sábado, 19 de dezembro de 2009

WWW.CARIRICANGACO.BLOGSPOT.COM

Caros amigos,

Recomendo vivamente, a quem se interessa por cangaço, misticismo, coronelismo, história do Sertão, acessar o quanto antes www.cariricangaco.blogspot.com

É uma leitura imperdível, sob a curadoria de Manoel Severo.

Honório de Medeiros

BILHETE DE JÂNIO RÊGO

Capela-Escola do Bom Jesus. Tão acabadinha a igrejinha! A Petrobras bem que podia olhar por ela, ali tão pertinho... No caminho de Governador comprei duas lamparinas e meio litro de querosene. Em Deoclides, na várzea. Adonias, o genro, hoje é quem sucede o antigo comerciante das beiradas do Mossoró. Ano passado a família me mostrou o famoso jeep 62 de Deoclides. Conservado numa garagem, todo original. Uma relíquia. Em São Sebastião, no meio da semana, comprei uma melancia por 3 reais vendida em uma Rural Willys pintada de verde e branco. Estou de volta à internet. Sem surpresa vejo que “as meninas” dão conta do recado no Blog da Feira. Continuarei flanando pelo oeste potiguar. Daniel chega dia 26 em Natal e só retornarmos à Bahia em meados de janeiro. Mas, negar a vocês não posso: se a Feira precisar, volto ainda hoje!


Saudações tapuias.

Jânio Rêgo

ARTE



Walter Benjamin

"Querer instrumentalizar a arte a serviço dos objetivos imediatos dos movimentos políticos é uma tolice e um grave desrespeito à própria natureza da expressão estética" ("O Marxismo da Melancolia"; Walter Benjamin).

A POLÍTICA E A LENDA DE DIÓGENES, O CÍNICO


Diógenes, o cínico

Por Honório de Medeiros

"Aqueles que atravessaram
de olhos retos, para o outro reino da
morte
nos recordam - se o fazem - não como'
violentas
almas danadas, mas apenas
como os homens ocos
os homens empalhados."
"Os Homens Ocos"
THOMAS STEARN ELLIOT

Contaram me, certa vez, a lenda de Diógenes, O Cínico. Refiz, imprecisamente, na imaginação, a cena: ao ver ele uma criança dessedentar se na margem de um riacho, utilizando o côncavo da mão, se desfez de sua caneca e, a partir daquele momento, somente passou a ter, de seu, o manto que ocultava sua nudez e o tonel onde dormia. A caneca era desnecessária. Acreditava, assim, que em nada possuindo, seria um homem livre. E o era. Instado por Alexandre, O Grande, a dizer lhe aquilo que desejava, pediu que não fosse obstruída a passagem do sol com o qual se banhava.

Heróicos tempos, aqueles, nos quais homens como Empédocles afirmavam preferirem ser descobridores de uma só lei causal a governarem o mundo; assim era a Grécia, berço da civilização ocidental, aurora da democracia cuja essência repousa no conceito grego de "homem público".

Qual a ligação existente entre a ingênua concepção de mundo de Diógenes e esse homem público cujo perfil Péricles tão bem delineou em sua célebre "Oração aos Mortos de Maratona?" Entre outras uma antítese aparente: o estoicismo libertário privado "versus" esse mesmo sentimento, mas, agora, dentro de uma perspectiva social. Para Diógenes, o homem somente realizava se através do rompimento com os grilhões que a propriedade impõe; o homem público helênico era estóico na medida em que o "cidadão" era mais importante que o indivíduo. Ou seja, esse cidadão médio tinha a consciência do altruísmo social, e subordinava sua ambição pessoal ao projeto de concretizar o sonho da "Paidéia" ateniense.

Hoje, ao observarmos o cenário político no qual vivemos não podemos deixar de nos lastimar. Não se discutem idéias, propostas, teses. Os candidatos pouco ou nada fazem para ocultar a ambição pessoal que originam suas ações políticas e suas aparições públicas são de um ridículo atroz. Pior: as agressões pessoais, a lavagem de roupa suja em público atinge os eleitores e permitem a continuidade de um processo eleitoral que lembra, a todo instante, quão próximo estamos da barbárie...

São tais políticos os homens ocos aos quais se refere Elliot. Não têm, sequer, a compreensão de que sua ambição pessoal poderia ser saciada se ousassem ser diferentes cuidando de atender algumas das mais legítimas aspirações populares. Em ambientes políticos como o que vivemos, florescem as mais exóticas e nocivas plantas. Trata se, segundo os cientistas políticos herdeiros do liberalismo, do ônus da democracia. E, assim, por sermos democratas, somos obrigados a conviver com alpinistas sociais, corruptos, mentirosos, hipócritas, arrivistas, aventureiros, inescrupulosos, homicidas, e assim por diante.

O homem comum, por não entender a complexidade das forças que interagem e origina tal estado de coisas, passa a ansiar pela concretização de fantasias: alguém que lhe traga ordem, segurança, que restabeleça o "status quo" anterior, o passado mítico... Torna se, assim, presa fácil de místicos, tiranos, ilusionistas. Como aconteceu na eleição de Fernando Collor de Mello. Como pode acontecer caso Luis Inácio Lula da Silva esqueça a oportunidade que o destino lhe deu de passar à história como estadista, fazendo as reformas econômicas, políticas e sociais que o Brasil precisa, e enrodilhe se na teia de interesses escusos que a ambição de muitos, com certeza, está tecendo para nossa angústia.

E, em esquecendo, em se enrodilhando, amplie nosso sentimento de desencanto com a democracia. Afinal, não faz muito tempo que Jorge Luis Borges a chamou de mera "ficção estatística".

A ARTE DE CURAR, SEGUNDO MORENO


Leandro Cardoso Fernandes, de camisa branca, entre Aderbal Nogueira e Antônio Amaury

Por Leandro Cardoso Fernandes

No Cariri-Cangaço, realizado em setembro último, ante a iniciativa genial de Manoel Severo, tivemos uma oportunidade ímpar de perfilar os maiores pesquisadores e estudiosos do assunto, e pôr em debate idéias, controvérsias e pontos obscuros desse palpitante tema. Reuniram-se, na região metropolitana do Cariri, pessoas de todos os cantos do Brasil, e com as mais diversas afinidades com o assunto: seja através do cordel, da música, do cinema, da pesquisa, da mera curiosidade ou mesmo a partir de ancestrais ligados às lutas sertanejas, como foi o caso de Paulo Britto, filho de João Bezerra, Neli, filha de Moreno e Durvalina, além do neto de Antonio da Piçarra, o excelente historiador Vilsinho...

Numa das vezes que privei da companhia de Moreno, em sua casa em Belo Horizonte, tive a oportunidade ímpar de uma verdadeira “aula particular” sobre cangaço. Gostaria de compartilhar, nesta oportunidade, uma dessas lições que tive desse homem, que, bem longe de ser um coadjuvante, teve participação importante em vários episódios da historiografia do cangaço, como, por exemplo, a invasão de Piranhas.

