* Honório de Medeiros.
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* @honoriodemedeiros
No rumo do remanso na beira da Serra das Almas, para visitar Antônio Gomes, passei por Martins para dois dedos de prosa com Seu Antônio de Luzia, que Deus o mantenha tal qual está.
Cheguei, saldei, puxei a cadeira de balanço, dei atenção a passarinhada, admirei os cajueiros em flor.
Depois do gole no café quentinho, feito na hora, e da rapadura, perguntei como iam as coisas, e ele, naquela voz arrastada e grave, me respondeu que "do mesmo jeito, só que mais velhas".
Era um final de tarde meio quente, no Sítio Canto. Só vez por outra alguém passava e arriscava um dedo de prosa. A estrada de barro nos protegia do calor o quanto podia. Verde de um lado, do outro, tudo nos embalava em uma calmaria que Seu Antônio demorava a perturbar.
E nós dois, como outras vezes, café tomado, calados, cabeça pousada por inteiro no espaldar das cadeiras de balanço, nos entregávamos à quietude e ao canto dos passarinhos.
Lá pelas tantas uma vizinha distante encostou. Deu boa tarde e se danou a falar, sem esperar um retorno.
Comçou a contar o caso de uma sobrinha solteirona que embuchara pelas bandas dos Cariris Velhos, numa noite de São João regada a neblina, fogueiras, sanfonas e cachaça.
Falou, falou, falou tanto que espantou os sabiás que cantavam nos cajueiros do terreno em frente.
Finalmente se foi, depois de perguntar por meio mundo de gente. Tentou cascavilhar minha vida, mas minha demora em responder as suas perguntas parace que a incomodaram.
Quando saiu, seu Antônio, sem olhar para mim, sentenciou: "essa mulher se ofende com o silêncio".
E mais não disse e nem lhe foi perguntado até a hora da coalhada, à boca da noite, com as primeiras estrelas aparecendo e alguns sacis se preparando para as presepadas habituais...
Sítio Canto, Martins, dia desses...