segunda-feira, 31 de agosto de 2026

VIVEMOS EM UM "LOOP" INFINITO

 


Sísifo, por Tiziano (1576)


* Honório de Medeiros 

* honoriodemedeiros@gmail.com

* @honoriodemedeiros


Nesse imenso circo de horrores protagonizado pelas elites brasileiras, não há inocentes. Somente culpados. Raras, as exceções. 

Nosso passado é duvidoso, nosso presente, trágico, e o futuro, incerto. 

Se fôssemos uma construção, a base seria um equívoco, as paredes, um descalabro, e o acabamento, um show de absurdos.

Às vezes penso que o processo civilizatório é uma ilusão. 

Quando leio acerca da Grécia e Roma antigas, percebo nas peças teatrais, nos discursos que sobreviveram, na poesia de Hesíodo, por exemplo, esse mesmo “ambiente” no qual vivemos hoje. 

A decadência de Atenas, Roma, do Império Britânico, dos Estados Unidos, da Europa. O que muda é o avanço tecnológico. 

O homem e seus dilemas continuam os mesmos, com nomes diferentes. 

"Toda a história do homem não é senão rebelião contra sua condição original, esforço para obter mais que os frutos postos ao alcançe de sua mão. A 'razia' é uma forma grosseira dessa rebelião e desse esforço. É, talvez, o mesmo instinto que inicialmente engendra a guerra e que pratica hoje a exploração econômica do globo. Em todo caso, parece claro que os mesmos povos que se destacaram pelo espírito de conquista são os principais autores da civilização material", disse-o Bertrand de Jouvenel no clássico "O Poder: história natural do seu crescimento".

É a história daqueles que dizem "Não" à humanidade. Daqueles que caminham pelo lado escuro do caminho.

Vivemos, pois, em um ‘loop” infinito. 

É como uma maldição, a de Sísifo.

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