Dona Durvinha havia me dito que fora picada por uma Jararaca, e que Seu Moreno é quem a havia curado, através de cuidados improvisados no meio do mato. Eu, como médico, fique muito curioso para saber o que o cangaceiro havia feito, naqueles ermos, para impedir que o veneno letal ceifasse a vida da companheira. Então perguntei:
- Seu Moreno é verdade que Dona Durvinha foi mordida por uma Jararaca?
- É sim, senhor! – Ele respondeu – Ela andou perto de morrer!
- Mas será se era mesmo uma Jararaca, seu Moreno, prá ela ter escapado? – Perguntei, provocando o velho cangaceiro.
Ele me olhou bem nos olhos e falou numa seriedade que me deixou desconcertado.
- Doutor Leandro, o senhor acha que eu não conheço uma Jararaca?
Apressei-me em desfazer a situação:
- Que é isso, seu Moreno? Eu sei que o senhor conhece muito bem. Mas diga-me: o que foi que ela sentiu?
- Ficou desmaiando, botou sangue pela venta, pelos ouvidos pelo local da mordida... – Ele disse.

Nesse momento, tive certeza tratar-se de mordida de Jararaca. Uma das propriedades do veneno botrópico é provocar distúrbios da coagulação sanguínea.
-E o que foi que o senhor fez? – Perguntei entusiasmado.
-Tinha chovido. A terra tava fria. Cavei um buraco no chão e enfiei a perna dela dentro e deixei lá.
-Mas para quê isso, Seu Moreno?
-Meu filho, a terra chupa o veneno. Você não sabia? Ela foi melhorando, melhorando e acabou ficando boa. Depois, na Bahia, paguei uma promessa em Bom Jesus da Lapa, que tinha feito, se ela escapasse...

Fiquei pensando naquela explicação, até perceber nitidamente o bom senso e a sabedoria de Moreno. Mesmo considerando a enorme probabilidade de a cobra ter mordido algum bicho ou um sapo antes de ter atacado Durvinha (e, dessa forma, ter-lhe inoculado pouco veneno), a terra molhada e fria faz com que haja constricção dos vasos no local da picada, diminuindo a absorção da peçonha. E quanto mais se cava, mais fria é a terra, diminuindo a circulação sanguínea e absorção. Isso dá a impressão ao cangaceiro de que é a terra que “chupa” o veneno. Há – é bom que se diga - controvérsias em relação a esse procedimento de restringir a circulação local após picada de animal peçonhento, sob pena da piora local, como necrose e graves sangramentos de extremidades. Mas o importante é que a aguçada inteligência do homem de cangaço funcionou, e somente com base do que tinha a sua disposição, salvou a vida da companheira. Esse rompante intuitivo acertado é o que muitas vezes fazia a diferença entre a vida e a morte na guerra da caatinga. O cangaceiro utilizava tudo aquilo que dispunha a seu redor com bastante perspicácia, para a resolução dos mais variados problemas. Seja ou não levado por superstições, o importante é que o resultado final obtido por Seu Moreno foi satisfatório...

Graças ao Cariri-Cangaço pudemos compartilhar estas e outras histórias, com o enorme prazer da companhia de descendentes dos personagens que participaram destes fatos intrigantes. Eles fizeram do sertão nordestino o palco de nossa história de lutas, que hoje é imensa riqueza artística e nossa verdadeira identidade cultural.
Grande abraço a todos!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

"CONFISSÕES DO IMPOSTOR FELIX KRULL"; THOMAS MANN



Thomas Mann

"Outra idéia fixa muitas vezes ocupava naquele tempo meu espírito e ainda hoje não perdeu seu encanto e significado: o que é mais útil - indagava a mim mesmo -, representar o mundo grande ou pequeno? E isso significava o seguinte: homens importantes, pensava eu, generais, estadistas, naturezas de conquistadores e líderes de todos os tipos, que se erguem muito acima dos outros, certamente são feitos de tal maneira que o mundo lhes parece pequeno como um tabuleiro de xadrez. De outro modo não teriam a impiedade e frieza para agir, audaciosos e imprevisíveis, segundo seus próprios planos, passando por cima da felicidade e dos sofrimentos individuais. Mas, por outro lado, uma concepção tão limitadora indubitavelmente pode fazer com que não se chegue a nada na vida; pois quem considera mundo e pessoas pouco ou nadaa, cedo terá consciência da sua insignificância, tendendo a cair na indiferença e na preguiça. Preferirá, com desdém, ignorar os espíritos alheios - além disso, sua insibilidade e alheamento chocarão os demais e ofenderão um mundo geralmente tão seguro de seu próprio valor, anulando inclusive a possibilidade de sucessos imprevistos. Então, perguntava-me eu, será mais aconselhável ver no mundo e nas pessoas algo de grande, magnífico e importante, do qual vale a pena tentar obter respeito e valor? É preciso considerar que essa visão por assim dizer aumentadora e respeitosa facilmente nos torna vítimas de automenosprezo e inibição, de modo que o mundo há de passar sorrindo por cima de um rapazinho ingênuo e servil, em busca de amantes mais viris. Mas, por outro lado ainda, essa atitude crédula e devota em relação ao mundo traz grandes vantagens. Pois quem confere grande importância às coisas e às pessoas não apenas as lisonjeará por isso, garantindo para si a gratidão delas, mas também dará ao seu pensamento e ao seu comportamento uma seriedade, uma paixão, uma responsabilidade que, na medida em que o tornam amável e importante, também lhe podem trazer os maiores sucessos e poderes."

ADVOGADOS EMINENTES



Somerset Maugham

"Produzira ela um ou dois advogados eminentes (se bem que advogados eminentes seja coisa comum) e um ou dois soldados de valor" ("Servidão Humana"; Somerset Maugham).

DONA EFIGÊNIA

Por Honório de Medeiros

Dona Efigênia pontificava naquela rua onde morei. Gorda, imensa, um pouco surda – talvez por puro cálculo – passava o dia sentada em uma cadeira de balanço na ampla sala de estar que dava para um jardim lateral e o portão de ferro batido, pintado de branco, a lhe separar do resto do mundo, em sua casa antiga, senhorial, de esquina. Sempre perfumada, penteada e bem vestida ficava o dia inteiro colada a uma mesinha redonda cheia de quinquilharias na qual reinavam, incontestes, o telefone e o rádio. “Prefiro o rádio”, disse-me ela uma vez quando lhe perguntei qual a razão do eterno silêncio da televisão. “As pessoas participam mais a vontade”.

Eu cumpria fielmente o ritual de visitá-la tantas vezes fosse a sua cidade. E tenho certeza que ela gostava de minhas visitas. Prova-o o doce de coco verde sempre disponível e do qual eu gostava imensamente. Acredito até saber a razão de sua simpatia para comigo: ao contrário da grande maioria dos que a procuravam, eu não estava interessado em fofocas, ou, melhor dizendo, meu interesse era secundário, existia apenas na justa medida em que ilustraria alguma opinião sua a respeito de fatos e pessoas, essa sim extremamente interessante por que revelava um agudo poder de observação e análise.

Por que Dona Efigênia, viúva, com pensão mais que razoável que o falecido lhe deixara, filhos dispersos pelo mundo, era uma renomada e rematada fofoqueira, na opinião de alguns. Talvez fofoqueira não fizesse jus ao que de fato ela era. Como uma aranha postada no centro de uma imensa teia ela recebia, analisava e devolvia informações ao longo do dia de uma imensa variedade de informantes: serviçais, comadres, afilhados, sobrinhos, primos, amigos, o carteiro – por quem tinha especial predileção, dado que vivia batendo perna pelos cantos – o leiteiro, as crianças da rua, os vizinhos, pessoas de outros lugares, o padre, o rádio e o telefone. Devo ter esquecido alguns, óbvio. Mas não esqueço sua sala de visitas quase sempre cheia e ela quase sempre em silêncio escutando até que, em determinado momento, chamava alguém para sentar em um banco baixo que ficava estrategicamente perto de sua cadeira de balanço e cochichava algo durante alguns minutos após os quais a conversava particular era dada por encerrada.

