticas interessantes, rasgos de inteligência fulgurantes, muito humor, tomadas de posição acerca de assuntos candentes, e, talvez o que seja mais importante, a possibilidade de interagir com pessoas com as quais habitualmente você não encontra, mas por quem tem afeto.

                   Não é ele um fabuloso “nicho sociológico”?

Esses dias, por exemplo, houve um apagão no Nordeste. Perto da meia-noite. Eu estava acordado e fui cascavilhar nos sites e blogs de notícia em busca de informação. Nada. Fui, então, para o "face". Quando entrei fiquei logo sabendo que o apagão atingira todos os bairros de Natal, as cidades vizinhas, Recife, Mossoró, Sousa, na Paraíba, e até Manaus.

Depois comecei a me divertir com os comentários. Um deles, impagável, dizia que Dilma estava reunida com o ministério, em Brasília, à luz de velas, criando, para o Nordeste, o Programa “Minha Vela, Minha Vida” e o “Bolsa Lamparina”. Essa história, depois, me foi ratificada por uma querida amiga e ex-aluna.

Onde encontrarmos algo semelhante, ou seja, quase tudo em quase nada?

No "face" já vi e li pedido de sangue para transfusão e, em pouco tempo, o agradecimento. Vi e li oração, súplica, declaração de amor, de ódio, pedido e oferta de emprego, fotos belíssimas, outras muito ruins, flagrantes da vida real, diatribes, solidão, felicidade, narcisismo, analfabetismo, enfim, tudo quanto caracteriza o ser humano.

Parodiando Terêncio, tudo que é humano interessa ao “face”.

Por outro lado, não consigo aceitar as declarações que atribuem ao "face" um poder alienante sobrenatural. Compreendo que nessas críticas está presente a primitiva mania de antroformizar as coisas, de a elas atribuir o que somente a nós diz respeito, tais como os valores a partir dos quais julgamos o que nos cerca, a nós mesmos e aos outros. O mal está em nós, não nas coisas. O "face" é um instrumento como outro qualquer. Cabe a nós dar-lhe o destino apropriado.

E, me parece, para finalizar, que não há outra opção, no que diz respeito ao “google”, ao “face”, a esse mundo virtual que é o grande salto no futuro: render-se ou se render.
 
Ficar fora dessa “aldeia global” - fantástica premonição intelectual de Marshall MacLuhan -, em algum tempo será praticamente impossível: momentos atrás acompanhei, de perto, um senhor já idoso, frentista, lutando contra as dificuldades que lhe impunha o manuseio, na tela do computador, do programa de pagamento de cartões, em um posto de venda de gasolina.

Em certo sentido muito próprio, lutava ele pela sobrevivência em um mundo totalmente desconhecido seu quando era menino.

Bom, quanto aos que torcem o nariz para o “face”, ainda há tempo de correr atrás do prejuízo...

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O IDEALISMO RADICAL É A LOUCURA DA RAZÃO

ideiasparalelas.blogspot.com
 
O idealismo radical é a loucura da Razão: nele estamos à mercê de uma realidade que somente existe em nossa imaginação enquanto, talvez, o sonho de um semideus demiurgo, e, nele, sonhamos que sonhamos.

 
A realidade imaginária de Matrix, única e exclusiva criação em um sonho conduzido e coletivo, onde sonhamos que estamos vivos, é uma instigante analogia com o idealismo radical.
 
 
 O quê nos conduz à fonte dessa ousadia alegórica, qual seja a realidade imaginária criada por Maya, a deusa hindu, que nos faz crer que estamos vivos e conscientes quando, na realidade, nada mais fazemos que sonhar.
 
 
Estranho paralelo com o mito da caverna, de Platão, no qual aprendemos o quanto estamos distantes do real, imersos na contemplação de nossas próprias sombras.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ENQUANTO CANDIDATO A CONSELHEIRO TITULAR DA OAB/RN, PEÇO SEU VOTO


Creio, firmemente, que na atual conjuntura a candidatura de ALDO MEDEIROS para Presidente, e LÚCIA JALES para Vice, é o melhor para a OAB/Rn.

