segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A MEMÓRIA DOS ESQUECIDOS


  
 
Honório de Medeiros                           
Na Rue de Lutèce, entre o Boulevard du Palais e a Rue de La Cité, em algum lugar conhecido por muitos poucos, o “La Mémoire de L'homme” cumpre sua missão de preservar a história abandonada da humanidade, assim como, na Barcelona arcaica, o Cemitério dos Livros Esquecidos, do qual nos deu conta Carlos Ruiz Zafón em “A Sombra do Vento”, arquiva, em seus infinitos desvãos, tudo quanto a loucura e a sanidade de cada um de nós ousou escrever ao longo do tempo e terminou encaminhado às traças, ou a Biblioteca de Babel, descrita por Jorge Luis Borges em “Ficções”, de 1944, que nos fala do mundo  constituído por uma biblioteca sem fim, abriga uma infinidade de livros possíveis e impossíveis...
Histórias tais quais aquelas vividas pelo velho militar a quem deu tempo e voz Alain de Botton em “Nos Mínimos Detalhes”:
“Ele não tinha nenhum biógrafo para recolher suas palavras, para mapear seus movimentos, para organizar suas lembranças; ele estava vazando sua biografia para o interior de inúmeros receptores, que o ouviam por um momento, e então lhe davam uma pancadinha no ombro, e partiam para suas próprias vidas. A empatia dos outros era limitada às exigências do dia de trabalho, e assim ele morreu deixando fragmentos de si dispersos casualmente em meio a uma caixa de cartas esmaecidas, fotografias sem legenda reunidas em álbuns de família e histórias contadas a seus dois filhos e a um punhado de amigos que marcaram presença no funeral em cadeiras de rodas.”  

sábado, 9 de fevereiro de 2013

QUANTO AO DIREITO NATURAL...

DA SÉRIE: ego insist in dicens!
 
Do pepsic.bvsalud.org
 
 
Honório de Medeiros
 
 
QUANTO AO DIREITO NATURAL, SE É NATURAL, NÃO É DIREITO; SE É DIREITO, NÃO É NATURAL.
 
 

DO QUÊ VOCÊ DEVE DESCONFIAR NO DIREITO


Do descobrimentopoetico.blogspot.com
 
 

Honório de Medeiros 
(honoriodemedeiros@gmail.com)
 
1) O Direito não é uma ciência.
Somente crê que o Direito é uma ciência quem não conhece filosofia da ciência ou defende sua cientificidade com propósitos indignos.
O corolário desse postulado é que cai por terra, assim, o uso do argumento da autoridade na defesa de interpretações cabotinas.
2) O Direito não tem qualquer relação com o Justo.
Como não se sabe o que é o Justo, ou a Justiça, não se pode afirmar, em qualquer circunstância, que o ordenamento jurídico seja um instrumento para a obtenção da justiça.
3) O ordenamento jurídico é um instrumento do Estado, não da Sociedade.
O ordenamento jurídico é um instrumento do Estado, não da Sociedade. Tanto o é que pode se voltar contra a Sociedade. Quando a Sociedade dobra o Estado, como nas revoluções, cai o ordenamento jurídico.
4) O ordenamento jurídico é um instrumento de opressão.
Em todos os tempos e lugares o ordenamento jurídico é um instrumento de opressão do Estado sobre a Sociedade.
5) O ordenamento jurídico reflete a estrutura de poder das elites dominantes, a correlação de forças políticas existentes em um determinado momento histórico.
Muito embora possa acontecer decisões esporádicas que contrariem o sistema político dominante, elas dizem respeito a espasmos isolados que não comprometem sua lógica interna e externa de manifestação dos interesses das elites políticas dominantes.
6) A norma jurídica constitucional, ou os princípios constitucionais, por ser abstrata e difusa, quando da sua interpretação, refletirá ainda mais claramente a correlação de forças políticas existente em sua circunstância específica.
7) Não há qualquer parâmetro científico que possa nortear uma interpretação de normas ou princípios jurídicos. Os parâmetros existentes são puramente retóricos.
8) Os juízes, promotores, advogados, policias, enfim, os serventuários da Justiça são servidores do Estado, não da Sociedade e consolidam, ao agirem, enquanto correia de transmissão, sistemicamente, a repressão estatal.
9) Muito embora o Estado emerja da Sociedade, pode se voltar contra o ambiente social - e o faz - no qual foi concebido.
10) O ensino do direito positivo, com raras e honrosas exceções, ensina seu uso instrumental, sem permitir o desenvolvimento das condições críticas necessárias para domina-lo quanto aos fundamentos e finalidades, assegurando assim a manutenção e reprodução do status quo.  

