Mostrando postagens com marcador Poder. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poder. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de maio de 2026

OBTER O CONTROLE. CONTROLAR. MANTER O CONTROLE.

Arte: Bárbara de Medeiros, quando criança



* Honório de Medeiros
* honoriodemedeiros@gmail.com
* @honoriodemedeiros



Obter o controle. Controlar. Manter o controle: faz parte da estratégia militar ou política. 

Quem tem o controle tem o Poder Político, dizia, para um dos seus escravos, o extraterrestre que governava a terra no romance Campo de Batalha: Terra, de L. Ron Hubbard, aquele autor americano de ficção científica que ficou mais famoso como criador da Cientologia, estranha seita preferida por vários atores famosos americanos, dentre eles Tom Cruise.

O controle está para o Poder como a célula está para o tecido, o átomo para a matéria. É através do controle que se estabelece a hierarquia, seja qual seja o ser vivo, lembrando Sir Karl Popper e sua Teoria Evolucionária do Conhecimento, ou seja, da ameba ao humano.

Lula, que não é lido, mas não é burro, deixou bem claro ao analisar Pedro Simon e sua quixotesca candidatura a Presidente do Senado, anos atrás: “ele não é confiável”. Confiável ou controlável? Dá no mesmo nesse contexto sórdido da política.

Na raiz desse controle está a tendência inata do ser humano de explorar, absorver, extrair, para si, tudo quanto, naquilo que o cerca, amplie sua possibilidade de sobrevivência. 

Richard Dawkins – esse mesmo que desencadeou uma cruzada contra Deus a partir de Charles Darwin, em Deus, Um Delírio – afirmaria que fazemos isso manipulados pelos nossos genes.]

Para ele, nós somos nossos genes. O resto é invólucro. Ou seja, o resto é resto. Há controvérsias. Alguns acham muito radical essa hipótese.

Trazer para o mais íntimo de nós, no aspecto físico, o que está por trás – mesmo que remotamente, das ações humanas, deu um corpo de vantagem a Darwin sobre o velho Karl Marx. 

Este, como se sabe, coloca a divisão do trabalho na raiz do problema do controle. Segundo ele, a divisão do trabalho, vai fazer surgir a propriedade privada, ou vice-versa, as relações de produção, a infra-estrutura material, a superestrutura ideológica, e, enfim, a luta de classes e a exploração do homem pelo homem.

Entretanto, o que estaria por trás do surgimento da propriedade privada? O que está no começo da exploração do homem pelo homem? Marx não disse.

Talvez seu companheiro Friedrich Engels tenha esboçado algo a respeito a partir da análise dos estudos de Lewis Henry Morgan, um antropólogo e etnólogo americano que andou estudando os nativos de seu país no final do século XIX, e publicou uma obra que é muito citada nos meios acadêmicos, e pouco lida. 

Charles Darwin disse. Claramente. E, com ele, começou um novo capítulo das ciências sociais e, mais especificamente falando, da Psicologia Social Evolutiva.

Voltamos ao ponto de partida. Somos levados, instintivamente, a controlar para explorar. Isso tanto em nível pessoal quanto social. Quem controla estabelece hierarquia. O povo, que não é besta, há muito denuncia, como pode, a arrogância da elite que põe o dedo em riste e pergunta ao Zé Mané: “você sabe com quem está falando?”.

Aparentemente não há limite para a intenção de controle. O céu é o limite. “Quanto mais temos, mais queremos ter.” Quanto mais queremos ter, mais somos predadores. O povo diz, o povo sabe. O senso comum, quando devidamente criticado, é o ponto de partida para o conhecimento. 

Claro que os controladores dão nomes bonitos a tudo isso. Faz parte do jogo, é uma estratégia de controle. Chamam a esse impulso predatório de ambição social, luta para deixar o legado na história, defender os interesses da sociedade, luta para ascender na escala social... Tudo lorota. 

Na essência, é o ruim e velho capitalismo de guerra e sua teia de argumentos justificatórios. No âmago do âmago, como diriam os exagerados, está esse egoísmo inato cujas vísceras Chares Darwin expôs.

E os santos, alguém perguntaria. O altruísmo, diria eu, se cavarmos fundo, é sempre uma espécie de egoísmo. O egoísmo do bem...

quarta-feira, 20 de maio de 2026

OS ANARQUISTAS ESTÃO CERTOS?

 

https://officialjpp.com/cartazes---anarquistas.htm


* Honório de Medeiros
* honoriodemedeiros@gmail.com
* @honoriodemedeiros


Que dizem os anarquistas?

Qual o núcleo do capitalismo? A mais-valia. Sem mais-valia não há luta de classes.

Lê-se isso, por exemplo, em Raymond Aron, O Marxismo de Marx: "Por último é a teoria da mais-valia que serve como fundamento para o conjunto da construção teórica de Marx, pois o regime capitalista só funciona na medida em que gera mais-valia (...)".