Por pensar assim, mesmo estando afastado, faz algum tempo, de disputas eleitorais, resolvi aceitar o honroso convite que me foi apresentado por Aldo Medeiros e Lúcia Jales para integrar a CHAPA 2 – OAB PRA FRENTE, na condição de candidato a Conselheiro Seccional Titular.

Ressalto minha crença e meu compromisso para com as propostas apresentadas pela CHAPA 2 – OAB PRA FRENTE, assim como minha satisfação em integrá-la, lado a lado com advogados íntegros, competentes e interessados em dar outra feição ao futuro desta Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil.

Tendo sido, em 1985, Vice-Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Rn; em 1991, fundador e Primeiro Presidente da Subsecção da OAB/Rn em Pau dos Ferros; e, em 1998, Presidente da Comissão de Estudos Constitucionais da OAB/Rn, o trabalho necessário para implementar as propostas da CHAPA 2 – OAB PRA FRENTE não me é estranho.

Assim sendo, me dirijo aos colegas advogados para pedir esse voto de confiança em mim, em Aldo Medeiros e Lúcia Jales, na CHAPA 2-OAB PRA FRENTE, nessa próxima eleição.

Muito obrigado,
Francisco Honório de Medeiros Filho
Candidato a Conselheiro Seccional Titular
CHAPA 2 – OAB PRA FRENTE

OS MISTÉRIOS DO ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: QUARTA E ÚLTIMA TEORIA, SEGUNDA PARTE


Honório de Medeiros 

Quarta teoria: o ataque a Mossoró resultou de um plano político (segunda parte) 

QUESTÕES SEM RESPOSTA (continuação) 

Décima-terceira: por qual razão aqueles que atenderam ao apelo do Prefeito em defesa de Mossoró eram, em sua grande maioria, da família Fernandes ou seus correligionários, como os Duarte, enquanto a oposição sumiu? 

Décima-quarta: por qual razão calaram-se o juiz e o promotor de Mossoró em relação ao ataque e à morte de Jararaca? Por qual razão o juiz da cidade não foi à reunião na casa de Rodolfo Fernandes, nem participou da defesa de Mossoró?  

Décima-quinta: por qual razão “Pinga-Fogo”, irmão de Massilon, este ligado aos Coronéis Quincas e Benedito Saldanha, estava sempre ao lado de Antônio Gurgel, irmão de Tylon Gurgel[1], e não dava a mesma atenção aos outros reféns[2]? Ordens de Massilon? Tylon Gurger era correligionário dos Saldanha e sogro de Décio Holanda[3].
 

 

Pinga-Fogo é o mais velho[4] 

Décima-sexta: o que o Tenente Laurentino de Morais foi fazer em Natal, na terça-feira, dia 16 de junho de 1927, três dias depois do ataque a Mossoró, de onde voltou na quarta-feira, 17, e esperou a quinta, 18, para, alta hora da noite, comandar o assassinato de Jararaca[5]. Teria ido receber ordens de seus superiores? 

Décima-sétima: por qual razão em 25 de junho de 1927 Sabino liberou “graciosamente” Antônio Gurgel do seqüestro e ainda lhe deu dinheiro para sua partida[6]?
 
 
Antônio Gurgel
 

Décima-oitava: por qual razão Massilon se despediu de Lampião na Fazenda “Letrado” e não procurou, em seguida, o Coronel Isaías Arruda ou Décio Holanda? 

Décima-nona: por qual razão o Coronel Rodolpho Fernandes publicou carta no jornal “Correio do Povo”, em 10 de julho de 1927, lamentando ter encontrado referências desairosas a sua pessoa e depreciação aos seus esforços pelas deliberações alusivas ao dia 13 de junho? 

Vigésima: por qual razão Jararaca pediu a um policial, na tarde que antecedeu sua morte, para falar em particular com o Coronel Rodolpho Fernandes? O que Jararaca queria conversar em particular com o Coronel? Porque ele foi assassinado na noite seguinte ao pedido? Há alguma relação entre um fato e outro[7]? 

