segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O JORNAL "O GLOBO" PERGUNTOU, JOAQUIM BARBOSA RESPONDEU


abobado.files.wordpress.com

Joaquim Barbosa

Transcrito do blog CHICO BRUNO Política e Cia. Iltda (03/01/2010)

http://www.chicobruno.com.br/

"Qual a opinião do senhor sobre os movimentos sociais no Brasil?

 JOAQUIM: Temos um problema cultural sério: a passividade com que a sociedade assiste a práticas chocantes de corrupção. Há tendência a carnavalizar e banalizar práticas que deveriam provocar reação furiosa na população. Infelizmente, no Brasil, às vezes, assistimos à trivialização dessas práticas através de brincadeiras, chacotas, piadas. Tudo isso vem confortar a situação dos corruptos. Basta comparar a reação da sociedade brasileira em relação a certas práticas políticas com a reação em outros países da America Latina. É muito diferente."

A BÍBLIA


files.iprenoagape.webnode.com

A Bíblia

“Sobretudo, no caso, se tivermos presente a hipótese do poeta visionário William Blake, segundo a qual a Bíblia é o ‘grande código’ da arte (da literatura) ocidental, hipótese endossada e elaborada criticamente por Northop Frye”(“Qohélete”; Haroldo de Campos).

domingo, 10 de janeiro de 2010

JUSTIÇA BRASILEIRA

Deu no blog de Reinaldo Azevedo:

"O TEXTO DE UMA JUÍZA E UMA FOTO ESCANDALOSA

Domingo, 10 de janeiro de 2010

Ontem, na página Tendências/Debates da Folha, uma juíza chamada Kenarik Boujikian Felippe escreveu um artigo defendendo com veemência a tal Comissão da Verdade e a punição aos torturadores. Mandaram-me trechos do artigo e eu chutei cá com os meus botões: aposto que ela pertence àquela tal Associação Juízes para a Democracia. Na mosca! É co-fundadora e secretária da associação. A tese da valente magistrada é que pode haver punição mesmo na vigência da Lei da Anistia, que não precisa ser extinta, porque a tortura não está entre os “crimes políticos e conexos” para os quais se prevê o perdão… Ah, bom! A esquerda brasileira sempre nos dando lições, não é? Cesare Battisti, o terrorista-fetiche de Tarso Genro, cometeu, segundo o ministro, “crime político”; já os torturadores teriam cometido crime comum, que não se enquadra na categoria de “conexo”. Já os atos terroristas da esquerda eram, claro!, crimes políticos. Os argumentos são conhecidos, e já os contestei, creio, mais de uma centena de vezes. Vou demonstrar qual é a praia de Kenarik de outro modo. Vejam esta foto. Volto em seguida.




Viram? Aquele que está no centro, de barba, segurando um quadro é João Pedro Stedile, o chefão do MST, o movimento viciado em cometer crimes - na VEJA desta semana, ficamos sabendo que os sem-terra se transformaram agora em contumazes desmatadores da Amazônia. E o que ele faz ali? Ora, está recebendo uma homenagem da ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA!!!

Sim, vocês entenderam direito. Os bravos magistrados da dita-cuja resolveram homenagear o MST pelo conjunto da obra. Kenarik é aquela senhora de vestido preto e braços cruzados ao lado de Stedile. Se quiser mais detalhes, vá à página do próprio MST.

Reparem: a tarefa de um juiz é, afinal de contas, julgar. E isso significa que os próprios atos do MST podem ser objeto do seu escrutínio. Se for um desses valentes da tal associação, já conhecemos o veredito antes mesmo de conhecer o caso ou a causa. Homenagear o movimento significa endossar os seus métodos, endossando também os seus crimes.

Uma das coisas encantadoras dessa foto é aquele rapaz ao lado de Kenarik ostentando a camiseta com a palavra “Cuba”. Cuba é aquele país em que a oposição está na cadeia, onde a tortura a presos é, na prática, uma política de estado.

Kenarik, em sua sede implacável de justiça, não se constrange em aparecer nesse retrato, como se vê. Não custa lembrar que o decreto dos Direitos Humanos, em defesa do qual ela escreveu, extingue, na prática, a propriedade privada e cria uma categoria acima dos juízes."

JOAQUIM BARBOSA


notasjudiciosas.files.wordpress.com

Joaquim Barbosa

Judiciário tem responsabilidade pela corrupção, diz ministro do STF

Publicada em 02/01/2010 às 19h02m

O Globo

RIO - O ministro Joaquim Barbosa, do STF, se revela descrente da política e deixa clara sua dificuldade para escolher bons candidatos quando votar nas eleições de 2010. Além disso, é um crítico feroz da Justiça: "O Judiciário tem parcela grande de responsabilidade pelo aumento da corrupção em nosso país", disse, em entrevista a Carolina Brígido, publicada na edição deste domingo do GLOBO.

- O Judiciário teria de ser reinventado - afirmou.

Joaquim Barbosa, há dois anos, ganhou notoriedade por relatar o processo do mensalão do PT e do governo Lula. Em 2009, convenceu os colegas a abrir processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) para apurar se ele teve participação no mensalão do PSDB mineiro. Nesta entrevista, o ministro não quis comentar o mensalão do DEM, que estourou recentemente no governo de José Roberto Arruda, do Distrito Federal.