Quando a conheci supus que aquela sua atividade começasse e acabasse conforme comentavam os maledicentes. Diziam estes que tudo aquilo não passava de fofocas de viúva velha. Depois de algum tempo compreendi que ela mesma criara essa camuflagem. Era assim que queria que os outros lá fora a enxergassem! Essa camuflagem ocultava o verdadeiro propósito de sua atividade diária. Através da colheita de informações ela ficava sabendo o que de errado havia acontecido no seu entorno: alguma gravidez indesejada, uma demissão inesperada, uma prestação do colégio atrasada, uma virgindade perdida, um exame médico além do alcance de quem dele estava precisando, uma traição que se consumava, uma despensa desabastecida, uma violência doméstica cometida, um recém-nascido abandonado...

Então Dona Efigênia entrava em ação: chamava um, chamava outro, cobrava antigos favores, pedia novos, recebia dinheiro de quem lhe devia e repassava para quem estivesse precisando a perder de vista, dava carões, espalhava conselhos, apontava caminhos, indicava obstáculos, aproximava pessoas, afastava outras, mandava fazer, mandava desmanchar, realizando um metódico, complexo e minucioso bordado social.

Dona Efigênia, há muito, descansa em paz e, se existe Céu, nos braços do Senhor. Seu enterro foi algo inesquecível. Houve muitas flores, muitas lágrimas de saudade e gratidão. Dela ficou, em mim, a lembrança de alguém extremamente inteligente. De alguém extremamente bom, no antigo sentido do termo. Ao longo da vida me pego, de vez em quando, lembrando de alguma observação sua. Invariavelmente paro, componho em minha mente o quadro de sua presença naquela sala de estar hoje silenciosa, sentada na cadeira de balanço, pego no seu breviário que eu herdei, e me ponho a ler e é essa minha oração saudosa por ela.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

AS MULHERES SERRANAS


As serras

Ah, as mulheres da Serra, frescas, em flor, sem nada que as enfeite exceto a simplicidade. Elas vestidas de simplicidade. “Uma carne sadia, abundante e rosada”, como descreve Proust, em “No Caminho de Swann”. Nada artificial, nelas. Não há um jogo sequer nas suas atitudes para com os homens. Beber, comer, amar, é tudo tão natural! Swann “prefiria infinitamente à beleza de Odette a de uma pequena operária fresca e rechonchuda como uma rosa, de quem se enamorara...” Em contraposição o universo urbano recheado de mulheres excessivamente enfeitadas, com a mente tomada por negaceios e articulações, no afã infindável de seduzir: o óculos de sol, a roupa de grife, o olhar tecnicamente distante, o celular através do qual são armadas os lances do jogo. Por quem, no final, Vaumont se apaixona em “As Relações Perigosas”, de Chorderlos de Laclos, senão pela inteireza de sentimentos e ações, distante de qualquer dissimulação, da mulher que julgara tão fácil seduzir e descartar?




BILHETE DE ALUÍSIO LACERDA

"Amigo,

Que em 2010 sigamos todos o legado de Santo Agostinho, cuja tarefa diária era carga pesada:

'Corrigir os indisciplinados, confortar os pusilânimes, amparar os fracos, refutar os opositores, precaver-se dos maliciosos, instruir os ignorantes, estimular os negligentes, frear os provocadores, moderar os ambiciosos, encorajar os desanimados, pacificar os litigiosos, ajudar os necessitados, libertar os oprimidos, demonstrar aprovação aos bons, tolerar os maus e [ai de mim!] amar a todos'."

CAPITALISMO



Capitalismo

"Ou, se o leitor preferir alguém mais autorizado, recorro a Tooyo Gyothen, Presidente do Bancoi de Tóquio: 'o capital não se move pelo bem-estar, mas pelo lucro'. (...) Afinal, os 20% mais ricos do planeta ficam com 83% da renda, deixando os 20% mais pobres com apenas 1,5%" ("A Vida Não Vale Nada", artigo de Clóvis Rossi, Folha de São Paulo de 31 de janeiro de 1995).

E O SERVIDOR PÚBLICO NÃO SE SENTE ESTIMULADO A AVANÇAR!



Barnabé

Por Honório de Medeiros

Qual a razão da existência das gratificações no serviço público? Em tese, para recompensar um esforço eventual ou um trabalho específico do servidor. Normalmente, entretanto, é apenas politicagem imediata, benesse aos áulicos, apadrinhamento. Mas é, também, a concretização de uma estreiteza administrativa: como a estrutura do Estado não funciona apenas com os cargos em comissão, muito antes pelo contrário, vez que estes normalmente são ocupados por indicação política e os indicados são, na maioria das vezes, sem qualquer preparo técnico, o funcionamento do Poder Público sobra para servidores de carreira pessimamente remunerados e (re)compensados, para que continuem levando, nas costas, o ramerrão diário com o qual não se dá um passo no serviço público, através desse incentivo medíocre, transitório e desestimulador que é a gratificação.


Por essa razão não há avanço, a não ser espasmódico, no serviço público: os cargos em comissão não têm densidade técnica exceto, talvez, no topo e, mesmo assim, raramente, mas quando a têm, são reprimidos pela inveja ou incompetência; os servidores de carreira, esses abnegados, são resultado de uma equivocada e antiga ausência de política pública que não os valorizou financeiramente, tampouco quanto ao seu treinamento. Como ganham muito mal, não têm compromisso com a atividade que desempenham; como não têm perspectiva de mudança, não se estimulam a melhorar.

Com o desaparecimento gradual de antigos incentivos que tornavam interessante o ingresso no serviço público de carreira, tais como a incorporação das gratificações recebidas, a licença-prêmio e a aposentadoria igual à última remuneração percebida, com certeza os melhores técnicos irão se voltar para a iniciativa privada, sufocando sua vocação pública. E a sociedade perde.

Acresça-se, em relação a essa “política de desincentivo”, o tratamento cínico dado pelo Poder Público aos poucos que recebem gratificações por excelência técnica: pagam contribuição previdenciária incidente sobre a gratificação que não é levada para a aposentadoria. É desolador saber de casos de servidores públicos cuja remuneração é composta de salário mínimo + gratificação – esta, às vezes com valor três ou quatro vezes maior, pagam contribuição previdenciária sobre um e outro, mas, quando vão se aposentar, somente têm direito a receber o vencimento básico.


Caso não haja uma reversão nesse quadro, não teremos mais políticas públicas, exceto no papel, como é o gosto dos políticos de plantão, eternamente voltados para o imediato, o contingencial. Nichos de excelência técnica, como a Universidade de São Paulo, a EMBRAPA, a Receita Federal, parte da Polícia Federal, tenderão a estagnar e serem ultrapassados pelos fatos. É como querer ganhar qualquer campeonato com uma equipe de baixa qualidade técnica, mal paga e, acima de tudo, sem perspectiva de melhoria em longo prazo.




quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"É PRECISO DUVIDAR DE TUDO"; KIERKEGAARD



Soren Kierkegaard

Por Honório de Medeiros

“Na cidade de H... viveu há alguns anos um jovem estudante chamado Johannes Climacus, que não desejava, de modo algum, fazer-se notar no mundo, dado que, pelo contrário, sua única felicidade era viver retirado e em silêncio”.