Vigésima-primeira: por qual razão os executores de Jararaca não foram processados durante o Governo José Augusto e Juvenal Lamartine? 

Façamos um intervalo e nos dediquemos a analisar o episódio da morte de Jararaca, que é bastante revelador. 

Sérgio Dantas[8] nos conta, acerca do episódio, o seguinte: 

(...) no mesmo dia em que fora preso, Jararaca concedera bombástica entrevista ao jornalista Lauro da Escóssia, do noticiário “O Mossoroense”. Não mediu palavras.

 Mais a frente, continua o historiador: 

 Jararaca pisou em terreno minado. Logo percebeu que tornara pública parte de uma teia intocável. Suas incisivas declarações puseram em dúvida a probidade moral de destacados chefes políticos de estados vizinhos. A repercussão das declarações, claro, fora inevitável. Decerto, o bandido temeu pela própria vida. Pressentira algum perigo. Chamou um militar, ainda cedo da tarde. Expressou-lhe o desejo de falar em particular com o Intendente Rodolpho Fernandes. O pedido, no entanto, lhe foi negado sem maiores explicações. A caserna tinha outros planos para o cangaceiro. À surdina, ensaiou conspiração. Tramaram abjeto extermínio e apostaram no sigilo. Sem mais demora executou-se o plano. 

Em tudo e por tudo está certo Sérgio Dantas. 

Somente errou ao afirmar que as declarações de Jararaca puseram em dúvida a probidade moral de chefes políticos de estados vizinhos, e por essa razão temeu pela própria vida. 

Não colocou em dúvida a probidade moral de ninguém fora dos limites de Mossoró ou circunvizinhança, ou, se colocou, por certo sabia que esses chefes políticos tinham amigos poderosos em Mossoró e vizinhança. Colocou sim, provavelmente, em dúvida, a probidade moral de alguns próceres que estavam próximo, bem próximo a ele e aos fatos. 

Como seria possível as declarações de Jararaca chegarem ao Ceará, se a alusão é ao Coronel Isaías Arruda, com a rapidez necessária para que Jararaca, ao perceber que falara demais, ficasse com medo de morrer? Naquele tempo não havia telefone. Havia telégrafo. Quem, no entanto, enviaria informações comprometedoras pelo telégrafo e, através dele, discutiria um plano para a eliminação do cangaceiro que envolvesse a Polícia, comandada pelo Tenente Laurentino de Morais e o Governo do Estado do Rio Grande do Norte?
 
 
Tenente Laurentino de Moraes
 

Também não seria possível enviar, a cavalo ou de automóvel, notícias alusivas à entrevista de Jararaca para os estados vizinhos, em tempo suficiente – cinco dias - para que houvesse uma decisão acerca de sua eliminação pela Polícia do Rio Grande do Norte. 

Não. O que Jararaca disse e o que queria dizer ainda mais ao Coronel Rodolpho Fernandes provavelmente incomodou alguém ou alguns que estavam por perto, perto o suficiente para querer, planejar e mandar mata-lo. Somente esta hipótese faz sentido em relação ao contexto que vem sendo montado a partir das indagações anteriores. 

Finaliza o pesquisador Sérgio Dantas: 

Jararaca sucumbira. Morreu porque sabia demasiado. 

A seguir: 

Findou o terrível salteador nas primeiras horas da manhã. Sua morte, entretanto, já havia sido decretada há dias. O laudo do exame cadavérico, por exemplo, fora assinado ainda na tarde do dia dezoito. E assim foi. Horas antes da execução e sob escuso pretexto de rotina, examinavam-se ferimentos de um corpo, sofridos durante uma batalha. Logo depois se chancelava, com base em conclusões médico-legais, documento de óbito de homem ainda vivo. 

Vigésima-segunda: por qual razão as forças policiais sediadas em Mossoró obedeciam ao comando do oficial Abdon Nunes, e, não, ao Tenente Laurentino de Morais[9]? 