O GLOBO: O senhor é descrente da política?

JOAQUIM: Tal como é praticada no Brasil, sim. Porque a impunidade é hoje problema crucial do país. A impunidade no Brasil é planejada, é deliberada. As instituições concebidas para combatê-la são organizadas de forma que elas sejam impotentes, incapazes na prática de ter uma ação eficaz.

O GLOBO: A quais instituições o senhor se se refere?

JOAQUIM: Falo especialmente dos órgãos cuja ação seria mais competente em termos de combate à corrupção, especialmente do Judiciário. A Polícia e o Ministério Público, não obstante as suas manifestas deficiências e os seus erros e defeitos pontuais, cumprem razoavelmente o seu papel. Porém, o Poder Judiciário tem uma parcela grande de responsabilidade pelo aumento das práticas de corrupção em nosso país. A generalizada sensação de impunidade verificada hoje no Brasil decorre em grande parte de fatores estruturais, mas é também reforçada pela atuação do Poder Judiciário, das suas práticas arcaicas, das suas interpretações lenientes e muitas vezes cúmplices para com os atos de corrupção e, sobretudo, com a sua falta de transparência no processo de tomada de decisões. Para ser minimamente eficaz, o Poder Judiciário brasileiro precisaria ser reinventado.

JOAQUIM BARBOSA E O COMEÇO DE 2010


mesquita.blog.br

Joaquim Barbosa

Por Vitor Hugo Soares

oglobo.globo.com/noblat

Nestes últimos anos criei o habito de observar de Salvador os passos e descompassos do presidente da República – primeiro o tucano Fernando Henrique Cardoso, depois o petista Luis Inácio Lula da Silva – em seus dias de repouso na Base Naval de Aratu.

Desta vez, no entanto, peguei a Linha Verde rumo ao Litoral Norte, quando Lula instalou a família, auxiliares e sua caixa de isopor na praia de Inema, magnífico recanto da Baia de Todos os Santos - com um dia de atraso em razão do bafafá de fim de ano em Brasília com o Nelson Jobim, da Defesa, e os ministro militares no ataque para impedir a revisão da Lei da Anistia abrindo espaço para punir torturadores, como já fizera o Chile e acaba de fazer a Argentina esta semana.

Nada de arrependimento, muito pelo contrário.

Molhar os pés nas praias de Guarajuba na chegada do ano novo, mesmo como recomendação médica, não tem preço. Além disso, é um banho de prazer e emoção fazer, no ano novo, o percurso de volta para a cidade da Bahia passando pela sempre linda Arembepe: O éden dos hippies do país e do mundo nos anos 60, que o visionário baiano Glauber Rocha também escolheu para representar o Paraíso em “A Idade da Terra”, um de seus mais intrigantes e polêmicos filmes.

Também motivo de amargura e decepções fatais para o mestre do cinema brasileiro.

A bem da verdade, a mais recente estada do presidente na Bahia não teve a mesma graça de anos passados.
Gerou pouca informação e quase nenhum lance inesperado e fora da rotina.

Salvo a incrível imagem de Lula instalando sua caixa de isopor na límpida praia privativa de Inema.

Sem falar, é claro, nas ciumeiras e trocas de farpas políticas entre o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima e o governador petista, Jaques Wagner, em prévia para Lula ver o que será a encarniçada disputa pelo Palácio de Ondina este ano, com o DEM de Paulo Souto também na raia.

O melhor de tudo mesmo foi emergir em 2010 e verificar que nem tudo está perdido.

Poder observar que, ao lado das catástrofes das chuvas e desabamentos, ajudados por omissões mortais dos governos nas regiões Sudeste e Sul; que além do riso, com as marcas do cinismo e da certeza da impunidade do governador José Roberto Arruda, no Distrito Federal; que para lá da farra parlamentar na Assembléia da Bahia com dinheiro do erário - prática estimulada e que segue intocável no Senado presidido por José Sarney -, ainda é possível avistar a luz no fim do túnel.

A esperança transparece principalmente nas palavras firmes e candentes do ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

Para surpresa de alguns, que o julgavam nocauteado, mas para estímulo e contentamento dos que confiavam em que tudo não passava de merecido repouso de guerreiro, eis que magistrado carioca ressurge no rinque.

E com a mesma força e pegada de antigos e inesquecíveis combates na Suprema Corte do País e nos grandes debates de interesse público.

Que bom voltar do Litoral Norte da Bahia e poder ler nos primeiros dias de 2010 (3 de janeiro para ser exato), nas páginas do jornal O GLOBO, as palavras firmes do ministro Barbosa falando com a repórter Carolina Brígido e quebrando a corrente de desvios de princípios e cumplicidade vigente na terra Tupy nos dias que correm.

Barbosa se diz um descrente da política, como a que se pratica hoje no Brasil. E dá os motivos: “Porque a impunidade é hoje problema crucial no país.

