quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A VISITA DA BRUXA MALDITA

* Isabel Sena

A bruxa maldita me visitou hoje.

Soprou no meu rosto e se divertiu com o desânimo que tomou conta de minha alma.

Riu da minha dor, da estranha dor que a alma às vezes sente, da sensação de que fui e sou um fracasso, um desajeitado traste inútil que não suporta mais viver com suas máscaras cotidianas.

Quando ela vem mergulho de ponta no centro da melancolia e embora me debata, sinto que me afogo num oceano de insegurança, e que na próxima vez afundarei como uma pedra imensa, mas, nem assim, vou me ver livre dessa bruxa maldita.

Quando ela me visita não suporto a companhia dos outros. Não quero conversar. Sinto nojo do contato físico. Quero ficar sozinho, longe de tudo e de todos.

O que me resta agora é fazer de conta que ela não está me olhando, de que se vai, que logo, logo, tudo volta ao normal.

Depois, de fato, ela se vai.

Mas cada vez demora menos a vir. E cada vez demora mais a ir.

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