Vigésima-terceira: por qual razão o laudo cadavérico de Jararaca foi assinado na tarde do dia 18 de junho, antes de sua morte[10]? De onde partiu a ordem para sua morte? Por qual razão o Juiz Eufrázio Mário de Oliveira não determinou que fosse aberto um processo-crime pela morte de Jararaca? Por qual razão o Promotor de Justiça Abel Coelho não apresentou Denúncia[11] quanto ao crime?
 
Continua... 

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PARA ENTENDER O QUÊ SE EXPÕE AQUI, É CONVENIENTE LER OS TEXTOS ANTERIORES POSTADOS EM www.honoriodemedeiros.blogspot.com PROCURE Cangaço, DENTRE OS Marcadores, E LEIA TUDO QUANTO FOI ESCRITO ACERCA DO TEMA.


[1] Tilon Gurgel do Amaral era irmão do memorialista, agropecuarista e pecuarista Antônio Gurgel, autor das célebres memórias do cativeiro ao qual o submeteu Lampião quando atacou Mossoró. “Nasceu no sítio Brejo, antes pertencente a Apodi, hoje município de Felipe Guerra, a 7 de janeiro de 1881. Faleceu em 22 de junho de 1968, sendo sepultado no dia seguinte em Felipe Guerra, cidade do seu nascimento” (“NAS GARRAS DE LAMPIÃO”; GURGEL, Antônio; BRITO, Raimundo Soares de; Coleção Mossoroense; Série “C”; v. 1.513; 2ª edição; Mossoró).
 
[2] Conforme comentário do próprio Antônio Gurgel em seu famoso diário do fato (ver “NAS GARRAS DE LAMPIÃO”; GURGEL, Antônio; BRITO, Raimundo Soares de; Coleção Mossoroense; Série “C”; v. 1.513; 2ª edição; Mossoró).
 
[3] Acerca de Décio Holanda, informa o escritor Marcos Pinto: “Prezado AMIGO HONÓRIO. Saúde e fraternidade. Estive conversando ontem com um filho de Tilon Gurgel por apelido caboclo, ocasião em que o interroguei acerca do lugar onde o cunhado dele DÉCIO HOLANDA residia quando faleceu.  Segundo o mesmo, o pai Tilon esteve visitando-o na cidade de Araguarí, na década de 40, em Minas Gerais, onde o Décio era próspero fazendeiro.  Afirmou o caboclo que o Décio está sepultado nesta cidade Araguari.  Sugiro que o amigo envide meios no sentido de conseguir uma segunda via do óbito do Décio, observando, todavia, que  o  mesmo  tinha  três  nomes:  DÉCIO  SEBASTIÃO DE  ALBUQUERQUE,  DÉCIO  HOLANDA  DE  ALBUQUERQUE  e  DÉCIO  ALBUQUERQUE DE   HOLANDA. Qualquer notícia inédita a enviarei pra Vosmincê. Afetuoso abraço, Marcos Pinto”.
 
[4] Quanto a essa fotografia, postada em meu livro “MASSILON” como sendo de Zé Leite, pai de Pinga-Fogo e de Massilon, recebi um e-mail do Professor e estudioso José Tavares de Araújo Neto, de Pombal, Paraíba, nos seguintes termos: “Prezado Professor Honório. Acuso o recebimento do livro, o qual ja entreguei nesta tarde ao Sr. Valdecir. Ele ficou radiante de alegria e pediu para eu retransmiti-lo os seus sinceros agradecimentos. Quanto à fotografia, ele disse que tinha 100% de certeza que Pinga Fogo é o senhor mais idoso que encontra-se a direita. Disse que a moça é filha de pinga fogo e chama-se Mista, mas não tem certeza se o senhor do centro é seu esposo ou irmão. Mas segundo Valdecir o certo é que Mista é sua prima, filha de seu tio Pinga Fogo. No Maranhão Pinga Fogo contituiu uma familia de 10 filhos, entre homens e mulheres. Valdecir disse que esta fotografia foi trazida do Maranhão  pelo seu tio Anezio e distribuida com os parentes mais proximos aqui na Paraiba e sua mãe ganhou uma dessa fotos! Sem mais para o momento, agradeço a atenção!”.
 