domingo, 3 de fevereiro de 2013

DIFERENÇA ENTRE PELÉ E MESSI


 
Pelé, primeiro e único
 
 
Do http://blogdopaulinho.wordpress.com/


Segundo dados registrados na CBF, exibiremos abaixo uma relação de cinco dos mais geniais artilheiros em todos os tempos, pela ordem de precocidade ao atingirem a marca de uma centena de gols.

Pelé foi o mais jovem a marcar 100 vezes, em 31 de julho de 1958.

O Rei do Futebol tinha na ocasião, 17 anos, nove meses e oito dias de vida.

Na sequencia veio Ronaldo Fenômeno, que estufou as redes pela centésima vez com apenas 19 anos e quatro dias, em 26/09/1995.

Neymar é o terceiro na lista, atingindo a meta no dia de seu vigésimo aniversário, em 05 de fevereiro de 2012.

O agora deputado Romário fez o seu, no dia 12 de novembro de 1987, com 21 anos, dez meses e quatorze dias.

E, para fechar com chave-de-ouro tão seleto grupo não poderia faltar o genial argentino Lionel Messi, que fez seu gol de número 100 aos 22 anos, dois meses e 26 dias de idade, na data de 19 de setembro de 2009.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A RENDIÇÃO DO CONGRESSO AO CHIQUEIRO DA POLÍTICA

 
 
Degradação

A rendição do Congresso ao chiqueiro da política


Editorial do portal Congresso em Foco
 
chiqueiro (sentido figurado)casa ou lugar imundo”
 
Sintomático que o presidente do Senado, José Sarney, tenha proibido a manifestação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), convocada por várias entidades e apoiada pelo Congresso em Foco.
 
Os manifestantes pretendiam fazer ontem a lavagem simbólica da rampa do Senado para expressar a indignação que levou, até o momento em que é publicado este texto, mais de 250 mil brasileiros a subscrever o abaixo-assinado contra a volta de Renan à presidência do Senado.
 
O problema é que limpeza é algo que não combina muito com o Congresso. Nas últimas duas décadas, ele proporcionou seguidas demonstrações de afronta aos cidadãos que custeiam suas bilionárias despesas (perto de R$ 8 bilhões no ano passado): escândalo do orçamento em 1993, compra de votos para aprovar a emenda da reeleição em 1997, violação do painel em 2001, mensalão em 2005, sanguessugas em 2006, farra das passagens e atos secretos em 2009… a lista é infindável.
 
Mas sempre pode ser enriquecida, aumentando o tamanho dos golpes contra a cidadania, prova agora o processo em curso de eleição das Mesas do Senado e da Câmara. Estamos diante de uma daquelas tristes situações que nos levam a constatar que, em se tratando do Congresso brasileiro, sempre é possível piorar.
 