Assim começa “Johannes Climacus”, ou “É preciso duvidar de tudo”, delicioso texto do escritor – meio esquecido – Soren Kierkegaard, nascido em 1813, e morto quarenta e dois anos depois, em 1855, um típico excêntrico pensador do século XIX.

O pequeno livro que tenho em mãos é da Martins Fontes, Coleção “Breves Encontros”, que vem publicando opúsculos de autores variados, como Schopenhauer, Cícero, Sêneca, Schelle, dentre outros menos conhecidos, como o Abade Dinouart e Tullia D’Aragona.

O prefácio e notas, cuidadoso no que diz respeito ao levantamento da história da produção do texto e a um leve perfil do autor, está assinado por Jacques Lafarge – me é desconhecido – e a tradução por Sílvia Saviano Sampaio professora da PUC/SP, doutora em filosofia pela USP com a tese “A subjetividade existencial em Kierkegaard”, e membro da AMPOF – Associação Nacional de Pós-graduandos em Filosofia.

“É preciso duvidar de tudo” é dividido em três partes: Introdução, Pars Prima e Pars Secunda. A parte primeira contém três capítulos e o primeiro é uma afirmação: “A filosofia moderna começa pela dúvida”. A segunda parte, contendo somente um capítulo, Kierkegaard lhe nomina interrogando: “O que é duvidar?”

A mim, particularmente, interessou a seguinte proposição: “a filosofia começa pela dúvida”, que é o Capítulo II, da Pars Prima. A conclusão de Kierkegaard, falando por intermédio de Clímacus é de que essa proposição situava-se fora da filosofia e era uma preparação a ela. De fato. No próprio texto Kierkegaard alude ao fato de os gregos ensinarem, aludindo a Platão, em Teeteto, que a filosofia começa com o espanto. Eu traduziria espanto por perplexidade, mas talvez haja diferenças sutis entre os dois termos, que não valem a pena serem esmiuçadas.

Muito mais recentemente Karl Popper propôs que o conhecimento novo – não apenas a filosofia – começasse por problemas. Esses problemas surgiriam do contraste entre o conhecimento antigo, a expectativa de que regularidades, padrões, se mantivessem, inclusive em relação a nós mesmos. Ao nos depararmos com algo que o nosso conhecimento antigo não explica, há uma fragmentação nas nossas expectativas e surge, então, o problema a ser solucionado. Observe-se que tal teoria pressupõe a existência do conhecimento inato adquirido geneticamente, no que é referendada pela teoria da seleção natural de Darwin.

Em certo sentido estão certos não somente os gregos, como Kiekergaard e Popper. Resta saber se, no início, há o espanto com a dúvida, ou a dúvida com o espanto.









ADVOGADO É ADVOGADO

Gentilmente cedida por Carla Christianne Magno

"O advogado estava chegando tarde a uma importante reunião no escritório e não encontrava estacionamento. Ele para o carro na fila dupla levanta as mãos ao céu, fecha os olhos e diz:

- Senhor, por favor, me arruma um estacionamento e te prometo que irei à Missa todos os domingos pelo resto da minha vida, deixo as putas, o álcool e o jogo.... Além disso, não transarei mais com minhas colegas do escritório nem com a minha secretária, que são casadas...

Nesse instante, milagrosamente, aparece um lugar para estacionar na porta do edifício. O sujeito estaciona e diz:

- Não se preocupe mais, Senhor, já achei uma vaga!"

ARTE



"A arte vai à fantasia para escapar à repressão, desenhando o seu mundo irreal" ("Marcuse", in "Teoria Política IV"; Pedro Demo).

COSTA PRECISA SER CANDIDATO!



O candidato

Por Honório de Medeiros

Costa está com os olhos fulgurantes de felicidade: brilham eles arregalados pela adrenalina que JR, perfidamente, faz o sistema orgânico injetar no seu sangue ao lhe falar, às vezes arrebatadamente, às vezes melifluamente, que o patamar da riqueza já foi alcançado, falta o do poder político, que lhe está naturalmente destinado por que ele foi, é, e será um vencedor, na justa medida em que construiu sua própria história. Agora o Estado todo precisa tomar conhecimento dessa trajetória e usufruir do seu talento. Costa titubeia e expõem algumas fracas objeções. Nada sério. Nem ele mesmo quer acreditar nessas objeções. As imagens de uma possível derrocada, um desastre, são dilaceradas por outras mais vibrantes, cheias de vida, nas quais o povo, alucinado, ergue as mãos em sua direção como se seu futuro dele dependesse, como uma cópia viva da estátua de péssimo gosto, aos moldes do realismo socialista stalinista cravada no centro de Mossoró, em frente à Matriz, de um seu filho morto tragicamente em um acidente aéreo, na qual o finado olha para o infinito enquanto, em um piso abaixo, o povão, com o semblante de quem está em algum dos infernos de Dante, olha para ele e clama por um lugar no Paraíso.

JR, jornalista, publicitário, é envolvente e conta com alianças táticas entre os presentes na mesa do shopping para desenvolver seu aliciamento ou diversão. Ou os dois. Alianças essas costuradas ao longo de uma convivência nascida nos patamares da Igreja que lhe viu crescer, cevada nos bancos escolares, curtida nas esquinas da vida. Costa é de outra geração e está só, é uma ilha cercada de malandros. As serpentes que o isolam e chamam sua atenção, em um jogo infernal cuja melhor expressão é a famosa tática do urso e do texugo, no qual um bate e o outro lambe a pancada, entendem-se com um olhar. Palavras entre elas, as serpentes, quase não são necessárias: a mesa está posta, o baralho é conhecido, as regras do jogo são as mesmas de sempre, o alvo está definido, falta apenas o abate, após o enredamento com a malha cuja tessitura é constituída da mais fina vaidade, esse defeito ou qualidade que satanás entregou aos astutos para fazerem cair os soberbos.

O processo segue seu curso normal: “quem”, pergunta JR, “dentre esse pessoal que está aí”, diz ele enquanto as mãos, através dos dedos indicadores, passeiam por um horizonte indefinido e circular, “possui um perfil igual ao seu? Quem pode bater com as mãos no peito e dizer: eu me fiz sozinho, sem parentes, sem compadres, sem golpes de sorte, sem políticos que me ajudassem; com todos lidei na arena dos negócios sem receber concessões; com todos travei a dura luta pela sobrevivência? Ninguém.” Estabelece-se um silêncio dramático e estratégico. JR prossegue: “e digam para mim, não é este o momento certo para uma ruptura dentro das regras?” Entenda-se o “ruptura dentro das regras”: Costa pode ficar tranqüilo que mesmo sendo a dele uma candidatura fora dos padrões aos quais os políticos locais aderem desde ontem e sempre, não haverá, da parte dele, intenção de ser hostil a quem quer que seja para não causar sobressaltos inadministráveis. “Perfeito” lembra um dos ofídios. “Certíssimo”, diz outro. Um, ainda, do grupo, serve de contraponto, para reforçar o enredamento: “mas para isso ele terá que gastar muito”. Costa se sobressalta. Como todos quantos se fizeram sozinhos, é muito seguro do paraíso que conquistou. “Ora, ora”, diz JR. “Que diabo de campanha será essa na qual o candidato gastará seu dinheiro? Negativo. Alguns, escolhidos a dedo, gastarão por ele.”