[5] Artigo de Lauro da Escócia, “Ataque de Lampião”, em “MOSSORÓ E O CANGAÇO”, SBEC, vol. V; Fundação Vingt-Un Rosado; Coleção Mossoroense; série “C”; volume 950; 1997; Mossoró, RN.
 
[6] Raimundo Nonato, “LAMPIÃO EM MOSSORÓ”.
 
[7] “MOSSORÓ E O CANGAÇO”, SBEC, vol. V; Fundação Vingt-Un Rosado; Coleção Mossoroense; série “C”; volume 950; 1997; Mossoró, RN.
 
[8] “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”.
 
[9] Em 9 de janeiro de 2012 recebi, como comentário a texto postado em meu blog www.honoriodemedeiros.blogspot.com, a seguinte contribuição do Coronel Ângelo Dantas, autor de “Cronologia da Polícia Militar do Rio Grande do Norte”: “Amigo Honório: Sobre mais esse excelente artigo seu, desejo fazer alguns comentários. Por enquanto farei apenas um: Em relação à observação de nº 14 - quem dava as ordens era Laurentino ou Abdon Nunes. Esclareço o seguinte: O delegado e comandante da fração de tropa em Mossoró (em junho de 1927) realmente era o SEGUNDO (2º) TENENTE Laurentino Ferreira de Morais. O PRIMEIRO (1º) TENENTE Abdon Nunes de Carvalho estava ali apenas como reforço - tinha ido de Angicos para lá. Em razão de uma das pilastras básicas da vida militar (HIERARQUIA), necessariamente o PRIMEIRO tenente Abdon Nunes passou a ter SUPERIORIDADE sobre o SEGUNDO tenente Laurentino. Salvo engano tinha um outro 2º tenente empenhado na mesma operação. Assim, realmente quando Abdon Nunes chegou a Mossoró ele assumiu o comando militar local, por força do imperativo hierarquico reinante. Mas de fato e de direito a autoridade de policia judiciária continuou sendo o 2º tenente Laurentino Ferreira de Morais (pai do tenente coronel médico Leide Morais - já falecido, e avô do capitão médico da reserva não remunerada Kleber de Melo Morais - atual diretor da maternidade Januário Cicco). Hoje em dia os postos dos oficiais da PM são representadas por estrelas nos uniformes. Naquele tempo de Lampião as insignias eram representadas pelo chamado "Laço Hungaro". Particularmente eu acho muito mais bonito o laço. Espero ter contribuído de alguma forma. Grande abraço. Angelo Mário.”
 
[10] Sérgio Dantas, “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”.
 
[11] Sérgio Dantas me lembrou, por e-mail, que Raimundo Soares de Brito lhe dissera ter Vingt-Un Rosado, filho de Jerônimo Rosado, lhe informardo que os processos-crimes alusivos a esses crimes queimaram em um incêndio no Cartório local.  Não encontrei qualquer informação a esse respeito em lugar algum. Um interrogatório realizado em Mossoró, com Bronzeado, a mando da justiça de Pau dos Ferros, aparece isolado, fazendo parte do processo-crime lá instaurado. Claro que se houve esse incêndio, e não há registro de tal, nada impediria que os autos fossem refeitos e os responsáveis julgados. 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

ROSTAND MEDEIROS LANÇA "EU NÃO SOU HERÓI"

O livro
 
 
O convite
 
“EU NÃO SOU HERÓI-A HISTÓRIA DE EMIL PETR”
 
Biografia resgata a história de um simpático norte-americano, veterano da II Guerra Mundial e a sua relação com a terra potiguar.
 
A trajetória de Emil Petr é uma das tantas histórias que, de tão ricas, fascinantes e extraordinárias, precisam ser contadas em livro, divididas com todos aqueles que não têm o privilégio de conhecê-lo ou de ouvir falar deste homem.
 