A impunidade no Brasil é planejada, é deliberada. As instituições concebidas para combatê-la são organizadas de forma que elas sejam impotentes, incapazes na prática de ter uma ação eficaz”.

Quer mais, para confirmar a sinceridade do ministro e afastar qualquer ranço de corporativismo em suas palavras, como é comum nas entrevistas que estamos nos acostumando a ler por aqui?

Barbosa fala essencialmente do que ele mais conhece nas entranhas, dos setores que a sociedade mais espera uma ação séria e competente no combate à corrupção, especialmente do Judiciário, como assinala o ministro.

"A Polícia e o Ministério Público, não obstante as suas manifestas deficiências e os seus erros e defeitos pontuais, cumprem razoavelmente o seu papel. Porém, o Poder Judiciário tem uma parcela grande de responsabilidade pelo aumento das práticas de corrupção em nosso país. A generalizada sensação de impunidade verificada hoje no Brasil decorre em grande parte de fatores estruturais, mas é também reforçada pela atuação do Poder Judiciário, das suas práticas arcaicas, das suas interpretações lenientes e muitas vezes cúmplices para com os atos de corrupção e, sobretudo, com a sua falta de transparência no processo de tomada de decisões. Para ser minimamente eficaz o Poder Judiciário brasileiro precisaria ser reinventado”, prega o ministro Joaquim Barbosa.

E mais não digo, por considerar que a leitura em sua integralidade das palavras do magistrado do Supremo na entrevista de O Globo é quase um dever de cidadania para brasileiros de todas as idades, os mais jovens principalmente.

Corra quem ainda não as leu, para recuperar essas palavras alentadoras do guerreiro ministro do Supremo.

Antes que o silêncio leniente e da cumplicidade recaia sobre elas.

sábado, 9 de janeiro de 2010

A INVASÃO DE MOSSORÓ POR LAMPIÃO E MASSILON


1.bp.blogspot.com

Carlos Santos, Aderbal Nogueira, Honório de Medeiros e Manoel Severo

Por Gabriel Barbosa

cariricangaco.blogspot.com

Mais uma parada da caravana Cariri Cangaço rumo a 2010; depois de Mossoró, quando reuniu os confrades Paulo Gastão e Lemuel Rodrigues e Natal, quando encontrou Ivanildo Silveira, Sérgio Dantas, Rostand Medeiros, Múcio Amaral e João Marcílio, agora foi a vez de Tibau do Sul, um dos litorais mais previlegiados do nordeste. Ali em ambiente mais que apropriado, "Restaurante Lampião" na praia da Pipa, o encontro foi com Honório de Medeiros e Carlos Santos.



Honório de Medeiros, um dos mais festejados conferencistas de 2009, assumiu a partir daquele momento um novo desafio: Cariri Cangaço 2010, com tema mais que intrigante e polêmico: A Presença dos Conroneis nos Bastidores da Invasão a Mossoró. Além da confirmação da presença do professor Honório de Medeiros, a organização do Cariri Cangaço, através de Manoel Severo e a SBEC, através de seu diretor Aderbal Nogueira, firmaram convite oficial ao jornalista Carlos Santos, do prestigiado blog potiguar, blogdocarlossantos; a também se unir a família Cariri Cangaço, no próximo mês de agosto no cariri cearense.



Além da pauta direcionada à organização do evento de 2010, também foram discutidas outras pautas ligadas a SBEC, como a possibilidade de marcarmos; de acordo com a anuência do nosso presidente Angelo Osmiro, uma reunião extraordinária da entidade, em Fortaleza, reunindo os confrades do Nordeste, para o construção de um plano de trabalho para 2010.



Na oportunidade, Honório de Medeiros ressaltou a forma democrática e harmonica, a exemplo da edição 2009, como o Cariri Cangaço 2010 está sendo montado; "é a certeza do sucesso renovado". E quanto á sua conferencia dos "Coronéis e a Invasão de Mossoró", nada adiantou... "Terão que ir até o cariri e participar do Cariri Cangaço para conhecer mais de perto essa verdadeira epopéia que foram os bastidores do ataque a Mossoró" confirma.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

II CARIRI CANGAÇO


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Manoel Severo

Por Carlos Santos

(blogdocarlossantos.com.br)

"Cariri Cangaço"-2010 começa a ser esboçado.

Entre os dias 17 e 22 de agosto, seis municípios do Ceará vão sediar concomitantemente o "Cariri Cangaço". A iniciatia é marcada por palestras, debates, exposições, visitas técnicas e apresentação de estudos científicos.

Ouvi essas informações hoje à tarde em Pipa (Tibau do Sul-RN), onde estive.

Os estudiosos do cangaço, cearenses Manoel Severo e Aderbal Nogueira, dissertaram sobre o assunto, que será a segunda edição do evento. O primeiro ocorreu entre os dias 23 e 27 de setembro do ano passado.

- Crato, Juazeiro, Barbalha, Jati, Missão Velha e Aurora vão sediar a programação - conta Severo, com nítida empolgação. "Ano passado eram quatro. Agora teremos também Jati e Aurora", complementa. Ele é um dos principais organizadores da iniciativa.

