segunda-feira, 4 de maio de 2026
JALES COSTA
sexta-feira, 1 de maio de 2026
RAFAEL NEGREIROS, O INDOMÁVEL
Rafael Negreiros ao lado de Ivonete de Paula em evento na Associação Cultural e Desportiva Potiguar (ACDP), em Mossoró, RN.
* Honório de Medeiros
* honoriodemedeiros@gmail.com
* @honoriodemedeiros
Alguns anos atrás, final dos anos oitenta, eu e Franklin Jorge resolvemos lançar um jornal em Pau dos Ferros que cobrisse, para o Estado, todo o Alto Oeste. Seria um semanário e iria para as bancas aos sábados.
terça-feira, 28 de abril de 2026
"GUERREIROS DO SOL", Frederico Pernambucano de Mello
Da esquerda de quem olha, para a direita: Frederico Pernambucano de Mello, Clotilde Tavares e Honório de Medeiros. 19 de novembro de 2010
* Honório de Medeiros
* honoriodemedeiros@gmail.com / @honoriodemedeiros
"O BRIO DE CRISTAL"
Conversar não é o melhor termo para definir esse encontro.
Eu acabara de lançar Massilon (Nas Veredas do Cangaço e Outros Temas Afins).
Mas não somente, claro. Há a teoria do escudo ético; a tipologia dos cangaceiros; a psicologia do homem sertanejo nordestino arcaico; o arcabouço da violência que construiu o habitat próprio do cangaceirismo; a relação seca/economia/cangaço; os fatores que influenciaram o fim desse ciclo tão próprio do nosso Sertão; a análise acerca da disseminação, nas terras sertanejas, do "ethos" da violência como apanágio da masculinidade, a partir do conflito entre famílias; o papel da nossa indiada no ensino de táticas de guerrilha que foram recebidas e aprofundadas pelos cangaceiros...
quinta-feira, 16 de abril de 2026
PAULO MAIA
Da esquerda para a direita de quem olha: Fred, Paulo Maia,
Hélton, eu, Fernando Negreiros, Segundo Paula, Lenilson, Anchieta, Delevan,
Jânio Rêgo. Turma da Quarta Série Ginasial, 1972, Colégio Diocesano Santa Luzia,
reunidos em 2011, Mossoró.
* Honório de Medeiros
Paulo Maia dizia que era baixinho por minha culpa: eu tinha
roubado o leite dele, quando recém-nascido.
Tudo porque eu nasci três dias depois do 23 de abril de 1958,
no qual ele veio ao mundo, ambos na Maternidade Almeida Castro, em Mossoró.
Como mamãe não conseguia matar minha fome com seu pouco
leite, valeu-se da generosidade da mãe dele, Manolita Pereira, que nos
alimentou.
Manolita dizia que é minha mãe de leite. Eu respondo, sempre
respondi, que eu e Paulo tínhamos que ser irmãos, estava escrito no livro da
vida, e beijo a mão dela, reverente.
Entre idas e vindas, altos e baixos, seguimos próximos vida afora, sempre muito próximos.
Amigos desde a maternidade.
Um dia, eu lá pelas bandas de São João do Sabugi, no Seridó, em busca das misteriosas raízes genealógicas do meu avô paterno, acordei cedo, abri o celular, e li a devastadora notícia de sua morte.
Um baque.
Botei o carro na estrada e fui calado de lá até Mossoró, rasgando o centro do Estado, percorrendo um mundão de terra em um tempo que sequer vi passar.
Michaela respeitou meu silêncio.
Uma espécie de solidão amarga, ensimesmada, uma onda de tristeza que teimava em vir, tomou conta da gente.
Sensação de impotência. Solidão, tristeza e impotência.
Falam que há conforto na partida de alguém que lutou
bravamente por dois anos contra essa maldita doença cujo nome amedronta tanto,
que o abreviaram.
Pode ser. Sei que lutou ele, a esposa, filhos, a família toda, os amigos, os amigos dos amigos. Rezamos muito.
Luta vã.
Que seja feita a
vontade de Deus.
Descansou, então, e por fim.
E a saudade?
Paulo, você se lembra daquele dia em Tibau no qual Antônio de Bé nos
levou em sua jangada, começo da madrugada, para além da última visão de terra, como
companheiros de pescaria?
Lembra das tardes de cerveja e Belchior, lá no Asfarn, em
Natal?