É a felicidade, vê-se nos olhos de Costa. E o ofidário se regojiza. O que mais se há de fazer em uma tarde modorrenta senão essa imensa onda? Esse imenso cerco e abate? Costa tem que ir embora. Assume compromissos vagos, aperta a mão de cada um, levanta a cabeça, despede-se e vai, a borboletear cumprimentos aqui e ali, enquanto na mesa recém-abandonada, a aposta geral é que o medo de dar um passo maior que a perna vai fazer o projeto durar tanto quanto o efeito da cerveja no sangue: quase nada.



terça-feira, 15 de dezembro de 2009

SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ: GENOCÍDIO ESQUECIDO!



Beato Zé Lourenço

"No CEARÁ, para quem não sabe, houve também um crime idêntico ao do “Araguaia”, contudo em piores proporções, foi o MASSACRE praticado por forças do Exército e da Polícia Militar do Ceará no ano de 1937, contra a comunidade de camponeses católicos do Sítio da Santa Cruz do Deserto ou Sítio Caldeirão, que tinha como líder religioso o beato JOSÉ LOURENÇO, seguidor do padre Cícero Romão Batista.
A ação criminosa deu-se inicialmente através de bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como feras enlouquecidas, como se ao mesmo tempo, fossem juízes e algozes.
Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará foi de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO / CRIME CONTRA A HUMANIDADE é considerado IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira bem como pelos Acordos e Convenções internacionais, e por isso a SOS - DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - Ceará, ajuizou no ano de 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo que sejam obrigados a informar a localização exata da COVA COLETIVA onde esconderam os corpos dos camponeses católicos assassinados na ação militar de 1937.
Vale lembrar que a Universidade Regional do Cariri – URCA, poderia utilizar sua tecnologia avançada e pessoal qualificado, para, através da Pró-Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa – PRPGP, do Grupo de Pesquisa Chapada do Araripe – GPCA e do Laboratório de Pesquisa Paleontológica – LPPU encontrar a cova coletiva, uma vez que pelas informações populares, ela estaria situada em algum lugar da MATA DOS CAVALOS, em cima da Serra do Araripe.
Frisa-se também que a Universidade Federal do Ceará – UFC, no início de 2009 enviou pessoal para auxiliar nas buscas dos restos dos corpos dos guerrilheiros mortos no ARAGUAIA, esquecendo-se de procurar na CHAPADA DO ARRARIPE, interior do Ceará, uma COVA COM 1000 camponeses.
Então qual seria a razão para que as autoridades não procurem a COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO? Seria descaso ou discriminação por serem “meros nordestinos católicos”?
Diante disto aproveitamos a oportunidade para pedir o apoio de todos os cidadãos de bem nessa luta, no sentido de divulgar o CRIME PERMANENTE praticado contra os habitantes do SÍTIO CALDEIRÃO, bem como, o direito das vítimas serem encontradas e enterradas com dignidade, para que não fiquem para sempre esquecidas em alguma cova coletiva na CHAPADA DO ARARIPE.
Para que as vítimas ou descendentes do massacre sejam beneficiadas pela ação, elas devem entrar em contato com a SOS DIREITOS HUMANOS para fornecerem por escrito e em vídeo seus depoimentos sobre o período em que participaram da comunidade do Caldeirão, sobre como escaparam da ação militar, e outros dados e informações relevantes sobre o evento."
Dr. OTONIEL AJALA DOURADO
OAB/CE 9288 – (85) 8613.1197 – (85) 8719.8794
Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS

CARGO PÚBLICO



Scott Turow

"Ou se tem prominência profissional ou ligações políticas. Não se pode simplesmente chegar e sentar" ("Acima de Qualquer Suspeita"; Scott Turow).

ISAIAS ARRUDA, CORONEL CARIRIENSE, DÉCADA DE 20


Gentileza de Célia Magalhães

Coronel Isaias Arruda, junto com Massilon Leite, planejou o ataque a Mossoró do bando de Lampião, em 1927

MISSÃO VELHA: O TEMPO PASSADO E O TEMPO PRESENTE


Missão Velha, Ceará, Sertão profundo

Por Honório de Medeiros

A memória de Isaías Arruda insiste em vencer o tempo e a apatia geral do brasileiro com sua história, e aos poucos se transforma em mito na cidade que tomou pelas armas e onde exerceu seu poder de senhor feudal até a morte viesse buscá-lo da mesma forma como viveu: violentamente. Continuo relatando para Antônio Gomes o resultado da viagem ao Cariri. “Estamos em Missão Velha”, continuo. “Enquanto vagávamos no entorno da pequena praça principal fomos abordados e depois apadrinhados por Esly Almeida Melo, da velha aristocracia rural caririense e sua tradicional atenção sertaneja. Seu Esly, aposentado, filhos criados e no mundo, descia ou subia – depende do referencial – a pé, limpo, perfumado, barba feira, cabelos na brilhantina, bem vestido, em busca da Matriz para ‘puxar um terço’. Simpático, conversador, piadista, tornou-se nosso cicerone e historiador informal e foi o maior responsável pela obtenção, quase milagrosa, através das mãos da professora e escritora Célia Magalhães, de uma fotografia dos anos 20 onde Isaías Arruda, ao lado de vários outros, todos de paletó claro, diferencia-se pela altura, a trigueirice e o porte altivo. Ali estava aquele que foi, juntamente com Massilon Leite, o responsável pela invasão de Mossoró por Lampião.

Célia Magalhães é bem jovem, foi Secretária de Educação de Missão Velha e escreveu acerca dos ex-prefeitos da cidade. Ela e seu Esly levam-nos até a senhorial residência de Luís Jucá Arraes Maia, primo de ex-governador de Pernambuco já falecido, Miguel Arraes. Luis Maia é considerado o “intelectual” de Missão Velha. Já quase não fala e anda em decorrência de uma trombose. Mostra-nos sua coleção de selos e moedas antigas avaliada, por baixo, em mais de seiscentos mil reais. Já foi procurado por colecionadores do mundo inteiro. Enquanto ele se comunica precariamente com o Professor Pereira, que nos acompanha desde Cajazeiras, tento invadir com o olhar curioso os segredos daquela casa mais que centenária, ilhada por construções muito antigas – sobrados geminados com janelas avarandadas que se abrem afastando-se cada banda para um lado, e separadas da rua por uma grade de proteção de ferro batido ornamentada com flores-de-lis estilizadas. Não consigo. O sertanejo abre todas as portas de sua casa aos estranhos bem recomendados, mas conservam fechados, a sete chaves, as portas de sua intimidade. Mesmo assim posso compreender até fisicamente a dor da castelã quando me fala que há mais de quarenta anos está desterrada ali, em Missão Velha, longe da família, dos filhos, do bulício da cidade grande, do mar, de tudo quanto ama, pois há o dever de ir, até o fim, no compromisso que assumiu ao pé do altar. ‘A pior fase’, disse-me ela, ‘foram os três anos que passei enterrada no sítio.’ Como não ser capaz de compreender essa sensação que acomete aqueles que condenados ao ritmo lento da cidade pequena – cinza vida cinza – anseia pela febril velocidade da cidade grande?

O verde do Cariri, um verde que se destaca pelo imenso contraste com o semi-árido dos carrascais, poeira, sol-a-pino, grotões que havíamos deixado um pouco antes... A mansão feudal de Isaías Arruda, na qual há, inclusive, sala-de-armas e passagem subterrânea. A estação de trem, palco de tantos episódios históricos. Em uma delas, similar, em Aurora, Isaías tombou ferido de morte após levar, sem reagir, vários tiros desfechados por inimigos políticos seus. O prédio da Prefeitura por ele construída. A misteriosa história acontecida na casa onde hoje funciona a Secretaria de Educação. Os escombros de um passado já longínquo, mas presente, ainda recendendo a pólvora, sangue, baraço e cutelo da aristocracia rural sertaneja firmada em um ancestral código de honra. Os ‘cabras’, os jagunços, os cangaceiros. A Igreja legitimadora e terrena, profana, com seus representantes abençoadores de bastardos e assassinos, semeadores de filhos e ilusões, testemunha engajada da vilania com a qual o povo, deserdado de clima, de poder, de bondade, carrega consigo, como última esperança, o paraíso que lhe foi prometido e do qual não se sabe se realmente vai ser entregue.”