Como surge a mais-valia? Via divisão do trabalho social. Sem que muitos trabalhem para poucos, gerando o excedente, não há mais-valia.

E como, por sua vez, surge a divisão do trabalho social? O que sabemos acerca desse momento da história no qual, pela primeira vez, surgiu a divisão do trabalho social?

Tal somente foi possível através da persuasão ou da força. A força da persuasão ou a persuasão da força.

Em ambos os casos, extensões do Poder Político, a capacidade de determinar ao outro(s) os rumos a serem tomados. 

O Poder Político de persuadir, oriundo da capacitação intelectual, do desnivelamento intelectual, ou o Poder Político da força, por intermédio da força física direta ou indireta. 

A força do Poder Político, o Poder Político da força.

Tão óbvio isso é que Engels tentou entender o papel da força quanto ao surgimento do capitalismo em Anti-Duhring.

Não há como negar a acumulação primitiva à custa do exercício da força. 

Então, na base, está o exercício do Poder Político. Somente há capital porque há Poder Político.

Os anarquistas Bakunin, Kropotkin, Max Stirner, Emma Goldman estão certos.

Entretanto nos subterrâneos da base, ainda muito pouco explorada, a Teoria da Evolução, de Charles Darwin...

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

BERTRAND RUSSEL E A CAUSA DO PODER

 

Sir Bertrand Russel


* Honório de Medeiros


Em Power: A New Social Analysis, Sir Bertrand Russel expõe a teoria de que os acontecimentos sociais somente são plenamente explicáveis a partir da idéia de Poder[1]

Não algum Poder específico, como o Econômico, ou o Militar, ou mesmo o Político[2], mas o Poder com “P” maiúsculo, do qual todas os tipos são decorrentes, irredutíveis entre si, mas de igual importância para compreender a Sociedade.

A causa da existência do Poder seria a ânsia infinita de glória[3], inerente a todos os seres humanos, diz Russel.

Se o homem não ansiasse por glória, não buscaria o Poder. Glória infinita posto que o desejo humano não conhece limites.

Essa ânsia por glória dificulta a cooperação social, já que cada um de nós anseia por impor, aos outros, como ela deveria ocorrer e nos torna relutantes em admitir limitações ao nosso poder individual. Como isso não é possível, surge a instabilidade e a violência.

Tal ânsia, cuja manifestação objetiva é o exercício do Poder, pode ser encontrada em qualquer ser humano: explicitamente nos guerreiros, santos ou políticos, e implicitamente nos seus seguidores: Xerxes não precisava de alimentos, roupas ou mulheres quando invadiu Atenas; Newton não precisava lutar pela sobrevivência quando empreendeu escrever seus “Principia”; São Francisco de Assis e Santo Inácio de Loyola não precisavam criar ordens religiosas para difundir a palavra de Cristo.

Somente o amor ao Poder explicaria realizações tão singulares.

Assim explica, Sir Bertrand Russel: a força propulsora das transformações sociais se resume, em última instância, no apego ao Poder glorioso, que é inerente a qualquer ser humano.

Cabe indagar: o que leva o homem a ansiar por glória?

A ânsia por imortalidade? 

Pode ser. O medo da morte. 

Em A Negação da Morte, de Ernest Becker, que ao autor valeu o Prêmio Pulitzer de Não-Ficção Geral de 1974. 

Afinal, não foi isso que Platão pôs na boca de Codro, no Banquete:

Supondo acaso que Alcestes... ou Aquiles... ou o próprio Codro teriam buscado a morte - afim de salvar o reino para seus filhos - se não tivessem esperado conquistar a memória imortal de sua virtude, pelo qual, em verdade os recordamos? 

Para Becker, é isso que há de fundamental no ser humano: o medo da morte. Esse receio, temor, medo, que está em cada um de nós desde o início, seria o motor que nos impulsiona e a fonte de nossa permanente angústia. 

Agimos, em consequência, para reprimir tal medo, construindo "mentiras vitais" que nos permitiriam enfrentá-lo sob a ilusão de imortalidade histórica, e explicariam, assim, a conduta do homem. 

Uma dessas condutas, a mais importante, é a ânsia por heroísmo, que em acontecendo, nos permitiria sobreviver na memória dos outros. 

Creio, mas posso estar enganado, que Becker bebeu na fonte instigante de Sir Bertrand Russel que mina do seu Power: A New Social Analysis, onde ele expõe a teoria de que os acontecimentos sociais somente são plenamente explicáveis a partir da ideia de Poder. 


[1] Poder, segundo Norberto Bobbio, em Teoria Geral da Política, no início do capítulo acerca de Política e Direito, deve ser entendido como a capacidade de influenciar, condicionar, determinar a conduta de alguém.