Exemplar é o caso de Renan. Na iminência de receber a maioria folgada de votos dos seus pares, foi até agora incapaz de esclarecer as denúncias que, seis anos atrás, o obrigaram a renunciar à presidência do Senado para preservar o mandato de senador.
Reconduzir Renan ao posto, antes de eliminar todas as dúvidas quanto à sua conduta, põe sob suspeita todo o Legislativo. Um poder que já apresenta um gigantesco passivo no que se refere ao “controle interno” dos seus integrantes e das suas ações. E daí? O Congresso, que tem um terço de seus parlamentares às voltas com acusações criminais, continua a dar sinais de preferir a imundície dos chiqueiros ao asseio das normas impostas por aquilo que, algo pomposamente, poderíamos chamar de moralidade pública.
Com menos pompa, poderíamos dizer que se espera atenção a pelo menos duas normas básicas: não roubar o dinheiro dos contribuintes e investigar ou colaborar com a investigação de crimes contra a administração pública, sobretudo quando os acusados forem deputados e senadores.
 
Oposta é a regra que prevalece no Congresso. Ali, cidadãos sob suspeita gozam de proteção oficial, tapinhas solidários nas costas, carro e despesas pagas pelo erário, e abusam da paciência de um povo que demonstra excessiva complacência em relação a políticos bandidos.
Desfilam pelos corredores do Legislativo desde políticos condenados a prisão até a espantosa figura de Paulo Maluf, alvo de um mandado da Interpol que lhe impede de pisar em qualquer outro país do mundo, sem ir imediatamente para a cadeia, mas que pode, legalmente, ser deputado no Brasil.
A precária mobilização popular, muito aquém do tamanho dos desaforos que o Parlamento tem metido pela goela abaixo da sociedade, contribui para o escárnio não ter fim.
 
Apoiado por todos os grandes partidos, inclusive da oposição, é dado como favorito na disputa da presidência da Câmara outro político sob fortes suspeitas, o atual líder peemedebista, Henrique Eduardo Alves (RN).
 
Questionados sobre possíveis desvios de conduta, ele e Renan reagem de modo semelhante. Ignoram a denúncia, ao mesmo tempo em que instruem adversários a atribuir os graves questionamentos que lhes são feitos a meros preconceitos contra nordestinos. Esta, aliás, é uma das imbecilidades preferidas da meia dúzia de militantes pró-Renan que nos últimos dias tenta infestar este Congresso em Foco com centenas de comentários, invariavelmente usando nomes falsos e termos ofensivos.
Como não há limites para o abismo moral, o PMDB, outrora valente combatente da ditadura e hoje confortável abrigo para novos e velhos suspeitos, prepara-se para eleger como líder outro parlamentar sob investigação, Eduardo Cunha (RJ). Também deve explicações à Justiça seu rival na disputa, Sandro Mabel (GO).
Em comum a Renan, Henrique, Eduardo Cunha e Mabel, a facilidade com que se aliam aos governos de plantão, sempre multiplicando os instrumentos a serviço de um tipo de política que, definitivamente, não cheira bem.
 
O Congresso em Foco sente-se no dever de manifestar perplexidade diante de tudo isso e se colocar à disposição dos brasileiros que pretendem ver um Congresso radicalmente diferente. Afinal, fazemos jornalismo na esperança de contribuir para as coisas mudarem para melhor – não para pior.
Veja postagem original clicando AQUI.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

JORNALISTA POTIGUAR RECEBE APOIO INTERNACIONAL


Do Blog do Carlos Santos

Na luta


Cedinho recebi email de Benoît Hervieu, diretor do escritório para as Américas da Organização Não-Governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras (RSF). A entidade tem sede em Paris e é a mais importante organização mundial de defesa da liberdade de expressão e imprensa.

Reiterou apoio a esta página e a seu editor, em qualquer necessidade. Na verdade, reforçou, haja vista que já se dispusera há alguns anos a essa luta.

- Qualquer forma de ajuda estamos à sua disposição – asseverou.

Destacou sua alegria pessoal e da instituição que representa nas Américas, à continuada reviravolta no campo judicial que estamos obtendo, à estratégia de sufocar-me com uma avalanche de processos na Justiça (chegaram a ser protocoladas 11 ações, num único dia).

A blitkrieg judicial, jogada que procurou aparelhar o judiciário contra o exercício do jornalismo neste Blog, deu com os burros n´água. O Blog ficou ainda mais forte, ganhou repercussão nacional e internacional, cresceu em termos de fidelização e número de webleitores, além de comercialmente.