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DEFESA DE TESE NA UFRN

O Professor Lemuel Rodrigues da Silva defende, dia 18 próximo, às 14:00 horas, no Auditório de Ciências Sociais, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sua tese ao doutoramento.

O título é: “O DISCURSO RELIGIOSO NO PROCESSO MIGRATÓRIO PARA O CALDEIRÃO DO BEATO JOSÉ LOURENÇO”.

A banca examinadora será presidida pelo Professor Orivaldo Pimentel Lopes Jr., da UFRN, e integrada por professores da própria UFRN, Universidade Federal de Pernambuco e URCA.


AMOR E PAIXÃO



Honoré de Balzac

"O amor e a paixão são dois diferentes estados d'alma, que os poetas e a gente mundana, os filósofos e os tolos confundem continuamente. O amor importa uma maturidade de sentimentos, uma certeza de gozos que coisa alguma pode alterar, uma troca muito constante de prazeres, uma completa e excessiva aderência que não exclui o ciúme. A posse é então um meio e não um fim; uma infidelidade faz sofrer, mas não separa; a alma não se vê nem mais nem menos ansiosa ou inquieta, sente-se invariavelmente feliz; o desejo, enfim, espalhado por um sopro divino de uma ponta a outra da imensidade do tempo, tinge-nos todo ele de uma só cor, a vida é azul como o céu puro" ("A Comédia Humana"; Honoré de Balzac).

PERGUNTEI A ADRIANO DE SOUSA



Adriano de Sousa, no meio.

Perguntei a Adriano de Sousa:

"Quais os três maiores escritores norteriograndenses (literatura) de todos os tempos?"

Adriano respondeu:

"Com prazer, Honório:

Jorge Fernandes, Alex Nascimento, Ferreira Itajubá.
Abraço, Adriano."

CLÁSSICO BALÉ



David Leite

Por David de Medeiros Leite

Para Alice

A bailarina faz plié
ao som de Chopin.

Rond de jambe a´ terre
Ao som de Schumann.

Battment fondu,
Ao som de Mozart.

Ritmados saltos e piruetas
sempre arrimada na arte delicada.

E quando ao público
reverência fazia,
uma emocionada
e quase imperceptível lágrima
suavemente tocou o verniz do tabaldo.

domingo, 13 de dezembro de 2009

O SUPREMO ATROPELA O DIREITO



Gilmar Mendes

O Supremo manteve a censura prévia ao Estadão.

Prevaleceu a “orientação” de Gilmar Mendes.

Que alegou serem invioláveis a honra e a intimidade do filho de José Sarney.

A honra e a intimidade individual não prevalecem contra o interesse público, Ministro!

Suspeita de lesão ao fisco, tráfico de influência, nepotismo, desvio de conduta ética são de interesse público, Ministro!

O povo tem o direito de saber! Está na Constituição!

Eventuais abusos são corrigidos pela legislação própria – penal e civil, Ministro!

E que não se fale em "decisão técnica". Acaso prevaleceu a técnica quando da concessão dos "Habeas" à Daniel Dantas?

Esqueceu ou atropelou, Ministro?

PAU DOS FERROS: UERN LANÇA EDITAL DE SELEÇÃO 2010 DO MESTRADO EM LETRAS

A Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da UERN (Universidade do Estado do Rio Grande do Norte) faz saber que, no período de 25 de janeiro a 12 de março de 2010, estarão abertas as inscrições ao Exame de Seleção para admissão ao Curso de Mestrado em Letras, cuja Área de Concentração é ESTUDOS DO DISCURSO E DO TEXTO.
São 28 vagas distribuídas em duas linhas de pesquisa:

(i) Discurso, memória e identidade; e

(ii) Texto, ensino e construção de sentidos.

Informações completas sobre a Seleção 2010 podem ser obtidas:

(i) no texto abaixo;

(ii) no Edital anexo;

(iii) no site www.uern.br/mestrado/letras ou

(iv) pelo telefone: (84) 3351.2560 ou 2275 - falar com Secretaria do Mestrado em Letras.

Endereço eletrônico para contato e esclarecimentos de dúvidas: letras.pferros@mestrado.uern.br

O Curso de Mestrado em Letras da UERN é reconhecido e recomendado pela CAPES e apresenta um corpo docente de alta qualidade, com doutores formados em instituições de diversas regiões do Brasil, com experiência em desenvolvimento de pesquisas e em formação de recursos humanos na própria UERN e fora dela. Esse corpo docene é hoje formado por 15 pesquisadores com experiência na aprovação de projetos de pesquisa em agências de fomento nacionais e locais. Vários deles são, também, Bolsistas de Produtividade em Pesquisa e atua em cooperação com pesquisadores e grupos de pesquisa estrangeiros.

Devido a sua área interdisciplinar de concentração, em ESTUDOS DO DISCURSO E DO TEXTO, o Curso de Mestrado em Letras tem despertado o interesse de profissionais de diferentes áreas do conhecimento: Linguística, Língua Portuguesa, Línguas Estrangeiras Modernas e Clássicas, Literatura Brasileira e Estrangeiras, Pedagogia, Comunicação Social, Artes, Jornalismo, Filosofia, Sociologia, Psicologia, Administração, Direito, História, Ciências Sociais, entre outras.

O grande encontro dessas áreas está exatamente no interesse pelo estudo dos discursos, pelas práticas discursivas inerentes à linguagem humana. Na descrição da própria área de concentração temos a abertura para esse encontro, o que é também um ponto forte desse Programa de Pós-Graduação: "Estudos sobre o discurso e o texto em diversas práticas discursivas, sob múltiplas abordagens teóricas, numa perspectiva interdisciplinar de construção do conhecimento na área da linguagem, em que os textos, como materialização dos discursos, possibilitam a investigação em diversos campos discursivos ".

Peço, portanto, ampla divulgação desse Edital de Seleção do Mestrado em Letras da UERN, para os interessados possam concorrer e freqüentar esse Curso.

Atenciosamente,

Prof. Gilton Sampaio de Souza

Diretor do CAMEAM/UERN

SÍNTESE DO EDITAL DE SELEÇÃO

A Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERN (PPGL) faz saber que, no período de 25 de janeiro a 12 de março de 2010, estarão abertas as inscrições ao Exame de Seleção para admissão ao Curso de Mestrado em Letras.

As inscrições serão feitas pelo interessado, pessoalmente ou por procuração, no horário de 8h às 12h e 14h às 17h, na secretaria do Programa, no campus Avançado “Profª. Maria Elisa de Albuquerque Maia”/UERN, Bairro Arizona, bR 405, Km 153, Pau dos Ferros/RN, CEP: 59900-000.

Serão aceitas inscrições pelo correio com remessa SEDEX e com data de postagem até 12 de março de 2010. Não serão aceitas inscrições em que estejam faltando documentos, quaisquer que sejam, dos listados no item II deste Edital.