[2] Norberto Bobbio, em Teoria Geral da Política, abre o capítulo alusivo a "Política e Direito" expondo que o termo “Política” diz respeito às ações por meio das quais se conquista, mantém e exerce o Poder último ou soberano, tal e qual o dos governantes sobre os governados.

[3] Em Darwin, a obtenção da“glória” é um dos meios por intermédio dos quais o homem amplia as possibilidades de sobrevivência dos seus gens, mas essa é outra história...


honoriodemedeiros@gmail.com
@honoriodemedeiros

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

A VERDADE CAMBALEIA

 * Honório de Medeiros.

(honoriodemedeiros@gmail.com)



Michiko Kakutani, prêmio Pulitzer de 1998, crítica literária do The New York Times por mais de quarenta anos, em A Morte da Verdade (Notas Sobre a Mentira na Era Trump), conta que Steve Bannon, estrategista e conselheiro do ex-Presidente, certa vez descreveu a si mesmo como um “leninista”.

O mesmo Bannon, ainda segundo Kakutani, teria dito o seguinte: “Lênin queria destruir o Estado, e esse também é o meu objetivo. Quero acabar com tudo e destruir todo o establishment de hoje em dia.”

Lênin deve estar gargalhando em alguma das grelhas do inferno, apesar das dores. Ele é o patrono dessa maré de pós-verdade que se tornou praticamente hegemônica nos dias atuais, calcada no uso da retórica violenta, incendiária, em promessas simplórias e desconstrução da verdade, tudo potencializado pela internet.

O fundador da URSS explicou, certa vez, que sua retórica era calculada para provocar o ódio, a aversão e o desprezo, não para convencer, mas para desmobilizar o adversário, não para corrigir o erro do inimigo, mas para destruí-lo.

Quem quiser ler um pouco mais, está em Report to the Fifth Congresso of the R.S.D.L.P. on the St. Petersburg Split of the Party Tribunal Ensuing Therefrom.

É bom lembrar que Pilatos inquiriu Jesus, em uma das mais célebres passagens da Bíblia: “Então, tu és rei?”, ao que Ele lhe respondeu: “Tu dizes acertadamente que sou rei. Por esta causa, Eu nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar a verdade. Todos os que pertencem à verdade ouvem a minha voz.” Pilatos, então, questionou: Quid est veritas? (“Que é a verdade”? João 18,38). E assim que disse isso, saiu de novo para onde estavam reunidos os judeus, e lhes disse: “Não encontrei qualquer falta nesse homem”.

Pilatos lhe fizera uma pergunta de natureza ontológica. Provavelmente era um cético, até mesmo um niilista quanto à moral, e somente acreditava no Poder pelo Poder, e como não escutou resposta, o silêncio de Jesus perturba os filósofos através do tempo.

De qualquer forma já somos todos perdedores. Em um mundo onde o princípio basilar da razão, qual seja o da Verdade Objetiva, não a de cada um, mas aquela que existe independente da vontade de quem quer que seja, desmorona lentamente, confrontada pelo relativismo das narrativas subjetivas, somente a luta, até mesmo física, nele encontra guarida.

Esquecemo-nos que onde tudo pode ser, nada é; onde nada é, tudo pode ser.

Se fôssemos minimamente sensatos, aproveitaríamos o que nos aproxima e deixaríamos de lado o que nos afasta. Esta é o ponto-de-partida para evitar o caos, a fragmentação, a insanidade.

Assim, mesmo descrente de tudo quanto estamos construindo, ainda cabe acreditarmos que é necessário sermos muito cautelosos com o que vemos, ouvimos, lemos, até mesmo tateamos.

As armas da manipulação estão cada vez mais sofisticadas. E não pode, não deve existir dúvida: o Poder somente se toma ou se mantém à custa da sedução, manipulação ou força. Dificilmente via convencimento.                

sábado, 12 de julho de 2014

"A PERSUASÃO PERTENCE AO DOMÍNIO DA INFLUÊNCIA"

* Honório de Medeiros


"A persuasão pertence ao domínio da influência", nos diz Lionel Bellenger. Está claro. Mas por qual razão eu quero influenciar alguém?  Por querer que esse alguém perceba as coisas e os fenômenos como eu percebo. E por que eu suponho que posso ou devo fazer isso? Por supor que estou certo, e os outros, errados ou ignorantes. Trata-se de uma questão de Poder, em relação a valores meus e dos outros, posto que em relação ao mundo dos fatos, domínio da ciência e da técnica, não se influencia quanto aos seus objetos em si, demonstra-se por a + b. É importante não confundir aquilo que eu digo acerca de algo, no mundo da ciência ou da técnica, com aquilo que eu quero que você perceba daquilo que eu digo desse algo. Este foi o cerne do embate entre Galileu e a Igreja.