Já os inquilinos do poder… se foram.

Lembro Cervantes com o célebre Quixote: “Meu descanso é a batalha”.

Há tempos viramos o jogo. Porém, nossa marcha ainda terá muitos outros prélios.

Gládio à mão; à luta.

VEJA AQUI uma síntese de relatório da RSF em relação à mídia no Brasil, dissecando o quadro de tentativa de asfixia da atividade jornalística, sobretudo com uso da instituição judicial.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

VEM AÍ O CARIRI CANGAÇO 2013!

Do cariricangaco.com:

Reunião no Cariri difine a data do Cariri Cangaço 2013!

Sousa Neto, Bosco André, Manoel Severo, Dona Cláudia e Dr. Pedro Luís
 
 
Aconteceu neste último final de semana um conjunto de encontro entre parceiros realizadores e Conselheiros do Cariri Cangaço na região do Cariri cearense. Estiveram presentes os municípios de Crato, Missão Velha, Aurora e Barro, através dos senhores: Dr. Pedro Luis Camelo, Promotor de Justiça da Comarca de Crato e Conselheiro do Cariri Cangaço, João Bosco André, Memorialista de Missão Velha e também Conselheiro; George Camelo, secretrário de cultura de Missão Velha; José Cícero, secretário de cultura de Aurora e Conselheiro e ainda Sousa Neto, secretário de cultura de Barro.
 
 
 
Secretário George Camelo à mesa com Manoel Severo, José Cícero, Sousa Neto e Bosco André, Membros do Conselho Cariri Cangaço.


 

O encontro aconteceu na sede da Secretaria de Cultura de Missão Velha; portal de entrada do Cariri; quando ficou definido entre outras coisas, a data definitiva do Cariri Cangaço 2013:
 
 
As principais novidades; os resultados da visita do Conselho Cariri Cangaço em Missão Velha e muito mais, você fica sabendo aqui no
www.cariricangaco.com
e em nossa página no facebook.

Conselho Consultivo Cariri Cangaço

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

EXPERIMENTO DE DEMOCRACIA RADICAL ACONTECENDO


Espanhóis se unem em legenda de atuação anônima pela Internet*


  • Grupo criou partido político que quer construir democraria sem intermediários, pela própria rede. 

  • Priscila Guilayn  

Madri - Do outro lado da linha, uma pessoa sem nome, que trabalha em um grupo heterogêneo de 90 voluntários de 19 a 86 anos. Todos anônimos. Criaram um partido político, o Partido X (Partido do Futuro), sem sede física, que pretende construir uma democracia direta, sem intermediários, através da internet. Chegou com força e seu servidor entrou em pane, pois recebia 600 mensagens por segundo. No primeiro dia, atraiu 13 mil seguidores no Twitter, 7 mil no Facebook e 100 mil visitas no YouTube. Querem ganhar, dizem, tudo — referendos vinculantes, iniciativas legislativas populares etc —, com um wikigoverno, e colocar em xeque-mate todos os mandatários que conduzem a Espanha de costas para a sociedade.

— Existe uma crise que não foi criada pela cidadania. A sociedade está pagando por ela, e o que queremos é que os especuladores e políticos que a causaram paguem pelo que fizeram — conta, por telefone, a anônima porta-voz.

Suas metas imediatas são duas: soberania cidadã, para influenciar as ações do governo e a saída urgente da crise econômica, que assola o país com um índice de 26% de desemprego. Não são de esquerda, de direita, nem de centro, diz a porta-voz. Tampouco se definem como republicanos ou monarquistas, parlamentaristas ou presidencialistas.

— Não nos perguntamos sobre nossas ideologias. Este não é um espaço de discussão. É uma ferramenta de trabalho para a sociedade civil mudar o sistema político. Queremos fazer a máquina funcionar e não discutir constantemente sobre ela. A discussão deve existir, mas em outros âmbitos. Queremos ser o catalisador desta energia de mudança, que já existe, e ajudar para que tudo mude o mais rápido possível.