O bate-papo foi provocado pelo advogado e professor Honório de Medeiros, estudioso do assunto. Ao lado de sua filha, a infante Bárbara, não poderíamos conversar em lugar diferente: "Restaurante Lampião". Tocamos essa confraria lá, à tarde desta quinta (7).

- Não tenha dúvidas: os estudos sobre o cangaço exigem uma abordagem mais científica - admite Severo. Existe farto material produzido de forma empírica, que é significativo, mas os trabalhos precisam avançar para esse campo, reconhece.

Administrador de empresas, mas historiador e documentarista por paixão, Aderbal vê o assunto como inesgotável. Em sua ótica, "há muito ainda a ser discutido".

O mito gerado a partir do cangaceiro "Lampião" o mantém atual, ainda mais quando questões como poder e violência não saem de cena, aponta Aderbal.
 
P.S - Palestrante na primeira edição do Cariri Cangaço, Honório de Medeiros foi novamente convidado para participar da próxima promoção.

II CARIRI CANGAÇO


1.bp.blogspot.com

Por Gabriel Barbosa

cariricangaco.blogspot.com

Começa a Construção do Cariri Cangaço 2010

Foi dada a largada para o Cariri Cangaço 2010. O evento que em setembro do ano passado reuniu na região do Cariri cearense um número significativo de estudiosos da temática cangaço no Brasil, começa a ser contruido em sua versão 2010; com data pré programada para o mês de agosto de 2010, os organizadores já se movimentam na direção da escolha dos temas e palestrantes.

Neste último dia 05 de janeiro, terça-feira, a organização do Cariri Cangaço, representada por seu curador Manoel Severo, e ainda, por Danielle Esmeraldo e Gabriel Barbosa e representando o presidente da SBEC, Angelo Osmiro, o diretor Aderbal Nogueira, iniciaram uma epopéia de visitas; principiando por Mossoró, onde almoçaram com os confrades Paulo Gastão e Lemuel Rodrigues. Na oportunidade o confrade Lemuel Rodrigues recebeu os cumprimentos do Cariri Cangaço e da SBEC pelo recente sucesso da conclusão de seu doutorado.

Além da confirmação da presença dos amigos de Mossoró, também ficou confirmada a participação de Lemuel Rodrigues dentre os Conferencistas de 2010, com o tema Caldeirão do Beato Zé Lourenço. Aderbal Nogueira representando a SBEC já adiantou outra iniciativa da entidade; a formação de uma caravana de amigos para celebrar em Serra Talhada o centenário do lengendário Luiz de Cazuza, um dos últimos contemporâneos de Virgulino, o posterior Lampião; e sobrinho de José Saturnino.



De Mossoró a caravana Cariri Cangaço ainda mantém agendas em Natal, Recife, Garanhuns, Piranhas, Poço Redondo e Paulo Afonso.


VOLTA EM BREVE!




Caros amigos,

Segunda-feira estarei de volta.

Do mesmo jeito, da mesma forma.

Com o mesmo conteúdo.

Afinal, como disse o poeta, "ninguém se perde no caminho da volta".

Honório de Medeiros

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

DAVID LEITE LANÇA "INCERTO CAMINHAR" EM NATAL

Por Carlos Santos


"Incerto Caminhar" aporta em Natal

O livro 'Incerto Caminhar', de David de Medeiros Leite, será lançado sexta (8) , às 19h, na Siciliano, do Midway Mall, em Natal.

A obra poética bilingue (português e espanhol) foi inicialmente apresentada ao público em Salamanca (Espanha), onde o autor fazia doutorado.

Em seguida foi a vez de Mossoró, mais recentemente.

Agora é Natal e seu entorno que vão conhecer o belo trabalho de David, integrante da nossa "República da São Vicente".




domingo, 3 de janeiro de 2010

SÍNDROME DE BARTLEBY



Síndrome de Bartleby

Novo surto da Síndrome de Bartleby.

É ter paciência.

E esperar que esta Bahia de Todos os Santos nos ilumine a todos.

Deus nos abençoe!

Honório de Medeiros



sábado, 2 de janeiro de 2010

GESTÃO PÚBLICA



Gestão Pública

Por Honório de Medeiros



Há algum tempo o Fórum Nacional da Previdência debateu os problemas da Previdência Nacional. E uma das propostas debatidas consta de um relatório elaborado por Vicente Falconi, do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), de Minas Gerais, o mesmo que foi responsável, entre 2002-2006, pelo choque de gestão pelo qual passou o Governo de Minas e que culminou em zerar o déficit orçamentário, que era de 2,3 bilhões de reais, originando um saldo para investimentos de mais de três bilhões.
 
Há algo de original, quanto à gestão pública, na “doutrina” Falconi? Não. Na verdade Falconi resgata, para o setor público, o conceito “PDCA” (Planejar, Desenvolver, Checar e Agir) desenvolvido no Japão, mas criado nos EUA na década de 20, para a iniciativa privada. Agregue-se ao PDCA, mais especificamente no P, de Planejar, os famosos “o que, por que, como e quando”, que a sopinha de letras está completa e o planejamento estratégico, pelo menos no papel, aparece perfeito.
 