Lembra dos veraneios em Tibau? Do jipe, das meninas, dos
amigos comuns, das pescarias no Arrombado?
Do Diocesano e da turma da quarta série ginasial de 1972?
Lembra como decidimos, junto com Delevam, quem seria o
padrinho de Paulinha?
Lembra daquele dia no qual fomos barrados na ACDP?
Lembra daquele dia... não, não, melhor não contar, não é?
Ê, Paulo, são tantas e tantas memórias.
Um dia eu conto para meus sobrinhos! As que eu puder, claro.
Paulo, aguarde aí. Um dia, chego.
Descanse em paz, meu irmão.
Estamos juntos!
Vou juntar as imagens desse tempo que passou tão rápido...
* honoriodemedeiros@gmail.com
* @honoriodemedeiros
terça-feira, 14 de abril de 2026
COMO AVALIAR UM GOVERNO
sexta-feira, 10 de abril de 2026
"A ELEGÂNCIA DO OURIÇO", Muriel Barbery
quarta-feira, 8 de abril de 2026
"SUBLIMINAR: COMO O INCONSCIENTE INFLUENCIA NOSSAS VIDAS", Leonard Mlodinow
segunda-feira, 6 de abril de 2026
"A CIVILIZAÇÃO DO ESPETÁCULO", Mário Vargas Llosa
Como não lembrar do personagem de O lobo da estepe, de Hermann Hesse, em seu permanente solilóquio: "O que chamamos cultura, o que chamamos espírito, alma, o que temos por belo, formoso e santo, seria simplesmente um fantasma, já morto há muito, e considerado vivo e verdadeiro só por meia dúzia de loucos como nós? Quem sabe se nem era verdadeiro, nem sequer teria existido? Não teria sido mais que uma quimera tudo aquilo que nós, os loucos, tanto defendíamos?"
domingo, 5 de abril de 2026
"DEMIAN", HERMANN HESSE
* Honório de Medeiros
“O caminho que sobe e o que desce é o mesmo” (Heráclito de Éfeso, dito “O Obscuro”).
"- Mas terá que aceitar isso – retrucou Woland, e o sorriso irônico entortou sua boca. – Você mal apareceu no telhado e já disse bobagens, e vou dizer onde elas residem: na sua entonação. Você pronunciou suas palavras de tal maneira como se não reconhecesse as sombras, e muito menos a maldade. Não seria muito trabalho de sua parte pensar na seguinte questão: o que faria a sua bondade se não existisse a maldade, como seria a terra se dela sumissem as sombras?” (Mikhail Bulgákov, O Mestre e Margarida).[1]
Quem, nos anos 70, gostava de ler, possivelmente teve entre as mãos algum livro de Herman Hesse.
Talvez Sidarta, no qual ele romanceou a vida de Gautama Buda, ou mesmo O Jogo das Contas de Vidro e O Lobo da Estepe, os mais cultuados; quem sabe Demian; Gertrud; Pequenas Histórias; Narciso e Goldmund, para mencionar os mais conhecidos.
É possível que Demian seja considerado um livro menor, assim como Gertrud, sua continuação.[2] Na verdade, a crítica teceu e tece loas à O Jogo das Contas de Vidro e, em menor escala, a O Lobo da Estepe, muito embora o mais famoso seja Sidarta.
Em Demian, Hesse nos apresenta a um enigmático adolescente e sua mãe, mulher bela e misteriosa iniciada em uma seita religiosa, o Cainismo, que fascinam Sinclair, colega dele de escola e relator da história.
O Cainismo foi uma seita gnóstica cristã do século II, considerada herética pela Igreja Católica, que venerava Caim como filho de um espírito superior ao que teria engendrado seu irmão Abel.
Quando essa questão aparece na convivência entre Demian e Sinclair, aquele aponta, como ponto-de-partida para a iniciação do amigo na doutrina, o conhecimento da vida de uma relação de personagens significativos, embora condenados pela história oficial, começando por Eva, depois Caim, irmão de Abel, cujo nome batiza a seita, bem como Judas Iscariotes, dentre outros.
Sabe-se que o Cainismo foi resgatado no século XIX da total obscuridade por Lord Byron, o cultuado e maldito poeta romântico inglês, e hoje é possível que somente exista em obras emboloradas de historiadores praticamente desconhecidos, a grande maioria ocupando estantes empoeiradas no “Cemitério dos Livros Esquecidos” que fica em Barcelona, do qual nos deu a conhecer Carlos Ruiz Zafón, em famosa tetralogia.
