segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

SONETO XV, SHAKESPEARE


Shakespeare

Na tradução de Bárbara Heliodora:

"Quando penso que tudo o quanto cresce
Só prende a perfeição por um momento,
Que neste palco é sombra o que aparece
Velado pelo olhar do firmamento;
Que os homens, como as plantas que germinam,
Do céu têm o que os freie e o que os ajude;
Crescem pujantes e, depois, declinam,
Lembrando apenas sua plenitude.
Então a idéia dessa instável sina
Mais rica ainda te faz ao meu olhar;
Vendo o tempo, em dabate com a ruína,
Teu jovem dia em noite transmutar.
Por teu amor com tempo, então, guerreio,
E o que ele toma, a ti eu presenteio."

Na tradução de Ivo Barroso:

Quando observo que tudo quanto cresce
Desfruta a perfeição de um só momento,
Que neste palco imenso se obedece
À secreta influição do firmamento;
Quando percebe que ao homem, como à planta,
Esmaga o mesmo céu que lhe deu glória,
Que se ergue em seiva e, no ápice, aquebranta
E um dia enfim se apaga da memória:
Esse conceito da inconstante sina
Mais jovem faz-te ao meu olhar agora,
Quando o Tempo se alia com a Ruína
Para tornar em noite a tua aurora.
      E crua guerra contra o Tempo enfrento,
       Pois tudo que te toma eu te acrescento."

Um comentário:

Raíssa disse...

Se misturar as duas traduções, com versos de uma e outra, você conseguirá um belo soneto. Abraço, François.