Na verdade, conforme a própria literatura acerca de gestão pública aponta, o grande problema está no “Checar”. Tradicionalmente as administrações públicas relegam, quando existe algum planejamento – e o mais das vezes os governos começam sem nenhum – a atividade de checar e padronizar, se tudo estiver correndo bem, ou checar e corrigir, se algo não estiver dando certo. E relegam graças a uma série de componentes dentre os quais avulta, pela importância, o despreparo e a falta de compromisso com aquilo para o qual foram conduzidos pelo voto popular.
 
Não há checagem, por que não é dado prazo para o alcance da meta. Não é dado prazo por que não há decisão política de cobrar resultados quando ele termina. Pior: mesmo que houvesse prazos, o mau gestor não seria punido, vez que a razão principal de sua presença no “staff” decorre de conchavos políticos ou premiação espúria por conduta partidária. Não há acompanhamento rígido do planejamento estabelecido por que os compromissos políticos dobram as necessidades administrativas e todo o planejamento – quando o há – rui por terra já no primeiro ano de administração.
 
Então podemos creditar o sucesso do choque de gestão em Minas Gerais à decisão política do Governador de implementá-la, contra tudo e contra todos. Acredito plenamente que deve ter importado sobremaneira a capacidade de Falconi no sentido de convencer o Governado de que era possível alcançar as metas estabelecidas se houvesse respaldo às ações a serem desenvolvidas. Caso contrario teríamos mais uma boa intenção condenada. E o inferno, dizem, está cheio de boas intenções.
 
O respaldo ao qual aludo acima é, principalmente, no sentido de punir todos quanto não estejam plenamente integrados ao planejamento. Se a checagem mostra que a meta não foi alcançada e isso não aconteceu por falta de competência ou interesse então o gestor intermediário, ou seja, o responsável terá que se afastado imediatamente sob pena de comprometer o esforço total. Esse elo da engrenagem que não funciona é como uma célula cancerosa: se não for destruída imediatamente vai originar uma metástase no futuro.
 
Portanto não há segredo. O problema é político. Embora seja necessário ressaltar: a tarefa de criar e conduzir esse processo demanda um “know-how” que não é para qualquer um. Existem ingredientes para além da “sopinha de letras” que somente são detectados, analisados e integrados por quem é do ramo: tem vocação, talento e disciplina.






DICIONÁRIO DE PARAIBÊS



Por Flaubert Lopes

Vicente Campos Filho lança “DICIONÁRIO DE PARAIBÊS” em forma de cordel

O cordelista Vicente Campos Filho lançou recentemente um folheto de cordel denominado “Dicionário de paraibês”. Em forma de versos, estão dispostos 170 termos utilizados, principalmente no interior paraibano, todos eles acompanhados de seus respectivos sinônimos.

Há cinco anos residindo em João Pessoa, o paraibano da cidade de Patos diz que se utiliza da experiência adquirida durante os seus 44 anos de vida no sertão. “Os termos regionais apresentados nesse cordel representam o que há de mais puro no vocabulário de pessoas que moram no interior”, revela Vicente Campos Filho.

Autor de mais de três dezenas de cordéis, Vicente Campos Filho distribui os seus folhetos para comercialização nas diversas lojas especializadas em produtos para turistas da nossa capital e em bancas de revistas. Ele conta que este em especial, se destina à promoção da nossa cultura entre os que visitam a Paraíba. “O Dicionário de paraibês tem sido muito bem aceito entre os turistas que aqui chegam e que buscam informações sobre a cultura paraibana. Vários outros cordéis que tenho publicado são bem aceitos. Mas este tem superado as expectativas. Tanto turistas como nativos se deliciam com os termos apresentados”.

Os cordéis de Vicente Campos Filho revelam a veia humorística do autor que diz gostar de provocar risos nas estórias contadas em forma de versos. “Gosto muito quando vejo alguém folhear um de meus cordéis e exibir um ar de riso ao ler algumas estrofes”, confessa.

Confira algumas estrofes:

"Um mau cheiro é uma CATINGA

Também pode ser INHACA

Na axila é SUVAQUEIRA

Quem fecha um botão ATACA

Quem se vai PEGA O BECO

Quem entra em casa EMBURACA.



Longe é a BAIXA DA ÉGUA

O ali é ACULÁ

Devagar é SÓ NA MANHA

Correr é DESIMBESTAR

O de cima é o de RIBA

Botar no chão é ARRIAR.



Mulher bonita é VISTOSA

Mulher feia é CANHÃO

Quem se zanga DÁ A GOTA

Quem dá bronca DÁ CARÃO

Menino que anda lento

OH... MENINO REMANCHÃO!



O otário é MANÉ

O malandro é MALAQUIA

Estar com pressa é AVEXADO

Dizer: “Vem logo” é “AVIA”

E quem se espanta com algo

Diz assim: “AFF MARIA!”.



Caprichar é DAR O GRAU

Mal feito é ARRUMAÇÃO

O que é bom é ARRETADO

O medroso é CAGÃO

Pessoa boa é FILÉ

E puxa saco é BABÃO.