I) DAS VAGAS

O PPGL oferece até 28 vagas para o Mestrado, distribuídas entre duas linhas de pesquisa:

a) Discurso, memória e identidade;

b)Texto, ensino e construção de sentidos.

II) DA INSCRIÇÃO

Serão aceitas inscrições, para o processo seletivo, de candidatos:

a) portadores de Diploma de Graduação em Letras, bacharelado ou licenciatura, obtido em instituições reconhecidas pelo MEC;

b) portadores de diploma de outros Cursos de nível superior, credenciados pelo Conselho Nacional de Educação, que, segundo avaliação do Colegiado, atendam aos objetivos do Curso;

c) portadores de diploma de graduação de instituições estrangeiras, que, segundo avaliação do Colegiado, atendam aos objetivos do Curso. A inscrição ao Exame de Seleção deverá ser feita em uma das linhas de pesquisa, de acordo com a orientação sobre os projetos nelas em desenvolvimento, divulgados na homepage (www.uern.br/mestrado/letras).

Para efetuar a inscrição, o candidato deverá apresentar os seguintes documentos:

a) comprovante de pagamento da taxa de R$ 80,00 (oitenta reais), depositado nominalmente, ou por transferência, na conta corrente UERN/MESTRADO EM LETRAS, nº 59.147-5, agência: 0036-1, do Banco do Brasil;

b) formulário de inscrição (disponível na homepage do PPGL);

c) 02 (duas) fotografias 3x4 recentes;

d) cópia autenticada do diploma de graduação plena ou, condicionalmente, documento que comprove ter concluído o curso de graduação antes do término do período de matrícula na Pós-graduação, de acordo com o calendário do PPGL;

e) cópia autenticada do histórico escolar;

f) cópia autenticada do RG;

g) cópia autenticada do CPF;

h) cópia autenticada do título de eleitor;

i) cópia autenticada da certidão de nascimento ou casamento;

j) cópia autenticada de documentos que provam estar em dia com obrigações militares, no caso de candidato brasileiro;

k) cópia autenticada de documentos que provam estar em dia com obrigações eleitorais, no caso de candidato brasileiro;

l) curriculum vitae (modelo plataforma lattes), com documentos comprobatórios;

m) 03 (três) vias impressas do projeto de dissertação, com linha de pesquisa definida.

III) DA PRÉ-SELEÇÃO

Caberá à Coordenação do PPGL a decisão sobre o deferimento dos pedidos de inscrição com base na análise da documentação apresentada e no atendimento a todos os itens descritos no item II.

O resultado dessa análise será divulgado na Secretaria e na homepage do Programa, de 13 a 19 de março de 2010. A documentação dos candidatos cujos pedidos de inscrição forem indeferidos, assim como a dos candidatos reprovados no exame de seleção, deverá ser requisitada dentro de no máximo 60 dias depois da divulgação do resultado final. Após este prazo será incinerada.

IV) DA SELEÇÃO

A seleção incluirá as seguintes etapas:

a) prova escrita específica eliminatória, elaborada de acordo com a bibliografia indicada (anexa ao edital) pelo Colegiado, para submeter-se às demais etapas do processo seletivo;

b) projeto de dissertação, com linha de pesquisa definida, de caráter eliminatório;

c) entrevista, de caráter eliminatório, em que o candidato será argüido sobre aspectos teóricos, conceituais e metodológicos do seu projeto de dissertação, levando-se em conta as instruções do Colegiado do Curso para a elaboração de projetos de dissertação;

d) análise do curriculum vitae (modelo plataforma lattes), de caráter classificatório.

V) DA AVALIAÇÃO

1. A Prova Escrita (valor de 100 pontos) avaliará: a) capacidade de argumentação, fundamentada teórica e/ou empiricamente, sobre questões propostas com base na bibliografia indicada em anexo (60 pontos); b) uso adequado de aspectos lingüístico-formais de expressão e de organização textual (40 pontos).

2. O Projeto de Dissertação (valor de 100 pontos) será examinado com base nos seguintes critérios: a) coerência interna do Projeto e sua adequação à linha escolhida (40 pontos) b) observância aos aspectos lingüístico-formais de expressão e de organização textual (20 pontos); c) conhecimento do suporte teórico adotado no projeto (30 pontos); d) viabilidade de realização no prazo de 02 (dois) anos (10 pontos).

3. A Entrevista (valor de 100 pontos) avaliará: a) capacidade de apresentar e justificar oralmente o projeto de pesquisa (30 pontos); b) capacidade de responder a questões específicas relacionadas ao tema do projeto de pesquisa (30 pontos); c) domínio da bibliografia indicada no projeto de pesquisa (20 pontos); d) afinidade com a área de concentração do Programa (Estudos do discurso e do texto) (10 pontos); e) disponibilidade e desejo do candidato para dedicar-se ao Curso de Mestrado (10 pontos); 4. A Análise do Curriculum Vitae (modelo plataforma lattes) (valor de 100 pontos) avaliará o candidato ao mestrado quanto à experiência profissional, com ênfase nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, na Educação Básica e Superior; à produção bibliográfica e técnica; e à participação em eventos científicos.

5. Proficiência em uma língua estrangeira, para candidatos brasileiros, e, em Língua Portuguesa, para candidatos estrangeiros, conforme Regimento do PPGL/UERN (disponível em www.uern.br/mestrado/letras). VI) DA APROVAÇÃO Serão admitidos ao Programa os candidatos que obtiverem média final igual ou superior a 70 (setenta) pontos em 100 (cem), no limite das vagas existentes, com média ponderada das duas provas referidas nos itens 1 e 3, sendo que a prova do item 1 terá peso 2 (dois) e a prova do item 3, peso 1,5 (um vírgula cinco). A essa média ponderada será acrescida a nota obtida pelo candidato no curriculum vitae (modelo plataforma lattes), resultando daí a média final. Os candidatos serão ordenados pela seqüência decrescente das médias apuradas.

A nota do projeto de dissertação terá validade somente para submissão do candidato à entrevista, não fazendo parte do cômputo final.

VII) DA CLASSIFICAÇÃO

A classificação, para a admissão ao Mestrado, é feita com base na média das notas obtidas na prova específica e na entrevista, considerando o número de vagas existentes na Linha de pesquisa na qual o candidato estiver inscrito. Para efeitos de desempate na classificação final, será considerada a seguinte ordem de precedência:

a) a prova escrita;

b) a entrevista; e

c) o projeto de pesquisa.

VIII) DA ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE SELEÇÃO

a) A(s) banca(s) examinadora(s) será (ão) constituída(s) por doutores do Programa, em número ímpar, com suplente(s), indicados pelo colegiado;

b) Na correção da prova específica, será preservado o anonimato do candidato perante a banca examinadora.

IX) DO CALENDÁRIO

a) PERÍODO DE INSCRIÇÃO: de 25 de janeiro a 12 de março de 2010;

b) HOMOLOGAÇÃO DA INSCRIÇÃO: de 13 a 19 de março de 2010;

c) PROVA ESCRITA: 30 de março de 2010;

d) RESULTADO DA PROVA ESCRITA: até 09 de abril de 2010,

e) RESULTADO DA ANÁLISE DOS PROJETOS: até 16 de abril de 2010

f) ENTREVISTA: de 19 a 23 de abril de 2010,

g) DIVULGAÇÃO DO RESULTADO FINAL: 27 de abril de 2010;

h) REGISTRO INICIAL DOS CANDIDATOS APROVADOS, COM PREENCHIMENTO DE FICHA CADASTRAL NA SECRETARIA DO PROGRAMA: 28 e 29 de abril de 2010;

i) MATRÍCULA DOS CANDIDATOS CADASTRADOS: 30 de abril e 04 de maio de 2010;

j) INÍCIO DAS AULAS: 10 de maio de 2010.