Descendente de Tchecoslovacos, católico, nasceu em uma pequena cidade do Meio Oeste dos Estados Unidos e foi testemunha da crise econômica de 1929. Durante a II Guerra Mundial saiu de seu rincão para ser navegador de um bombardeiro B-24 da Força Aérea Norte-americana. Antes de chegar a sua base no sul da Itália, esteve no Nordeste do Brasil, tendo um primeiro contato com a terra que um dia seria seu lar. Na Europa participou de inúmeras e perigosas ações de combate. Em setembro de 1944 seu avião foi derrubado, mas ele sobreviveu e tornou-se prisioneiro dos nazistas.
 
Após os episódios envolvendo a guerra retornou ao seu país natal, onde se tornou empresário do ramo da construção civil. Mas depois de todas as experiências como prisioneiro, desejou dar uma radical guinada na sua vida e se tornou voluntário da Igreja Católica junto a comunidades campesinas na América Latina. Isso acabou trazendo Emil Petr para o Rio Grande do Norte em 1963.
 
Aqui trabalhou junto a Dom Eugênio Sales no chamado Movimento de Natal. Logo conheceu a caicoense Célia Vale Xavier, com quem se casou e conheceu o sertão potiguar e sua gente.
 
Nestes quase cinquenta anos de convivência de Emil Petr com o Rio Grande do Norte, ele se integrou plenamente a nossa sociedade e onde vive até hoje, aos 94 anos.
 
Todos esses acontecimentos, com riqueza de detalhes são divididos conosco, em mais de 300 páginas e 250 fotos, pelo pesquisador Rostand Medeiros, que iniciou este trabalho em setembro de 2009, entrevistando longamente Emil, familiares, reunindo relatos e material para a enorme pesquisa que desencadearam na escrita de “Eu não sou herói – A história de Emil Petr”.
 
Os prefácios são da socióloga Safira Bezerra Amman e do publicitário João Daniel Vale de Araujo.
 
Maiores detalhes sobre este livro acesse http://tokdehistoria.wordpress.com/ 
 
Rostand Medeiros:
 
Autor das biografias “João Rufino, um visionário de fé” (2011) sobre o criador do grupo industrial Santa Clara e “Fernando Leitão de Moraes – Da serra dos canaviais à cidade do sol” (2012). Coautor do livro “A saga do voo de Ferrarim e Del Prete” (2009), trabalho apoiado pela Embaixada da Itália no Brasil, Força Aérea Brasileira e Universidade Potiguar. Fascinado pela história da Segunda Guerra Mundial, Rostand realizou uma ampla pesquisa e reuniu extenso material para trazer a nós este “Eu não sou herói”, um importante registro de uma interessante figura histórica.
 
Jovens Escribas / Bons Costumes
 
Este é mais um lançamento do “Bons Costumes”, selo da “Jovens Escribas” para livros produzidos por encomenda. A família Vale e o autor, Rostand Medeiros, confiaram a nobre tarefa de materializar o trabalho que já vinham realizando há vários anos. Trata-se do segundo lançamento com a marca “Bons Costumes” só neste mês de outubro. O primeiro será “Otto Guerra – Traços e reflexos de uma vida” de Zélia Maria Guerra Seabra, no próximo dia 25.
 
Lançamento de “Eu não sou herói – A história de Emil Petr” (Rostand Medeiros):
 
Local: Iate Clube de Natal
 
Data: 31 de outubro de 2012 (quarta-feira)
 
Hora: A partir das 19h
 
Informamos que a partir do dia 31 de outubro o livro estará a disposição do público nas livrarias......, pelo valor de R$ 50,00.
 