Briga grande é ARRANCA RABO

Briga pequena é ARENGA

Problema grande é BRONCA

Na Justiça é PENDENGA

A mulher virgem é MOÇA

Mulher da vida é QUENGA".

O SENTIDO DA VIDA





O sentido da  vida


Por Bárbara de Medeiros

Certo dia, conversando com o meu pai, ele me perguntou, mais uma vez, qual era o sentido da vida. Inspirada, respondi que estava com uma idéia na cabeça, e falei qual era. A minha idéia era: todos nós temos uma missão aqui na Terra. Até aqui, tudo bem. Então, expliquei por que as pessoas morrem ou cedo, ou tarde demais. As que morrem cedo passam desta para melhor, pois já completaram a missão, não têm mais nada para resolver. Se estão livres, porque continuariam mais um dia que fosse aqui, onde não tem mais absolutamente nenhuma questão para resolver? Já as que morrem tarde, ou ainda estão aqui, mesmo doentes e sem possibilidade de falar, andar ou fazer outras coisas, como minha própria avó, deve ser porque não completaram a missão, e talvez ela só possa ser concluída se elas realmente morressem mais tarde, tendo deixado sua marca neste mundo. Para comprovar a minha pequena ‘tese’, utilizei alguns exemplos: Uma das minhas amigas, que morreu quando eu e ela tínhamos ambas apenas três ou quatro aninhos. Ela deve ter ido tão cedo porque já tinha cumprido sua missão, seja a mais besta ou a mais poderosa. E essas pessoas que ainda estão vivas, independentemente da idade ou qualquer outra coisa, é que não podem ir embora deixando negócios pendentes na Terra. E, além do mais, também criei uma explicação para aquelas pessoas que se suicidam. A razão delas se matarem é porque alguém já resolveu, sem querer, a missão delas aqui nesse mundo. Com isso, sem razão para viver, elas se matam. Se você perguntar a qualquer pessoa que esteja querendo se matar, com sintomas de depressão e outras coisas, ela vai lhe dizer que quer morrer porque não vê mais sentido em continuar viva aqui na Terra.

Bárbara tem onze anos.









quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ 2010!




A TODOS OS AMIGOS E LEITORES DESTE BLOG

DIÁRIO DE VIAGEM



No avião, para Salvador, ouço a gargalhada de Bárbara.

"O que foi?"

"Rubem Alves disse aqui que 'o trabalho intenso faz mal à criatividade."

"Eu acho", digo. Lembrei-me de Aristóteles, que dizia não haver filosofia sem ócio.

Ou seja, se quisermos ser criativos, sejamos vagabundos.

Viva a vagabundagem!

PS: O livro do grande Rubem Alves é "Ostra Feliz Não Faz Pérola", editora Planeta, coletânea de crônicas. Livro muito agradável.

E chegamos.  Cadê a moça que nos vinha pegar no aeroporto? Tudo pago, tudo acertado?

Bárbara liga para ela: "Linda" - o nome é esse mesmo - "cadê vc?"

"Quem é?", pergunta uma voz sonolenta do outro lado do celular,  pelas 8:30 da manhã.

"Eu, Bárbara, que lhe contratei para fazer o traslado do aeroporto para o hotel".

"Ihhh! Bárbara, passou pela cabeça. Guenta a mão que eu tô chegando".

É a Bahia, meu Rei!




quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

PEQUENAS FÉRIAS!




De pernas para o ar, em Salvador.

Tudo meio lento, devagar-quase-parando.

Afinal, estamos na Bahia, meu Rei!

Honório de Medeiros

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A CASA GRANDE DA FAMÍLIA DIÓGENES EM PEREIRO, NO CEARÁ

Após ver as fotos, leia a Crônica no "Post" abaixo

Fotos por Honório de Medeiros


Observem o tamanho e o tipo das chaves dos quartos



A chave em contraste com um mosaico do piso



O nome do fundador da família no Brasil




O quarto das celas



Cumeeira



A Casa Grande da Família Diógenes em Pereiro, Ceará



A Castelã ladeada pelo filho mais velho e um neto

A ESTRANHA PEREIRO - II



Pereiro, Ceará

Por Honório de Medeiros
 
Do final do século XVIII, e construída com areia trazida a pé, pelos escravos, do leito do rio Jaguaribe, a cem quilômetros de distância, a Casa Grande da Fazenda Trigueiro, postada próxima à margem da estrada entre São Miguel, Rio Grande do Norte, e Pereiro, Ceará, impressiona quem a vê desde a distância. “São trinta e oito compartimentos”, diz-nos Zé Denis, filho mais velho de Dona Deocides, a viúva Castelã. “Todos imensos”, penso eu, ao ser levado a cada um deles. “Imensos na largura e na altura”.

Peço à cozinheira para ficar próximo à janela da cozinha. Uma vez fotografada, dará uma noção do tamanho da janela – bem maior que ela, que deve ter um pouco mais que um metro e meio. Excetuando a cozinha, todos os outros compartimentos do térreo não têm janelas para fora e se comunicam com os vãos centrais. Se houvesse um ataque – índios, antes, cangaceiros, depois – a única porta que permite o acesso ao interior da casa seria fechada, todos subiriam para o andar superior – no qual ficam as janelas – e a defesa estaria garantida. “A porta funciona como uma ponte levadiça de castelos medievais”, eu digo, observando a chave imensa que a fecha, trazida, da Suíça, na época da construção.