O Partido X começou a ser gerado há um ano e meio, em plena efervescência do Movimento 15-M, que surgiu com acampamentos, nas principais praças do país, e passeatas como mostra de indignação contra o atual sistema político-econômico. O 15-M continuou vivo em assembleias de bairros, tomando um papel ativo, por exemplo, contra os despejos e a atual lei hipotecária.

FUNDADORA APOSENTADA

Os indignados foram acolhidos pela sociedade espanhola — cerca de 70% os apoiavam —, mas despertaram críticas praticamente unânimes: abordavam uma infinidade de questões de maneira prolixa e difusa. O Partido X é o oposto: pretende enfrentar um problema de cada vez e só passará ao segundo, quando o primeiro for solucionado. E deixa claro: nasceu do 15-M, mas não é o partido do 15-M.

— O Movimento 15-M é um momento histórico na Espanha. Deve ser identificado como uma época. É como dizer Revolução Francesa ou Revolução Industrial. A ideia surgiu neste período histórico, mas não como extensão dele. Alguns de nós do Partido X participaram do 15-M desde o princípio, outros nunca foram sequer a uma manifestação. O 15-M não quer ser representado, não quer um partido politico. Quem disser que representa o 15-M é um usurpador — afirma.

A falta de hierarquia do 15-M, que também evitava nomes e líderes, se repete neste inovador experimento político, que se registrou como partido em dezembro. A legislação espanhola não exige um número mínimo de afiliados, mas o partido deve ser registrado por um cidadão espanhol. Aí entra Greer Margaret Thurlow Sanders, a “presidente honorária aposentada”, que não participa do partido, e sobre a qual, afirma a porta-voz, não podem dar nenhuma informação, sequer sobre sua procedência, já que seu nome deixa claro que não é de origem espanhola. A ausência de nomes ou de informação não deve ser interpretada como falta de transparência, afirma a porta-voz.

— Não pedimos nem voto nem confiança. A desconfiança neste momento é positiva porque queremos despertar a consciência cidadã e romper com a mentalidade do abandono da atividade política nas mãos de pessoas determinadas. Queremos os cidadãos vigilantes, atentos, colaborando com um trabalho que deve ser de toda a sociedade.

O grupo anônimo de cientistas, professores, artistas, advogados, especialistas em novas tecnologia e em diversas áreas, avós, donas de casa, estudantes e desempregados que formam o Partido X, não pretende concorrer por enquanto, nas eleições. Não querem tentar obter uma pequena representação parlamentar e ir, pouco a pouco, conquistando mais votos. Vão esperar um “clamor grande”. Quando chegar o momento de organizar listas eleitorais, haverá rostos, nomes e sobrenomes. Por ora, o grupo de 90 integrantes é fechado. Não querem afiliados. Militantes, de fato, em um ciberpartido não têm sentido. O que precisam é de seguidores, com alto grau de compromisso e poder de mobilização nas redes sociais.

— O Partido X é uma das primeiras manifestações, no mundo, de ciberpolítica. Nossas instituições são do século XIX e têm que mudar. O Partido X é uma manifestação prática disso. Não há como saber se terão sucesso ou não. O sistema político espanhol está corrompido até a raiz, e o sentimento de impotência da cidadania é muito forte. Mas o que se pode fazer? Na política tradicional, calar-se ou manifestar-se pela rua, esperando que cheguem as próximas eleições. Mas em um novo contexto, como o da ciberpolítica, pode haver outras saídas — diz o analista político da Universidade Nacional a Distância Ramón Cotarelo.

PROGRAMA DE GOVERNO

Por enquanto, o Partido X trabalha na elaboração do seu programa intitulado “Democracia e ponto”, que ficará pronto em março. Usam o método de participação sequenciada, ou seja, um problema de cada vez, para o qual especialistas em diferentes matérias apresentarão soluções, enquanto os demais membros do partido que não conhecem profundamente o assunto, observarão, aprenderão e fiscalizarão para que o objetivo não seja desvirtuado.