Contatos do autor:
 
Rostand Medeiros – rostandmedeiros@gmail.com
 
(84) 9904-3153 / 9140-6202

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

ADEUS, INFÂNCIA



Honório de Medeiros
 
Quando minha filha tinha sete anos, me comunicou gravemente que não acreditava mais em Papai Noel, coelhinho da Páscoa e na turma da Mônica.
- “Acreditar como?”, perguntei.
- “Que existem, papai.”
- “E agora?”, insisti.
- “Papai, é que já sou adulta.”
Fora-se o tempo em que ela, aos quatro anos, virou para mãe e lhe disse, enquanto olhava para a lua em quarto minguante:
                                               - “Mamãe, olhe a lua seca”!
                            Ou então, com a mesma idade:
                                          - “Mamãe, Papai Noel não desce pela chaminé?”

     - “É.” 

     - “E como ele vai entrar no apartamento para deixar meu presente, se aqui não tem chaminé?” 

Ponderei que Papai Noel, por exemplo, existiria enquanto nele acreditassem. Não adiantou.
- “Papai, se eu acreditar então ele existe p’ra mim?”
Fiquei olhando. E agora, me perguntei, como explicar que Papai Noel é mais ou menos igual ao amor, ou seja, existe enquanto nós acreditarmos?
Quando pela primeira vez ela nos disse que “talvez Papai Noel não existisse”, senti algo parecido com um desconforto um pouco dolorido. Sua infância estaria indo embora tão cedo? Essas crianças de hoje se tornavam, mesmo, adultas antes do tempo?
E imaginei, na época, que logo, logo, não estaria mais vendo seus braços gordos segurando o guidão da bicicleta, o cabelo espalhado pelo vento, a gargalhada espontânea, enquanto passava, ligeiro, por mim, no Bosque dos Namorados e logo seu vulto se perdia ao longe.
Aquela conversa franca e contínua, na qual todos os fatos do dia são narrados ao mesmo tempo em que passam por um processo de avaliação muito pessoal, como quando me comunicou que “eu fui atrás de Pedro Jorge, papai, e disse a ele que não estava mais paquerando com ele, e acho que está certo assim, papai, por que eu sou muito nova p’ra pensar nisso, não é”, seria substituída pelo recolhimento natural da adolescência.
Aí a história seria outra: nós, adultos, ficaríamos procurando palavras para nos comunicarmos, e encontraríamos impaciência e silêncio.
Depois, o mundo a levaria. E assim como com todos os outros, a nossa esperança passaria a ser a internet, o telefone, as visitas esporádicas. Viriam marido e filhos e a dimensão do sentimento que sentia por ela talvez não pudesse nunca mais ser expressa da forma como o fazia naqueles tempos, quando a tinha ao meu lado, na rede, me contando minuciosamente tudo quanto acontecera na escola e eu aproveitava para fazer cócegas no seu pescoço e assanhar seu cabelo, sob um protesto silenciado com promessas de me comportar que nunca eram cumpridas.

domingo, 21 de outubro de 2012

CURSO DE INTRODUÇÃO À FILOSOFIA DO DIREITO (I)


Pretendo, a partir de hoje, enquanto homenagem aos meus alunos de Filosofia do Direito, publicar, em poderedireito.blogspot.com

todos os domingos, um curso de Introdução à Filosofia do Direito em textos que se concatenam, do primeiro ao último, em uma sequência lógica. 

O primeiro texto será publicado em honoriodemedeiros.blogspot.com para encaminhar seus leitores ao blog acima citado. 

Críticas serão muito bem recebidas e devem ser enviadas para honoriodemedeiros@gmail.com

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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE FILOSOFIA DO DIREITO 

Veritas, filia temporis (Bernard de Chartres ? – 1124/1130)

Bernard de Chartres
 

I. NOSSO PONTO-DE-PARTIDA, NO ESTUDO DA FILOSOFIA DO DIREITO, É A NOÇÃO DE “CONHECIMENTO”.
 
                   Nosso ponto-de-partida, no estudo da Filosofia do Direito, é a noção de “Conhecimento”, posto que nosso propósito é “Conhecer” o Direito.
 
    Podemos afirmar, previamente: existir é Conhecer. Conhecemos para viver, ou mesmo sobreviver; a luta do homem contra a morte é a luta do Conhecimento contra a ignorância.
 