As paredes têm quase um metro de largura. Ocultam segredos ancestrais, como ossos humanos, restos mortais de pessoas emparedadas sabe-se lá quando nem por que, semelhantes aos encontrados certa vez, quando se tentou estabelecer uma comunicação entre dois compartimentos. “Naquela época”, diz-nos Zé Denis, que já foi vereador em Pereiro, mas hoje se dedica a tomar conta da propriedade e da mãe, “como não havia “campo santo” (cemitério), as pessoas mais importantes eram sepultadas assim, acho que seguindo o exemplo das igrejas.” Cada detalhe chama a atenção: são biqueiras para escorrer a água da chuva, de cobre, reproduzindo a boca de um tubarão, também vindas da Suíça; os arabescos da cumeeira da Casa que, nos cantos, lembram um “s” deitado, mas, na realidade, são uma letra grega; a “sapata” – base na qual se assenta todo o imóvel -, que na parte anterior, dando para uma área enorme, como se fosse uma praça de chão batido, em torno da qual todas as construções são postadas, deve ter quase dois metros de altura. É o sótão, um andar inteiro, onde os escravos aguardavam, noite afora, o momento de sua morte, não por outro motivo denominado “quarto dos suplícios”...

“Noite de chuva, as tábuas rangendo, o barulho do vento, que tal Zé Denis”, pergunto. Ele fica sério. “Está vendo aquela casa ali do lado?” “Claro”, respondo. “Na década de oitenta fomos morar nela. Ficou insuportável viver aqui. Batiam as portas, rangiam as tábuas, as luzes apagavam inexplicavelmente, ouvíamos lamentos, arrastar de passos, desapareciam as coisas.” “Frei Damião”, prossegue, “esteve em São Miguel para uma de suas Missões e conseguimos falar com ele que veio aqui e realizou um exorcismo. Só assim pudemos voltar.” “Tinha que ser em Pereiro”, pensei ao me lembrar do episódio do cemitério, relatado antes. “Ficou tudo resolvido?” “Melhorou muito, mas ainda ontem, por duas ou três vezes, na hora do almoço, alguém bateu palmas e me chamou pelo nome, insistentemente. Quando eu saía para o pátio era o canto mais limpo.”

Dona Deocides nos mostra o local da sala onde estão as fotografias da família. Uma me chama imediatamente a atenção. Em sépia, os contornos de Dona Carolina Fernandes, viúva de Manoel Diógenes, o português construtor da Casa Grande da Fazenda Trigueiro. Uma Fernandes, assim como os da Casa Grande da Fazenda São João, em Marcelino Vieira; e os da Casa Grande da Fazenda Sabe Muito, em Caraúbas, as três maiores do Alto Oeste, salvo engano. Todos ligados por laços de parentesco com Matias Fernandes Ribeiro, o genro do fundador de Martins, Francisco Martins Roriz, e de sua esposa Micaela.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A BLINDAGEM DO COLARINHO BRANCO: A LEGISLAÇÃO SATIAGRAHA



Arnaldo Esteves Lima

Deu no Valor

Cristine Prestes, colunista

28/12/2009

Nas últimas semanas, duas decisões da Justiça garantiram uma importante vitória a empresários que respondem a processos judiciais por lavagem de dinheiro no Brasil. As defesas do empresário Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, e dos responsáveis pelo fundo MSI, acusado de usar o Corinthians para lavar dinheiro, conseguiram afastar temporariamente o juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo, dos processos gerados pelas operações Satiagraha e Perestroika, respectivamente.

As decisões foram tomadas pelo ministro Arnaldo Esteves Lima, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no caso de Dantas, e pelos desembargadores que compõem a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, no caso do MSI, e na prática impedem o juiz De Sanctis de determinar qualquer medida nas duas ações penais sob sua responsabilidade. As liminares foram concedidas diante dos chamados pedidos de exceção de suspeição – recursos nos quais a defesa dos acusados alega falta de imparcialidade do juiz da causa para julgar os processos.

Ainda que o recurso traga, em seu nome, a palavra “exceção”, vem se tornando regra desde que os casos gerados pela atuação mais ofensiva e articulada da Polícia Federal e do Ministério Público na investigação de crimes do colarinho branco – cujo auge foi a Operação Satiagraha, deflagrada em julho de 2008 com a prisão de Dantas – passaram a cair nas mãos do juiz De Sanctis, que coleciona pedidos de suspeição contra si.

A nova estratégia elaborada pela defesa dos acusados de crimes do colarinho branco vem ganhando respaldo na Justiça, embora ainda dependa de confirmação tanto no STJ quanto no TRF. Em ambos os tribunais, colegiados de magistrados terão que decidir pela aplicação literal da lei em vigor, que prevê o afastamento do juiz no caso de relação profissional, de aconselhamento, parentesco ou amizade com o réu; ou pela extensão da possibilidade com uma interpretação mais ampla do que estabelece o atual Código de Processo Penal.