Voltando a Demian, a pergunta que ele faz a Sinclair no processo de sua iniciação nos segredos da seita, durante o transcorrer da trama, é se haveria Adão sem Eva; Abel sem Caim; Jesus, sem Judas, e assim por diante. Evidentemente, a verdadeira pergunta, implícita e fundamental, é se haveria a Luz, sem as Trevas.
Não é ousadia supor que o Cainismo seja descendente do Zoroastrismo ou Mazdeísmo, a religião dominante no Império Persa por volta do século VI a.C. até a invasão e dominação, no reinado de Dario III, por Alexandre “O Grande”, rei macedônio.
O zoroastrismo professava uma interpretação dualista do mundo, entendendo-o como governado pelas forças antagônicas do Bem e do Mal. Existiria um deus supremo, criador de dois outros seres poderosos que seriam extensões de sua própria natureza: Ormuzd (ou Ahura-Mazda, ou ainda Oromasdes, segundo os gregos), a fonte de todo o Bem, e Ariman (Arimanes), a fonte de todo o Mal, depois que se rebelou contra seu criador.
Os conflitos entre o Bem e o Mal seriam constantes até o momento em que os adeptos de Ormuzd venceriam, condenando Ariman e os que o seguiam às trevas eternas.
Tampouco é ousadia acreditar que o Maniqueísmo seria parte dessa linhagem herética e gnóstica originada na Pérsia. Muito tempo depois renascida no Império Romano (sécs. III d.C. e IV d.C.), sua doutrina, plena de um dualismo religioso sincretista, consistia em afirmar, também, a existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (o Bem) e o das sombras (o Mal), assim como em localizar a matéria e a carne na escuridão.
Do Maniqueísmo foi seguidor, por um bom tempo, ninguém mais, ninguém menos, que Santo Agostinho de Hipona, Doutor da Igreja, talvez o mais importante pensador católico, autor da “magnum opus” De civitate Dei (A Cidade de Deus), por quem Santa Mônica, sua mãe, tanto rezou para o converter.
Avançando no tempo, mas ainda na mesma linhagem, essa mesma percepção gnóstica, dualística, da realidade, constituiria o cerne da doutrina do Catarismo, professado pelos Perfeitos, os quais a Inquisição, no Século XIII, varreu da face da França, naquela que seria a Primeira Cruzada da Igreja Católica, liderada por São Luis, o nono Rei da França.
Questões como essa suscitaram debates ardentes durante os famosos e esotéricos anos 60 e 70, quando se questionava o modelo de vida que o capitalismo impunha ao mundo. Havia, então, um inebriante fascínio pelo Oriente misterioso dos zoroastristas, cainitas, maniqueístas, iogues, faquires, dervixes, sadhus, budistas, taoístas e seu estilo de vida, enquanto contraponto à hegemonia da sociedade de consumo e do marxismo ocidental.
Não por outra razão ainda hoje encontramos, em alguns nichos pulverizados que a internet tende a ressaltar, uma preocupação esotérica com a vida que parece muito distante do feijão-com-arroz cotidiano ao qual estamos acostumados.
Existem também espaços diminutos, embora alvoroçados, no campo das ideias, resultantes de raízes solidamente firmadas nessa tradição oriental, que se voltam para a tentativa de explicar os fenômenos da antimatéria, física quântica, teoria do caos, em uma perspectiva mais aberta, resvalando para a metafísica, menos atenta ao rigor metodológico ortodoxo próprio da ciência.
Que o diga Fritjof Capra, famoso físico teórico autor de O Tao da Física e O Ponto de Mutação.
Por fim, quanto a Herman Hesse, é possível entender que em Demian e Gertrud, ele tratou obliquamente, ao utilizar o Cainismo como pano de fundo da trama cujo epicentro é a relação entre Demian, Sinclair e Gertrud, da origem e essência do Bem e do Mal.
Mais: ao fazê-lo, trouxe para a claridade, ou pelo menos tentou, a misteriosa seita que seus personagens professavam e, para quem optou por se aprofundar na questão, os mistérios do Zoroastrismo, Maniqueísmo e Catarismo.
Todas essas seitas conectadas pela crença na Realidade enquanto emanação de uma divindade única e suprema, e constituída pela existência concomitante e antagônicas do Bem e do Mal (a Luz e as Trevas), formando a unidade definitiva e primordial de todas as coisas.