Nossa luta para Conhecermos começa quando somos concebidos e segue até desaparecermos. Em qualquer tempo ou espaço, consciente ou inconscientemente, estamos tentando Conhecer a nós mesmos, bem como ao que nos cerca e envolve, observando, questionando, tentando tudo explicar por intermédio de teorias.
 
O que resulta dessa tensão entre quem quer Conhecer (Sujeito Cognoscente) e aquilo ao qual se quer Conhecer (Objeto Cognoscível) é o Conhecimento.
 
                   Portanto, para haver Conhecimento é necessário: a) um Sujeito Cognoscente; b) um Objeto Cognoscível; c) uma interação entre o Sujeito Cognoscente e o Objeto Cognoscível.
 
                   Existem muitos meios pelos quais o Sujeito Cognoscente expressa o resultado de sua tentativa de conhecer e explicar[1] o que somos e o que nos cerca e envolve (Objeto Cognoscível):       por exemplo: a) a Mitologia; b) a Religião; c) o Senso comum; d) a Filosofia; e) a Ciência, dentre outros.
 
                   A Mitologia, a Religião, e o Senso Comum[2] não criticam seus próprios fundamentos, suas premissas iniciais[3]. Nisso se distinguem da Filosofia e da Ciência, para o qual essa crítica, que é fundamental, deve ser permanente.
 
                   Diz-nos André Lalande[4] que “Na linguagem filosófica contemporânea, o senso comum é o conjunto das opiniões geralmente admitidas, numa dada época e num dado meio, que as opiniões contrárias aparecem como aberrações individuais, inúteis de se refutar seriamente e de que mais vale nos rirmos, se forem ligeiras, ou que é necessário tratar, se se tornarem graves”.
 
                   Exemplo de opinião do senso comum é a seguinte afirmação: “todo povo tem o governo que merece”. Ora, se assim o fosse, em uma ditadura, estando o povo impossibilitado de mudá-la, teria, então, o governo que mereceria?
 
                   Por fim, não podemos confundir a busca do “Conhecimento” com o “Conhecimento” obtido, ou seja, o filosofar com a filosofia. Esta é um saber constituído; aquele é uma atitude.
 
 Do filosofar resulta a filosofia. 



[1] “Quando o que era objeto de crença aparece como algo contraditório ou problemático e por isso se transforma em indagação ou interrogação, estamos passando da atitude costumeira à atitude filosófica. Essa mudança de atitude indica algo bastante preciso: quem não se contenta com as crenças ou opiniões preestabelecidas, quem percebe contradições e incompatibilidades entre elas, quem procura compreender o que elas são e por que são problemáticas está exprimindo um desejo, o desejo de saber. E é exatamente isso o que, na origem, a palavra filosofia significa, pois, em grego, philosophía quer dizer ‘amor à sabedoria’” (“CONVITE À FILOSOFIA”; CHAUÍ, Marilena; Ática; São Paulo, São Paulo; 13ª edição; 2005; p.16). Conhecer é compreender; compreender é Conhecer.

[2] “A filosofia se diferencia do senso comum porque ela, enquanto história da filosofia, é um estudo profundo e estruturado da melhor tradição do próprio pensamento” (“FILOSOFIA DO DIREITO”; MASCARO, Alysson Leandro; Zahar; São Paulo, São Paulo; 1ª edição; 2010; p. 5).
[3] As premissas iniciais de seus argumentos são auto-evidentes - “Em geral, uma crença que se sustenta com uma certeza injustificada, sem que tenha sido colocada em questão” (“DICIONÁRIO OXFORD DE FILOSOFIA”; BLACKBURN, Simon; Jorge Zahar Editor; Rio de Janeiro, Rio de Janeiro; 1ª edição; 1997; p. 106). “A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos atitude crítica (“CONVITE À FILOSOFIA”; CHAUÍ, Marilena; Ática; São Paulo, São Paulo; 13ª edição; 2005; p. 18).
[4] “VOCABULÁRIO TÉCNICO E CRÍTICO DA FILOSOFIA”; Martins Fontes; 3ª edição; São Paulo; 1999; p. 998.