Mas, a depender do Congresso Nacional, em um futuro breve a defesa dos réus de crimes do colarinho branco ganhará um reforço de peso. Um projeto de lei idealizado pelo presidente do Senado, José Sarney, e elaborado por uma comissão de juristas convocada pelo senador promove profundas alterações no Código de Processo Penal brasileiro.

Prevista para ser votada no início do próximo ano legislativo, a “Legislação Satiagraha” engendrada por Sarney, a pretexto de modernizar uma lei datada de 1941, constrói uma verdadeira blindagem aos réus de ações penais no Brasil. O projeto enfraquece e esvazia a primeira instância da Justiça com mecanismos que facilitam o afastamento de juízes por suspeição, reduz drasticamente suas funções no processo penal e permite até mesmo que a defesa do réu faça uma investigação paralela, identificando fontes e entrevistando pessoas.

Uma das principais inovações do Projeto de Lei nº 156, de 2009, é a criação do inédito juiz de garantias. É ele quem passará a receber do Ministério Público pedidos de medidas cautelares para a produção de provas que sustentem a denúncia – como buscas e apreensões, interceptações telefônicas e quebras de sigilo fiscal e bancário. Ao juiz da causa caberá apenas julgar o processo – ainda que não tenha participado da chamada fase de instrução, quando são produzidas as provas. O argumento dos que defendem a criação do juiz de garantias é o de que, no momento em que julga o processo, o juiz da primeira instância já está “contaminado” por opiniões formadas durante a fase de instrução, quando defere as medidas cautelares. Ainda que isso seja verdade, até mesmo advogados criminalistas simpatizantes da ideia admitem que uma das consequências dessa separação possa ser simplesmente a falta de provas para sustentar uma sentença condenatória – mesmo que o juiz da causa tenha a convicção de que houve o crime.

Já distanciado da instrução do processo, o juiz da primeira instância, pelo texto do Projeto de Lei nº 56, também poderá se tornar passível de uma avalanche de decisões judiciais a determinar seu afastamento da causa. Com a inserção de apenas um parágrafo na atual legislação, o projeto amplia sobremaneira as chances da defesa de pedir a suspeição do juiz ao propor um texto que, na linguagem jurídica, é chamado de “dispositivo aberto”, ou sujeito a diversas interpretações na Justiça. Diz o texto do projeto que o juiz pode ser afastado do processo “se mantiver relação jurídica de natureza econômica ou moral com qualquer das partes, das quais se possa inferir risco à imparcialidade”. Não será necessária muita criatividade para aplicar o dispositivo.

Se ainda restam dúvidas a respeito da intenção do Projeto de Lei nº 156, seu artigo 24 é derradeiramente esclarecedor. Prevê que “quando o investigado exercer função ou cargo público que determine a competência por foro privativo, que se estenderá a outros investigados na hipótese de crimes conexos ou de concurso de pessoas, caberá ao órgão do tribunal competente autorizar a instauração do inquérito policial e exercer as funções do juiz das garantias”. Na prática, significa que todos os réus que respondem a processos penais ao lado de pelo menos um que tenha foro privilegiado por conta do cargo que ocupa garantirão o mesmo benefício. Significa também que a polícia e o Ministério Público só poderão instaurar inquéritos contra os detentores de foro privilegiado mediante autorização da instância competente para julgá-los – o Supremo Tribunal Federal (STF), no caso de deputados, senadores, presidentes, ministros de Estado etc.

O projeto de Sarney é um duro golpe na já quase inexistente possibilidade de punição do crime do colarinho branco no Brasil, que não raro envolve detentores de cargos públicos. Caso seja aprovado no Congresso, passa a ser do Supremo a competência para julgar boa parte dos processos penais por crimes econômicos no país. Dos poucos que restarem, saliente-se, pois só será investigado quem o Supremo quiser.

O CASO ABDELMASSIH



Roger Abdelmassih

Deu na Folha de S. Paulo

O caso Abdelmassih

De Fernando de Barros e Silva:

Vamos começar fazendo três perguntas: 1. Quantas pessoas estão encarceradas hoje no país, em regime de prisão preventiva, sem que ainda tenham sido julgadas? 2. Quantas, entre as pessoas que se encontram nessa condição, chegam a ter seus pedidos de soltura apreciados pelo Supremo Tribunal Federal? 3. E quantas conseguem ver seu caso atendido em apenas quatro meses pelo presidente da mais alta corte do país?

A resposta talvez conduza à conclusão de que o doutor Roger Abdelmassih é um homem de sorte. Ou que pagou os advogados certos. O jornal "Le Monde" tinha razão, mas pegou leve ao dizer que nosso Judiciário é "preguiçoso". Às vezes, só às vezes, é ágil até demais.

O habeas corpus de Gilmar Mendes, que, no recesso da Justiça, libertou o médico acusado de molestar sexualmente pelo menos 39 mulheres, causa óbvio mal-estar.

As vítimas (supostas?) depositavam na expertise do doutor a esperança de engravidar -e a situação de vulnerabilidade física e emocional em que foram atacadas, conforme os relatos, confere ao escândalo feição especialmente repugnante.