— Imaginamos um governo assim: com pessoas especialistas nas diferentes matérias e com a vigilância dos cidadãos, para que não se distanciem dos objetivos por interesses pessoais — explica a anônima porta-voz.
 
* http://oglobo.globo.com/mundo/espanhois-se-unem-em-legenda-de-atuacao-anonima-pela-internet

sábado, 26 de janeiro de 2013

RETÓRICA INCADESCENTE CONTRA ROSALBA NA "MARCHA DO FIO DE AÇO"



 
Na "MARCHA DO FIO DE AÇO"...
 
 
...Gregos, Troianos, Romanos e Potiguares clamaram...
 
 
...pela saúde pública do Estado do Rn...
 
 
...com discursos incandescentes, como o do Presidente do Sindicato dos Médicos, Geraldo Ferreira, assemelhando Rosalba à Micarla e a aconselhando a rasgar seu diploma de médica, tamanho seu descaso, segundo ele, com a saúde pública! 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

DE QUEM É ESTRANHO OU INTRUSO NO JOGO DO PODER


 


 

Honório de Medeiros
 

Poderíamos denominá-los outsiders nos lembrando do sociólogo alemão Norbert Elias cujas obras, que estudaram as relações entre Poder e Conhecimento, permaneceram marginais (à margem) até os anos 70, quando, então, se tornaram muito influentes. Elias, autor de “O Processo Civilizatório”, reintroduziu na discussão intelectual moderna, graças a sua concepção de “redes sociais”, a importância da ação individual na história.

Talvez o conceito do sociólogo judeu-alemão não abarque aqueles que irei mencionar, mesmo tangencialmente. Não importa. Vou me apropriar do nome e utilizá-lo para o fim visado. 

Claro que poderíamos denominá-los gauches, em homenagem a Carlos Drummond de Andrade: 

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
 

Aplicar-se-ia, aqui, o mesmo raciocínio anterior. Prefiro, portanto, outsiders a partir do significado etimológico que o Dicionário Estudantil, o Michaelis, lhe atribui: s. estranho, intruso. 

Estranhos a quê, ou a quem? 

À privacidade do detentor do Poder – e de sua entourage - para quem, eventualmente trabalhe, por não confundir relação de trabalho com relação pessoal; à idéia de franquear sua intimidade ao detentor do Poder – e à sua entourage; à bajulação; à omissão no que diz respeito à discordância, se preciso for, quanto às idéias e/ou ações do detentor do Poder; à conformação própria de uma oposição branda para demarcar posições; ao jogo do Poder e ao Poder do jogo do Poder; à atitude de marcar presença física para ser visto e lembrado como alguém da “corte”; à subserviência; à aniquilação do respeito por si mesmo, na medida em que corpo e mente passam a ser instrumentos daqueles que os mantêm. 

Intrusos para o círculo íntimo do Poder embora perifericamente dele fazendo parte, momentaneamente, em virtude de sua competência técnica. 

Quem é intruso não tem acesso às idéias que realmente estão impulsionando o jogo do Poder. Não compartilha as ações que dele decorrem, por mais inteligentes que seja. Não faz questão de entender – às vezes até mesmo perceber – a linguagem cifrada através da qual os integrantes do círculo íntimo se manifestam. 

Com sua chegada se estabelece o silêncio ou o barulho dirigido. O intruso incomoda, é um obstáculo tanto mais difícil porque ele faz parte da engrenagem embora atrapalhe na medida em que não possa ser envolvido – e usado - sem que perceba o que realmente está por trás do jogo político do qual faz parte. 

Os outsiders – todos eles – em algum momento de sua vida foram moídos por aqueles no meio dos quais conviveram. Foram mastigados, deglutidos e vomitados. Suas essências não poderam ser assimiladas por aquele tipo de sistema.