X) DA DURAÇÃO, DO LOCAL E HORÁRIO DAS PROVAS

A prova escrita terá duração de 04 (quatro) horas, no horário das 8h às 12h, no Campus Avançado “Profª. Maria Elisa de A. Maia”/UERN, em Pau dos Ferros/RN, em local(is) indicado(s) à entrada do prédio e na homepage do Programa.

XI) DA DIVULGAÇÃO

A divulgação dos resultados do Exame de Seleção, em todas as suas etapas, será feita pela fixação de listagem em ordem decrescente de classificação, na Secretaria do PPGL, na sede do Campus, em Pau dos Ferros/RN, e na homepage www.uern.br/mestrado/letras.

XII) DOS RECURSOS

O candidato que não concordar com o resultado terá 72h, a partir da divulgação, para recorrer dos resultados.

XIII) DA MATRÍCULA

A matrícula no curso deverá ser feita pelo interessado, pessoalmente ou por procuração, no período de 30 de Abril e 04 de maio de 2010, no horário de 8h às 12h e 13h30min às 16h, na Secretaria do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), do Campus Avançado “Profa. Maria Elisa de Albuquerque Maia”, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), localizado na BR 405, km 153, Bairro Arizona, Pau dos Ferros/RN, CEP: 59.900-000, mesmo endereço para a realização do curso, cujo início encontra-se previsto para o dia 10 de maio de 2010.

Pau dos Ferros, 19 de novembro de 2010.

Profª. Drª. Maria Edileuza da Costa

Coordenadora do PPGL/UERN

ANEXO DO EDITAL DE N°. 005/2009 – PPGL/UERN

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS I – Geral

1. BAKHTIN, M. (Volochínov). Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Tradução de Michel Lahud, Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec, 1995.

2. BAKHTIN, M. O discurso na poesia e o discurso no romance. In: Questões de literatura e de estética. Tradução de Aurora F. Bernadini et al. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

II – Específicos

Linha 1: Discurso, memória e identidade

1. CANDIDO, A. A literatura e a vida social. IN: Literatura e Sociedade: estudos de teoria e história literária. 7. ed. São Paulo: Companhia Editorial Nacional, 2008, p. 27-49.

2. ACHARD, P.. [et al]. Papel da memória. Tradução José Horta Nunes. Campinas: Pontes, 1999.

3. BAUMAN, Z.. Identidade. Tradução Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

Linha 2: Texto, ensino e construção de sentidos

1. AZEREDO, J. C. de. O texto: suas formas e seus usos. In: PAULIUKONIS, Maria Aparecida Lima; SANTOS, Leonor Werneck dos. Estratégias de leitura: texto ensino. Rio de Janeiro: Lucena, 2006.

2. BARBOSA, M. S. M. F. A heterogeneidade discursiva nas revistas de divulgação científica. In: LIMA-HERNANDEZ, M. C. et all. (Orgs.). A Língua Portuguesa no mundo. São Paulo: FFLCH-USP, 2008.

3. MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

4. FREITAS, A. C.; RODRIGUES, L. O.; SAMPAIO, M. L. P. (Orgs.). Linguagem, discurso e cultura: múltiplos objetos e abordagens. Mossoró: Queima-Bucha, 2008. (Segunda Parte – Cap. 01 e 04; Terceira Parte – Cap. 01, 03 e 04).

5. VIDAL, R. M. B. As construções com adverbiais em -mente: análise funcionalista e implicações para o ensino de língua materna. In: ARANHA, S. D. de G.; PEREIRA, T. M. A.; ALMEIDA, M. de L. L. (Orgs.). Gêneros e linguagens: diálogos abertos. João Pessoa: Editora da UFPB, 2009.

ROMANCE



Gore Vidal

"Uma década mais tarde, quando escrevi que o cinema tinha substituído o romance como forma central de arte de nossa civilização, fui criticado por ter dito que o romance estava morto, e me mandaram ler listas de fantásticos romances novos. É óbvio que o romance sério, ou o romance-arte, ou seja como for que quiserem chamar o romance-enquanto-literatura continuará sendo escrito; afinal de contas a poesia está florescendo sem o amparo do leitor comum. Mas é também um fato que dificilmente uma pessoa que não faça parte de uma instituição tenderá a dar atenção a qualquer desses artefatos literários (...)
Mas Fitzgerald percebeu que o romance estava sendo suplantado pelo cinema; também percebeu que o cinema, sob todos os pontos de vista, é inferior ao romance enquanto forma de arte - se é que uma atividade coletiva como o cinema pode ser considerada uma arte" ("De Fato e de Ficção"; Gore Vidal).

O JOGO DE XADREZ ENQUANTO METÁFORA DO DIREITO



Jogo de Xadrez

Por Honório de Medeiros

Suponhamos dois circunstantes que se disponham a jogar uma partida de xadrez.

Para iniciá-la, deverão estar previamente concordes quanto às regras a serem seguidas. Sabem que descumpri-las é fatal: haverá sanção (no jogo de damas, cartas, ou outro qualquer, as regras surgirão, também, através de acordo preliminar).

Uma vez iniciada a partida, ela desenvolver-se-á em dois planos: no primeiro, sob a égide de regras que disciplinam o jogo, e que são oriundas de fatores a ele externos, tais como as decisões da Federation Internationale Des Echecs (FIDE), entidade que congrega e ordena a atividade enxadrística em nível internacional, ou mesmo o regulamento do torneio do qual estão participando os contendores; no segundo, deverão (ou não) serem observadas, pelos contendores, regras (técnicas) imanentes à própria disputa, ao jogo-em-si, descobertas ao longo do tempo pelos estudiosos para que se obtenha a vitória almejada: noções estratégicas, táticas, questões atinentes às aberturas, defesas, e assim por diante.

Quanto ao segundo plano pode-se falar em duas realidades distintas: a estática e a dinâmica. A primeira diria respeito à estrutura que a configuração das peças, em determinado momento da partida, origina em termos de vantagem para um ou outro (algo como, numa batalha interrompida, a quantidade de soldados, tanques, armas das quais disporia cada exército); a segunda corresponderia à variáveis puramente abstratas e nos daria uma idéia acerca de quem, por exemplo, detém a iniciativa no jogo (comanda a ordem dos acontecimentos).

O observador cognoscente pode analisar esse objeto cognoscível (o jogo) de três formas diferentes: na primeira, enquanto não-participante, ao se perguntar acerca da história dessa disputa, as causas do seu surgimento, a psicologia dos participantes e, nesse caso, estará trabalhando enquanto historiador, psicólogo, ou sociólogo. Se o analisa enquanto metáfora da guerra, ou empreende a construção de uma teoria política utilizando a luta, o debate, o jogo como paralelos, desenvolve uma atitude filosófica.

A terceira forma impõe o raciocínio dedutivo e nos surpreende atuando enquanto participante do jogo, às voltas não somente com aquelas regras impostas de fora para dentro pela FIDE ou Direção do Torneio, mas, também, com as outras exigidas pela estratégia e táticas para a obtenção da vitória: aqui é-se um protagonista da cena enxadrística.

Assim também o é o Direito, do qual o Xadrez pode ser uma metáfora, atento a quanto ele o é da guerra em si.