Giuseppi Tomasi di Lampedusa
* Honorio de Medeiros
* honoriodemedeiros@gmail.com
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O ex-ministro Luís Roberto Barroso, do STF, certa vez concedeu deu uma entrevista na qual afirmou que "o sistema político brasileiro é uma usina do mal".
O ex-ministro parece não saber o que é "sistema", tampouco "política", ou estava fazendo jogo-de-cena.
Ora, um sistema político está para o Poder Político assim como a espuma está para as ondas do mar.
Simples assim.
Tal é o animismo moderno, que evoluiu da concepção de que as coisas têm vida, para a concepção de que as abstrações têm vida.
Algo muito primitivo, sem dúvida, mas que presta um enorme serviço a quem detém o Poder Político.
Sua expressão máxima é o funcionalismo americano. É algo mais ou menos como imaginar que a culpa dos pneus estarem descalibrados é inerente a eles mesmos, e, não, às estradas ruins.
Troca-se o pneu e fica tudo bem.
Dessa visão do mundo também nasce nossa medicina, na qual os seres humanos precisam apenas melhorar as peças de reposição, que tudo fica otimizado.
Uma variante humorística - e crítica - de uma percepção funcionalista da realidade está na estória do homem que flagra a esposa em adultério. Revoltado, desfaz-se da cama onde ocorreu a traição.
Assim fez o ministro: não podendo se desfazer dos corruptos, quer modificar o sistema político.
Como se em cada sistema político não existissem corruptos.
Antes tivesse lido Lampeduza, ministro, Giuseppe Tomasi di Lampedusa.
É dele, em "Il Gattopardo", a frase célebre: "tudo deve mudar para que tudo fique como está"...
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