Não se trata de oposição externa ao Poder. Não é irridência, sublevação, contestação explícita, revolução. Não. É incompatibilidade com o estamento do qual até então o outsider fazia parte apesar de ser outsider.

Ser outsider foi sua glória e sua tragédia. Fez com que fosse trazido para o jogo político e depois expelido. Trazido graças a seu talento, sua competência individual – nada que se assemelhe à conseqüência de um compadrio, de um afilhadismo, de um parentesco qualquer. E expelido porque impossibilitado, graças a sua excentricidade moral, ou psicológica, ou filosófica, ou todas juntas, de se acompanhar da carneirada e sua vocação para serem usadas pelos lobos ao custo de balangandãs, bijuterias, penduricalhos materiais ou emocionais.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O PODER DA REDE SOCIAL CONTRA O PODER DO ESTADO


 
Por Carlos Santos


 

A informação no universo cibernético é uma novidade e um desafio para todos nós, que de alguma forma convivemos de forma profissional com a tarefa de comunicar. É um aprendizado diário, uma esfinge longe de ser decifrada por inteiro.
Alguns dogmas, clichês e verdades absolutas com as quais o jornalismo prosperou até aqui, começam a ser questionados ou simplesmente desmoronam como castelo de cartas.
Exemplo fácil de marcar essas observações a gente pode ver na política do Rio Grande do Norte atual.
O desgastado Governo Rosalba Ciarlini (DEM) praticamente não tem oposição formal na Assembleia Legislativa e convive com vozes desarticuladas nos aglomerados partidários. Seus problemas maiores, nesse campo, também não estão fincados em jornais, rádios ou TV´s.
De forma viral, sua má fama tem sido construída na Internet. De modo articulado, ou não.
Há poucos dias, do nada, utilizando câmera de um celular, o médico Jeancarlo Cavalcante ganhou notoriedade por filmar procedimento médico numa sala de cirurgia do Hospital Walfredo Gurgel, em que remendava paciente sem uso de um necessário fio de aço.
“Bombou”, como se diz no meio virtual. Ganhou manchete em toda a imprensa do país, desmoralizando mais ainda o governo.
Jeancarlo não é jornalista, não é dono de cadeia de comunicação ou muito menos político. Teve seus 15 minutos de fama, que talvez sequer planejara. Fez mais estrago do que toda a oposição política reunida.
Virótico, seu vídeo é uma entre tantas outras manifestações que pipocam na Internet através de redes sociais, sem que o governo consiga controlar ou encontre meio simples ou sofisticado de fazer frente. Perde feio essa guerra.
Sátira e Lilliput
Qualquer um pode alvejar o governo. A qualquer momento. E de forma mortal.
Antes mesmo do médico Jeancarlo, outros “guerrilheiros” ocuparam a rede de microblogs Twitter para denúncias diárias quanto às péssimas condições de trabalho nas unidades de saúde pública. Alguns são médicos também.
Postam comentários, fotos e vídeos estarrecedores também no Facebook e blogs.
Bem antes, Natal testemunhou uma mobilização com dezenas e centenas de manifestantes contra a então prefeita Micarla de Sousa (PV).
Muitos anônimos derrubaram ditaduras no Oriente Médio e abalaram o poder em outras partes do mundo.
O Rio Grande do Norte não está descontextualizado do mundo. Não estamos em Lilliput (ilha fictícia do romance “As viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift), mas parece que somos minúsculos cidadãos num reino de absurdos. Somos uma sátira de nós mesmos.
Apesar disso, temos muitos políticos, marqueteiros e comunicólogos de diversos matizes que continuam com a mentalidade e aplicação de técnicas de sobrevivência fincadas lá no passado. Estão longes da realidade.
Nem os milhões destinados à propaganda têm sido capazes de estancar essa epidemia. O vírus dessa militância continua a se espalhar e outros homens-bomba como Jeancarlos estão à solta por aí.
Até o momento, o governo perde feio essa guerra digital.